Colômbia neutraliza líderes de dissidências das FARC

O indivíduo conhecido como Pija era procurado pela Interpol e responderá por crimes como homicídio e sequestro, entre outros.
Myriam Ortega/Diálogo | 7 agosto 2018

Ameaças Transnacionais

O indivíduo conhecido como Pija, neutralizado no dia 7 de junho, era o líder do GAO residual das FARC que praticava crimes no estado de Cauca e começava a criar outro grupo no estado de Arauca. (Foto: Gabinete de Imprensa da Oitava Divisão, Exército Nacional da Colômbia)

Reinel Natalio García Mojica, vulgo Pija, líder do Grupo Armado Organizado (GAO) residual das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que praticava crimes nos estados de Cauca e Casanare, foi preso em 7 de junho de 2018. A ação resultou de uma operação entre o Grupo de Ação Unificada para a Libertação Pessoal Arauca, subordinado à Oitava Divisão do Exército Nacional e à Polícia Judicial Contra o Crime Organizado, da Promotoria Geral da Nação.

 “O que nos levou à captura do indivíduo foram quase seis meses de trabalho de inteligência realizado pelas tropas e pela inteligência militar”, disse à Diálogo o General-de-Brigada Álvaro Vicente Pérez Durán, comandante da Força-Tarefa Quirón. “O vulgo Pija mudava constantemente de residência; ele tinha elos de segurança que lhe forneciam inteligência para que não fosse localizado.”

 No início de junho foi enviado ao município de Tame, em Arauca, um dispositivo com militares que se posicionaram nas regiões próximas à sua casa. “Graças ao treinamento de nossos militares conseguimos nos infiltrar nesse elo externo que o protegia e pudemos realizar a captura”, explicou o Gen Bda Pérez. No local, as autoridades confiscaram material de guerra, munições e documentos valiosos para a inteligência militar, os quais foram postos à disposição da autoridade competente, informou o Exército da Colômbia em um comunicado.

 O indivíduo conhecido como Pija

O vulgo Pija era peça-chave para estender a presença do GAO residual das FARC ao estado de Casanare, sob a direção do indivíduo conhecido como Mordisco, que pratica crimes no estado de Arauca. (Foto: Gabinete de Imprensa da Oitava Divisão, Exército Nacional da Colômbia)

 O prontuário do vulgo Pija inclui inúmeros ataques contra a força pública, entre eles três atentados nos estados de Cauca e Santander, onde seis soldados foram assassinados e outros seis foram feridos. Além disso, ele é acusado pelo homicídio de três civis e de um policial, devido à explosão de um carro bomba em um posto de polícia no município de Villa Rica, em Cauca.

 O criminoso também deverá responder pelo ataque a uma base militar em Santana, Cauca, onde ele sequestrou um policial, matou um outro e deixou um terceiro ferido. O vulgo Pija tinha ordem de prisão na Interpol e deve ainda responder a crimes de recrutamento ilícito e fabricação, tráfico e porte de armas de fogo e explosivos de uso privativo das forças armadas, informou o Ministério da Defesa através de um comunicado à imprensa.

 Outras conquistas

“No decorrer do ano [de 2018] já existem 20 integrantes das dissidências [dados de baixas] durante as operações militares na região”, disse o Gen Bda Pérez. “Há alguns dias [no dia 13 de junho de 2018] foi realizada uma operação conjunta e interagências entre a Força Aérea da Colômbia, o Exército Nacional e a Promotoria Geral da Nação, na região do município de Fortul, no estado de Arauca, onde 18 integrantes das dissidências foram [neutralizados].” O grupo era procurado por vários atos terroristas, como o atentado contra uma enfermeira do Hospital de Saravena, em Arauca, o plano pistola contra a população civil e a força pública da região, além de atentados contra a infraestrutura petrolífera, informou o Comando Geral das Forças Militares em um comunicado.

 “Um trabalho vem sendo realizado no estado de Arauca com a Polícia Nacional, a Promotoria Geral da Nação, a Marinha, a Força Aérea Colombiana e o Exército Nacional, unindo todas as capacidades para combater todos os fatores de instabilidade na região”, garantiu o Gen Bda Pérez. O restante do país também já viu resultados. “Até hoje [13 de junho de 2018] já conseguimos neutralizar 479 membros residuais do GAO, o que significa praticamente um terço de sua força armada, tendo sido efetuadas 53 neutralizações durante operações militares, 312 capturas e 114 indivíduos foram levados à justiça”, declarou à imprensa o ministro da Defesa da Colômbia Luis Carlos Villegas.

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