Colômbia neutraliza a criminoso procurado

As Forças Armadas da Colômbia neutralizaram o criminoso conhecido como Guacho em uma operação combinada e interagências em Tumaco.
Yolima Dussán/Diálogo | 10 janeiro 2019

Ameaças Transnacionais

Familiares de Óscar Villacís e Katty Velasco, sequestrados em março e assassinados no dia 11 de abril de 2018 pelo indivíduo conhecido como Guacho, em Nariño, Colômbia, repatriam os corpos das vítimas para o Equador. (Foto: Daniel Ospina, AFP)

No dia 21 de dezembro de 2018, as Forças Armadas da Colômbia neutralizaram o criminoso Walter Patricio Arízala, conhecido como Guacho, líder do GAO residual da Frente Oliver Sinisterra, considerado o maior terrorista e narcotraficante da região e suposto responsável pelos atentados terroristas em janeiro de 2018 e pelo sequestro e assassinato de três jornalistas equatorianos na fronteira entre Equador e Colômbia, em abril de 2018. Para evitar a reorganização dos criminosos que são seus seguidores, as Forças Armadas da Colômbia incrementaram as operações e os controles no sul do território.

“Essa foi uma das providências que tivemos que tomar na região. Sabemos que por trás do negócio do narcotráfico há muitas pessoas”, disse o General de Exército Ricardo Jiménez Mejía, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Militares da Colômbia. “Com esse resultado, a situação mudará de forma positiva em Nariño.”

O Gen Ex Jiménez destacou a ação conjunta das forças do país como um dos aspectos mais importantes do golpe contra a criminalidade. “As pessoas que não se submeterem à justiça serão capturadas ou neutralizadas em operações militares”, garantiu.

Morte, terrorismo e narcotráfico

Guacho entrou para a Frente 29 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2007. Em seguida, ele se transformou no cabeça das finanças da coluna móvel das FARC Daniel Aldana, passando mais tarde a ser seu líder. No início de 2017, ele abandonou as negociações de paz entre as FARC e o governo para criar sua própria estrutura armada, conhecida como Guerrilhas Unidas do Pacífico e/ou Frente Oliver Sinisterra.

O assassinato dos jornalistas equatorianos sequestrados fez com que o governo do Equador aumentasse a recompensa de US$ 100.000 a US$ 230.000 pela informação que levasse à captura do criminoso. A Colômbia e o Equador trabalharam lado a lado sem trégua até encontrar Guacho. Nações parceiras como os Estados Unidos, através do seu Programa de Recompensas, também apoiaram o esforço.

Operação David

Soldados colombianos patrulham uma área rural perto do município de Tumaco, no estado colombiano de Nariño, perto da fronteira com o Equador, em 18 de abril de 2018, depois que o indivíduo conhecido como Guacho assassinou três jornalistas equatorianos na região. (Foto: Juan Restrepo, AFP)

“Podemos confirmar que o indivíduo conhecido como Guacho caiu em uma operação conjunta do Exército, da Polícia e da Promotoria Geral da Nação”, informou o presidente da Colômbia Iván Duque. “A Colômbia merece que aqueles que estão verdadeiramente em processo de reincorporação o façam com sucesso, mas os que pretendem continuar com a violência receberão a contundência dissuasiva, ofensiva e sancionatória do Estado”, ele acrescentou.

Com a Operação David, tropas do Comando Conjunto de Operações Especiais chegaram à localidade de Azúcar-Piedra Fina de Tumaco, onde Guacho estava escondido. Um de seus homens de confiança, conhecido como Pitufin, também foi neutralizado.

Assim terminou uma operação de precisão, na qual foram empregadas várias técnicas de investigação, através das quais mais de 120 linhas telefônicas foram interceptadas. A informação permitiu detectar e controlar 16 regiões frequentadas pelo criminoso.

“A entrada dos nossos militares e policiais na região, em silêncio e camuflados, permitiu que nos aproximássemos do criminoso, que nos confrontou”, disse à imprensa o General de Exército Óscar Atehortúa, diretor da Polícia Nacional. “Não podemos dizer que a ordem pública esteja totalmente restabelecida na região, porém avançamos muito nas condições de segurança.”

Líder encurralado

Desde março de 2018, quando as ações conjuntas e interagências se intensificaram contra o criminoso, suas comunicações com os subalternos facilitaram a localização e a destruição de laboratórios de fabricação de drogas, o que afetou suas finanças e o obrigou a entrar em contato com outras organizações e pessoas que não pertenciam ao seu círculo. Ele rompeu seus protocolos de segurança e começou a utilizar canais não seguros.

“Nós fomos fechando o cerco ao criminoso, encurralando-o. Essa é uma mensagem para todos os indivíduos fora da lei, para que se submetam à justiça e se entreguem aos programas de reintegração”, disse à imprensa o General de Exército Nicasio de Jesús Martínez, comandante do Exército Nacional da Colômbia. “Ficou provado que o trabalho em equipe da força pública e das agências do Estado traz grandes resultados.”

O ministro da Defesa da Colômbia Guillermo Botero destacou a importância de trabalhar para a segurança da zona de fronteira e das relações com o Equador e confirmou a realização de intervenções permanentes na região. “Sabemos que não podemos dar trégua e que a região de Tumaco está ameaçada com a presença de outros líderes e criminosos. Detectamos os prováveis sucessores de Guacho. As operações combinadas das nossas forças não se detêm. Esses criminosos cairão.”

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