Colômbia incentiva profissionalização de suboficiais de operações especiais

A capacidade dos suboficiais se eleva com programas de instrução na aula e no campo.
Yolima Dussán/Diálogo | 23 abril 2019

Capacitação e Desenvolvimento

O primeiro Curso de Desenvolvimento Profissional para Suboficiais das Forças Especiais nos níveis básico e avançado terminou no dia 3 de abril de 2019, no Forte Militar de Tolemaida, Colômbia. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

O primeiro Curso de Desenvolvimento Profissional para Suboficiais das Forças Especiais foi realizado entre os dias 4 de março e 3 de abril de 2019, no Forte Militar de Tolemaida, Colômbia. O Comando Conjunto de Operações Especiais (CCOES) da Colômbia coordenou os cursos básico e avançado, sob o patrocínio do Comando de Operações Especiais, Sul (SOCSOUTH, em inglês) dos Estados Unidos. Três instrutores da Escola de Suboficiais da Universidade de Operações Especiais Conjuntas do Comando de Operações Especiais dos EUA (SOCOM, em inglês), contribuíram.

“Essa reunião foi estabelecida há um ano [2018], quando projetamos em conjunto a malha curricular das necessidades dos suboficiais”, disse à Diálogo o Subtenente reformado do Comando de Forças Especiais do Exército dos EUA Amil Álvarez, instrutor do curso. “Essa iniciativa foi respaldada pela determinação da Colômbia, o que demonstra o seu interesse em incentivar a educação.”

Comando tipo missão

Um total de 45 suboficiais colombianos de todas as patentes e armas formaram os dois cursos. “Hoje o Exército abre espaço ao comando tipo missão, capacidade que os líderes transmitem aos subordinados para que eles possam exercer disciplina e tomar decisões”, disse à Diálogo o Primeiro-Sargento do Exército Nacional da Colômbia Juan Carlos Hernández Daza, do Grupamento de Forças Especiais Antiterroristas Urbanas, aluno destacado do curso básico. “O Exército dos Estados Unidos desenvolve essa doutrina e tivemos a oportunidade de receber informações vitais.”

A iniciativa acadêmica prevê o treinamento dos alunos para se tornarem instrutores. O SOCSOUTH disponibiliza os especialistas durante os primeiros dois anos do curso. Depois o CCOES passa a ser o encarregado com seus próprios instrutores.

“O desafio é aprofundar-se nas informações obtidas. Abordamos temas que nos treinam para entender e atuar melhor”, comentou o Primeiro-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais da Colômbia Juan Alexander Espitia, um dos três suboficiais da primeira promoção com acesso aos dois níveis. “Aprofundar o pensamento crítico nos tornará melhores suboficiais.”

Transmissão de experiências

Os instrutores americanos são especialistas nos cursos de capacitação de liderança, entre outros. “A isso se soma o seu conhecimento sobre a Colômbia”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel do Exército da Colômbia Jorge Andrés Henao García, comandante da Escola de Forças Especiais e responsável por esse novo processo de educação. “Assumimos o desafio de elevar o nível dos nossos suboficiais ao patamar universitário, um processo que não teria sido possível sem a colaboração do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), mas que devemos mantê-lo de maneira contínua e estendê-lo a todos os suboficiais das forças especiais do nosso Exército, da nossa Marinha e da nossa Força Aérea.”

Antes do exame final, os alunos do nível básico receberam instruções para planejar uma missão fictícia nas regiões não controladas entre a Colômbia e o Equador. O plano implicou localizar as zonas, estabelecer contatos com o Equador, identificar as quadrilhas criminosas, analisar as condições da população, determinar a operação econômica e militar e analisar as ameaças e suas origens, entre outras tarefas.

Os comandantes das Forças Especiais da Colômbia selecionaram um grupo de suboficiais que se destacam por suas condições de liderança, compromisso e desempenho, para fazerem o primeiro curso de desenvolvimento profissional. (Foto: Yolima Dussán, Diálogo).

“O resultado foi um documento do qual me orgulho”, declarou o Subtenente de Comando reformado das Forças Especiais do Exército dos EUA Francisco Meléndez, instrutor do curso. “Eu não esperava tanto enfoque na situação.”

“Esse curso é a transição do modo tático ao operacional, para desenvolver os planejamentos para a execução das operações especiais”, disse à Diálogo o Segundo-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais da Colômbia Devis Díaz Vanegas, analista de terreno para o desenvolvimento de operações especiais. “A metodologia me ajuda a pensar de maneira estratégica para entender as intenções do comandante e transmitir a mensagem corretamente aos subalternos.”

Malha curricular integral

O Segundo-Sargento da Força Aérea Colombiana Manuel Molina Garzón, participante do curso, declarou à Diálogo que dois temas lhe despertaram a atenção: o aconselhamento militar e a análise operacional. “Com o primeiro, o suboficial [aprende a] assumir o aconselhamento do seu pessoal; com o tema operacional, nós analisamos a informação para entender o processo que deve levar a operações especiais bem-sucedidas.”

Depois de abordar os modelos de pensamento e as condições de liderança, o curso avança com informações sobre estratégia, planejamento e operações. As aulas enfatizam: doutrina; operações; táticas, técnicas, procedimentos e tarefas; a tomada de decisões militares e condução de tropas, entre outros. Complementam o curso os processos de comunicações efetivas e o aconselhamento militar.

“Damos muitas informações intercaladas com objetivos diários. Usamos o aprendizado das experiências das suas próprias vivências”, explicou à Diálogo o Subtenente de Comando reformado do Exército das Forças Especiais dos EUA Orlando Ramón, instrutor do curso. “Faço uma conexão das aulas de contrainsurgência com a realidade colombiana; isso torna a instrução mais fácil.”

“[O curso] é voltado para as futuras gerações, para os terceiros-sargentos e segundos-sargentos que iniciam a sua carreira, como também para os que estão na metade do caminho”, disse à Diálogo o Subtenente do Exército Colombiano Rigoberto Carvajal Mahecha, do CCOES. “Somos militares com formação tática excepcional, mas reconheço que esse curso tem outro nível intelectual. Temos o compromisso de ser os multiplicadores desses conhecimentos.”

Os três instrutores concordam que a mudança não ocorrerá da noite para o dia, embora tampouco seja difícil. Os níveis de educação, disciplina, motivação e análise dos alunos colombianos estão presentes; só falta treiná-los.

“A prática não faz a perfeição, mas a prática aperfeiçoa”, finalizou o S Ten Álvarez. Agora, os suboficiais terão a oportunidade de pôr em prática o que aprenderam e os ensinamentos recebidos serão incorporados ao dia a dia das suas decisões e ações. O desafio que enfrentarão será transmitir os conhecimentos aos seus pares e praticar a comunicação vertical até chegar à perfeição.

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