Colômbia apoia missão de paz no Sinai

Um novo grupo de militares colombianos mobilizou-se no Oriente Médio e cumpriu sua participação na missão de paz na região.
Marian Romero/Diálogo | 5 dezembro 2017

Relações Internacionais

O Batalhão Colômbia N.º 3 da Força Multinacional de Paz e Observadores no Sinai começou sua missão de paz na região em abril de 1982. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

Em meados de outubro de 2017, membros das Forças Militares da Colômbia instalaram-se no Egito para apoiar a missão de manutenção da paz na Península do Sinai. O grupo, formado por 113 militares do Exército e da Marinha Nacional da Colômbia, fez parte do Batalhão Colômbia N.º 3, que pertence à Força Multinacional de Paz e Observadores (MFO, por sua sigla em inglês).

Ao chegar ao Egito, os militares colombianos devem realizar um treinamento para se familiarizarem com as condições da região. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

“Pertencer ao Batalhão Colômbia na Península do Sinai é uma honra”, disse à Diálogo o Primeiro-Sargento do Exército Nacional da Colômbia Jairo Quintero, que atualmente faz parte da MFO. “Mesmo que seja um trabalho pesado, longe da família e do que é conhecido, é uma oportunidade muito importante na carreira militar para conhecer outras culturas e servir o país com outra perspectiva.”

O objetivo da missão internacional é o de preservar a segurança da região segundo os acordos de paz entre Egito e Israel. A missão inclui operações de controle da região, patrulhas de reconhecimento, postos de observação e a garantia de acesso marítimo ao Golfo de Áqaba, cujo litoral está dividido entre Egito, Israel, Jordânia e Arábia Saudita.

Missão de paz

A MFO é uma entidade internacional independente criada como alternativa às forças da Organização das Nações Unidas (ONU) para cumprir o Tratado de Paz entre Egito e Israel de 1979. O tratado marcou o fim de 30 anos de hostilidades e delimitou a fronteira entre os dois países.

As duas partes exigiram a presença de uma força de observação da ONU. Quando não foi obtida a aprovação do Conselho de Segurança, foi negociado um protocolo que estabeleceu a MFO. Em abril de 1982, a missão da MFO começou com forças militares internacionais que incluíram a Colômbia. Doze países participam da MFO; o Uruguai é o único outro país latino-americano.

O tratado de paz egípcio-israelense dividiu a Península do Sinai em quatro áreas. Duas delas, com a maior parte do território, estão sob a segurança das Forças Armadas do Egito. A área de fronteira com Israel corresponde às Forças de Defesa de Israel, enquanto a área central está com a MFO. A área internacional conta com dois campos: o Campo Norte, no Gorah, e o Campo Sul, perto da cidade de Sharm el Sheij.

Tarefas específicas

Segundo o Primeiro-Sargento do Exército Nacional da Colômbia Wilmer Alejandro Calderón, que fez parte do Batalhão Colômbia N.º 3 que voltou à Colômbia em junho de 2017, cada país da MFO tem uma responsabilidade diferente. “Eles fazem trabalhos de engenharia, transporte, inteligência, ação integral, administração etc.”, explicou.

O objetivo da MFO consiste em preservar a segurança da região segundo os acordos de paz entre Egito e Israel. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

O Batalhão Colômbia atua no Campo Norte. “Cuidamos da segurança da guarda, das torres, da área perimetral, da entrada e saída do Campo Norte, da escolta das caravanas, entre outras funções que estão relacionadas com a segurança”, disse o 1º Sgt Calderón.

A estadia no Sinai traz um desafio para os militares colombianos. Eles devem adaptar-se ao clima inóspito do deserto e enfrentar a complexidade da área que serve como campo de batalha de vários grupos extremistas, inclusive do Estado Islâmico. Durante a experiência de dez meses, os militares permanecem na base ou na área de patrulhamento, com exceção de duas semanas livres para visitar os lugares turísticos da região.

“É uma experiência que requer uma certa força; o confinamento é difícil, as condições climáticas são extremas, o trabalho é constante e o relacionamento com pessoas de outros países que não falam espanhol pode ser um desafio”, disse o 1º Sgt Calderón. “Mas é uma oportunidade que eu adoraria voltar a ter”.

Capacitação para a mobilização

Todos os anos, a Colômbia realiza duas mobilizações para cumprir a missão da MFO. Nesta ocasião, a mobilização N.º 111 contou com 11 oficiais, 21 suboficiais e 94 soldados do Exército, além de um oficial, um suboficial e cinco fuzileiros da Marinha.

A seleção do grupo é feita por um concurso que leva em conta o rendimento dos militares. “Ir ao Sinai é como um sonho difícil de alcançar, porque é necessário ter um comportamento impecável durante toda a carreira”, disse o Capitão do Exército Nacional da Colômbia Miguel Giraldo, que fez parte do Batalhão Colômbia na mobilização N.º 109. “Estou no Exército há 13 anos e só agora tive essa oportunidade”.

Os candidatos se submetem a vários exames físicos e psicológicos para determinar se estão aptos a participar da missão. Durante três meses, eles fazem cursos sobre o contexto regional, a história e estrutura da MFO, além de aulas de conhecimento sobre aeronaves, tanques e artefatos explosivos, entre outros.

“O treinamento é muito importante para nos adaptarmos às condições da região, conhecermos a história do Egito e de Israel e o controle adequado de possíveis situações como membros da MFO”, explicou o Cap Giraldo. “Mas o curso intensivo de inglês e o de formação sócio-humanista são muito importantes para facilitar o relacionamento com pessoas de outros países.”

As operações de manutenção da paz constituem uma experiência fundamental para a Colômbia. “São 35 anos de presença do Batalhão Colômbia na Península do Sinai, valorizando o nome da Colômbia no exterior”, concluiu o General-de-Brigada Ricardo Gómez Nieto, segundo comandante do Exército Nacional da Colômbia. “É uma experiência que nos enriquece e nos enche de satisfação.”

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