Colômbia participa do exercício Red Flag 19-2

O esquadrão Tanquero 811 da Força Aérea Colombiana consolidou a sua capacidade de reabastecimento de combustível em voo e comandou uma missão do exercício.
Yolima Dussán/Diálogo | 9 maio 2019

Capacitação e Desenvolvimento

O Esquadrão Tanquero 811 da Força Aérea Colombiana participou do exercício Internacional Red Flag 2019, na Base Aérea Nellis, em Las Vegas, Nevada, entre os dias 6 e 23 de março. (Foto: Força Aérea Colombiana)

A Força Aérea Colombiana (FAC) participou do Exercício Internacional Red Flag, o treinamento de combate aéreo mais importante do mundo, realizado de 6 a 23 de março de 2019, na Base Aérea Nellis da Força Aérea dos Estados Unidos, em Las Vegas, Nevada. No exercício, os participantes treinaram o reabastecimento aéreo de combustível nas aeronaves do esquadrão EA-18 Growler, da Marinha dos EUA.

A participação da delegação colombiana ficou concentrada no Júpiter, um avião-tanque Boeing KC 767 da FAC, que executou três exercícios diurnos e quatro noturnos. Sua missão foi reabastecer o combustível das aeronaves americanas no ar. “Sabemos que se nos encontrarmos com o Júpiter, ele será um aliado seguro e profissional para interoperar, se for necessário”, disse à imprensa o Capitão de Fragata da Marinha dos EUA Chris Nesset, comandante do 134º Esquadrão de Ataque Eletrônico.

“Não é comum que um país participe dois anos seguidos. Esse é um fato muito significativo”, disse à Diálogo o Coronel Kerly Sánchez, comandante da Comissão da FAC no Red Flag 19-2, que também participou do treinamento em 2018. “São muitas as forças do ar das outras nações que estão na lista de espera para participar do exercício. Nossa presença este ano demonstrou o interesse dos EUA para que fizéssemos parte dessa atividade.”

Capacitados para interagir

O exercício Red Flag exige um treinamento extremo para que todas as tarefas sejam realizadas de maneira segura em um espaço limitado, onde várias aeronaves interagem em altas velocidades, com manobras de combate aéreo em diferentes funções. Os participantes cumprem missões específicas na simulação de uma guerra de quinta geração, com base em estratégias e tecnologias orientadas para a supressão do espectro eletromagnético do inimigo.

Participaram do exercício 21 esquadrões de nove países: Arábia Saudita, Bélgica, Colômbia, Emirados Árabes, Estados Unidos, Holanda, Itália, Noruega e Singapura. O Esquadrão Tanquero 811 da FAC foi convidado como líder do componente de reabastecimento da Força Aérea Azul, como é conhecida a coalizão dos países aliados no Red Flag. Essa foi a primeira vez em que a Colômbia ocupou essa posição.

A representação da FAC foi formada por um esquadrão com 25 unidades, entre oficiais e suboficiais com especialidades em sistemas hidráulicos, elétricos, estruturas, pneus, aviônica e reabastecimento em voo. Os colombianos demonstraram conhecimento dos procedimentos e do manejo dos padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para a interoperabilidade.

Um avião EW F-18 do 139º Esquadrão Eletrônico de Ataque da Marinha dos EUA passa por manutenção durante o exercício Red Flag 2019. (Foto: Força Aérea Colombiana)

“Recebemos o convite para o Red Flag 19-2 com três meses de antecedência. Treinamos pouco, o que demonstra que a nossa capacidade de interoperar com os países da aliança é real, sustentável e permanente”, garantiu o Cel Sánchez. “Ela está integrada e processada nos nossos procedimentos.” 

Operação de reabastecimento

Durante o treinamento, a tripulação do avião-tanque Júpiter devia reabastecer com 5.000 litros de combustível três aeronaves EA-18 Growler dos EUA, sob condições climáticas favoráveis, declarou a FAC à imprensa. “[Trata-se de] uma operação que realizamos frequentemente em operações reais com os aviões Cessna A-37”, disse o Cel Sánchez. “Temos uma grande quantidade de aeronaves e realizamos missões para garantir o fornecimento de combustível. Nosso avião-tanque tem autonomia de 10 horas.”

Os esquadrões participantes conseguiram reabastecer o combustível de acordo com os rigorosos padrões de segurança e eficiência, em um teatro simulado de operações na Europa, cujo objetivo seria reduzir a capacidade do sistema antiaéreo das forças agressoras. O exercício foi realizado em diferentes etapas, entre elas o planejamento, um trabalho igual ou mais importante do que o voo em si, de acordo com a FAC. Três ou quatro horas de voo requerem muitos dias de dedicação ao planejamento da missão.

O Red Flag comprometeu duas alas de combate – a vermelha e a azul –, que somaram mais de 62 aeronaves que voaram ao mesmo tempo sobre o espaço aéreo da Base Nellis. Elas cumpriram missões de inteligência, comando e controle, reabastecimento em voo, combate e ataque de objetivos em terra e no ar. 

Sistema compatível

A tripulação do avião-tanque colombiano analisou as diferentes variáveis que podiam ocorrer e definiu o tempo, a altitude e a velocidade das aeronaves para as quais o combustível seria transferido, para garantir a interoperabilidade de 10 esquadrilhas de aeronaves de diferentes países. Foram ainda consideradas as hipóteses e suas alternativas, visto que na eventualidade de alguma mudança nas condições da operação, a mesma deveria ser realizada mesmo quando os pilotos e esquadrões nunca tenham trabalhado juntos antes.

“A capacidade de operar com aliados da OTAN e da coalizão em um ambiente de treinamento permite que se superem os desafios de fronteiras, culturas e idiomas”, disse o CF Nesset. “No Red Flag conseguimos superar esses obstáculos e alcançamos efeitos positivos, o que facilitará as comunicações quando estivermos realizando as operações reais.”

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 471
Carregando conversa