Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Colômbia se solidariza com o Haiti

O navio ‘ARC 7 de Agosto’ da Marinha Nacional da Colômbia une-se aos esforços internacionais de ajuda humanitária às vítimas do furacão Matthew no Haiti.
Geraldine Cook/Diálogo | 12 outubro 2016

O Almirante Leonardo Santamaría Gaitán, comandante da Marinha da Colômbia, falou com a Diálogo sobre a solidariedade colombiana para o país irmão, o Haiti. (Foto: Marinha da Colômbia)

O navio ARC 7 de Agosto chegou ao Haiti no dia 11 de outubro, após navegar 660 milhas náuticas durante 50 horas, saindo de Cartagena, na Colômbia. O navio desenhado para realizar operações de patrulha, controle de tráfego marítimo, busca e resgate, operações de paz e controle do meio ambiente, conta com um helicóptero, equipe de resgate e ajuda humanitária.

O Almirante de Esquadra Leonardo Santamaría Gaitán, comandante da Marinha da Colômbia, conversou com a Diálogo no dia 11 de outubro sobre a solidariedade da Colômbia com o Haiti. O Alte Esq Santamaría informou que o navio saiu para Porto Princípe com 56 tripulantes, oito médicos, 21 homens da Unidade de Busca e Resgate Terrestre da Marinha Nacional e seis integrantes da tripulação do helicóptero.

Diálogo: Qual o tipo de ajuda que o navio ‘ARC 7 de Agosto’ das Forças Armadas da Colômbia levou para o Haiti?

Almirante de Esquadra Leonardo Santamaría Gaitán, comandante da Marinha Nacional da Colômbia: Basicamente, é o primeiro apoio que estamos dando. O navio chegou esta manhã em Porto Príncipe, no Haiti. Há um apoio de vinte e duas toneladas de alimentos e artigos de higiene, que são artigos de primeira necessidade em nosso país irmão, o Haiti.

Paralelamente, está a capacidade do navio. Enviamos um pelotão de assistência humanitária de busca, com toda a sua competência. Também temos a bordo do navio um helicóptero com capacidade de busca e resgate, com todos os equipamentos necessários para esse fim. Da mesma forma, temos uma lancha interceptora para a assistência requerida neste momento.

O navio também tem a capacidade de 40.000 galões de água e a de uma usina de dessalinização de bordo, que tem uma produção de 1,5 toneladas de água por dia. Estão sendo feitas as coordenações pertinentes com as autoridades haitianas. Neste momento, estamos começando a descarregar a parte de ajuda humanitária com o nosso pessoal disponível para assistência e a parte médica também.

Diálogo: ¿Por que é importante essa ajuda da Colômbia ao Haiti?

Alte Esq Santamaría: Basicamente esta é uma situação da qual nenhum país desta área do Caribe está exento. Em algum momento, as ilhas San Andrés e Providência, que são ilhas colombianas, também tiveram a probabilidade de serem afetadas pelo furacão Matthew. Esta é a parte – na minha opinião – que é natural, normal nos países irmãos de podermos apoiar-nos nesses momentos de emergência, em frente a situações que afetam os nossos povos irmãos; é quase uma obrigação do nosso país dar assistência, poder acompanhar essas calamidades dos países irmãos.

Diálogo: Como se sente ao poder ajudar o povo haitiano?

Alte Esq Santamaría: Como comandante da Marinha e como pessoa, eu penso que é uma satisfação muito grande poder ver o comprometimento dos nossos marinheiros, o alistamento do navio em um tempo muito rápido, poder colocar à disposição todos os sistemas e as capacidades do navio — o componente aéreo, o componente dos botes de reação, o pelotão que levamos de assistência humanitária — em um curto espaço de tempo. É uma satisfação enorme poder mostrar a capacidade da nossa Marinha, que possamos integrar, de uma forma muito oportuna e rápida, uma força multinacional, de uma forma direta na coordenação binacional com um país irmão que necessita de ajuda.

Diálogo: Que mensagem você enviaria aos países da região e do mundo para que apoiem a população do Haiti neste momento?

Alte Esq Santamaría: É um pedido para que todos nos unamos nessa cooperação, que nos integremos nesta situação de apoio de forma coordenada, que verifiquemos quais são as necessidades urgentes e como podemos organizar-nos de uma forma mais eficaz para poder satisfazer da melhor forma as necessidades e as calamidades pelas quais está atravessando este povo irmão.

Diálogo: Como tem evoluído o papel das Forças Armadas da Colômbia em sua resposta nacional e internacional com relação a desastres naturais e ajuda humanitária?

Alte Esq Santamaría: Este é um papel que sempre existiu e que de alguma forma se potencializou muito mais nos últimos anos. O rol internacional de assistência humanitária, de participação em operações multinacionais na luta contra o crime transnacional e na assistência humanitária tem melhorado muito. Temos recebido o apoio do governo dos Estados Unidos para a capacitação dos nossos homens, a participação na operação Atalanta para a luta contra o crime internacional de pirataria no Chifre da África; recebemos o apoio de países irmãos, como a Espanha, que nos permite mostrar que de alguma forma já somos uma Marinha muito mais experiente, que pode se integrar perfeitamente e adaptar a estas forças multinacionais, o que nos permite, evidentemente, ser muito mais eficazes no apoio a este tipo de assistência humanitária.

Diálogo: Qual é o desafio da Marinha Nacional que você considera mais importante com relação à ajuda humanitária que oferece a outros países?

Alte Esq Santamaría: É o desafio que nós enfrentamos trabalhando este tema na importância de poder colaborar, de poder participar com os meios e os recursos que estejam disponíveis. Como podemos somar as capacidades dos diferentes países que podem unir-se com essas necessidades, onde, de uma forma organizada, em uma força-tarefa multinacional e como, de uma forma muito mais eficaz, podemos somar – como eu sempre digo – as pobrezas, as diferentes possibilidades, capacidades ou recursos dos diferentes países para sermos mais eficientes e possamos oferecer de uma forma otimizada a ajuda, a assistência ou o apoio que podemos dar a esses países. É com isso que estamos comprometidos. A Marinha Nacional está trabalhando para seguir capacitando o seu pessoal e continuar unindo-se a este tipo de operações que mostram, de alguma forma, a evolução que o nosso país tem tido neste tipo de participação.

Diálogo: Quais são as lições que a Colômbia aprendeu ao lidar com desastres naturais e seus esforços de ajuda humanitária?

Alte Esq Santamaría: Um dos pontos fundamentais é a necessidade de estarmos organizados; é a necessidade de termos um planejamento adequado, pois não é só levar apoio sem saber o que realmente se necessita. É essencial que haja uma coordenação muito clara para ver o que realmente está necessitando a pessoa ou o país que precisa de ajuda, qual é o apoio real que permita de alguma forma enviar esses meios com essas capacidades reais e não terminar sendo, de certa forma, uma distorção do apoio que se queria dar.

Diálogo: Qual é a sua mensagem para os cidadãos do Haiti?

Alte Esq Santamaría: Nos corresponde a solidariedade de todos os povos irmãos para poder estender a mão. Estamos aqui para contribuir no que estiver ao nosso alcance, para apoiá-los e de alguma maneira levantar-nos e seguir nesta jornada da vida.

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Atualização sobre a ajuda humanitária das Forças Armadas dos EUA para o Haiti:

- Desde o dia de 12 de outubro, helicópteros da Força-Tarefa Conjunta Matthew entregaram mais de 120 toneladas de mantimentos (ajuda e suprimentos) em áreas devastadas pelo furacão Matthew.

- Mais de 400 membros da Força-Tarefa e 12 helicópteros estão atuando no Haiti.

- O navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima (LHD 7) está programado para chegar ao Haiti hoje. O Iwo Jima traz mais de 500 Fuzileiros Navais da 24ª Unidade Naval Expedicionária, aeronaves - incluindo quatro Ospreys MV22 - e 225 paletes de suprimentos para apoiar os esforços de socorro. O navio Mesa Verde irá transferir suas aeronaves, equipamentos e pessoal exclusivamente voltados aos esforços de socorro no Haiti para o Iwo Jima.

- Uma vez iniciadas as operações do Iwo Jima, o Mesa Verde partirá para oferecer suporte a outros compromissos operacionais. O Iwo Jima é um dos maiores navios anfíbios no mundo e traz mais capacidades para a Força-Tarefa.


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