Colômbia avança com mecanismos de informação e reação imediata

O Sistema Nacional de Reação Imediata para o Avanço da Estabilização foi ativado em janeiro, para conhecer as preocupações e percepções da comunidade sobre segurança.
Marian Romero / Diálogo | 9 junho 2017

Resposta Rápida

O General-de-Brigada Juan Pablo Amaya, inspetor geral das Forças Militares da Colômbia, participa de uma reunião do SIRIE no Chocó. (Foto: Comando Geral das Forças Militares da Colômbia)

Em janeiro, as Forças Armadas da Colômbia lançaram o Sistema Nacional de Reação Imediata para o Avanço da Estabilização (SIRIE), como ferramenta de monitoramento de instabilidade no país. O sistema funciona em todo o território nacional com o objetivo de monitorar, verificar e analisar os fatores de instabilidade na segurança das regiões, para adotar medidas oportunas que contribuam para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

“O SIRIE foi criado como uma ferramenta para estabelecer pontes de comunicação diretas com a população civil, os líderes das comunidades, as reservas indígenas e outras organizações. Eles podem fornecer informações valiosas sobre supostos fatores de instabilidade”, disse o General-de-Brigada Juan Pablo Amaya, inspetor geral das Forças Militares da Colômbia.

A Colômbia atravessa um período de transformação muito importante. O fim do conflito armado e a implementação dos acordos estabelecidos em Havana geraram mudanças rápidas, que são novas para todos no país. “A velocidade dessas transformações exige adaptações eficientes do ponto de vista institucional para enfrentar as ameaças permanentes, as ameaças emergentes e para garantir que os acordos inscritos entre o governo nacional e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia sejam totalmente cumpridos”, disse o Gen Brig Amaya. “Com o SIRIE, procuramos ter uma imagem mais completa e restabelecer a confiança da população por meio de soluções eficientes”, acrescentou.

Centro de comando

O sistema tem um centro nacional de ligações telefônicas, que pode ser usado por qualquer cidadão para informar imediatamente qualquer evento irregular que afete sua segurança ou tranquilidade. Ele conta com 13 equipes de verificação para cobrir todo o país.

Cada questão é conduzida pelo comando geral, que verifica a ligação estrategicamente e articula a inspeção do Exército, da Marinha, da Força Aérea, da Polícia e da Procuradoria. Além disso, o Comando Estratégico de Transição é responsável por garantir as Zonas Comunitárias Rurais Transitórias de Regulação. Todos esses organismos têm um conjunto de informações muito valioso. Cada um contribui com a solução do problema segundo sua especialidade.

“Quando uma ligação é recebida, confirma-se a veracidade das informações com instituições estatais e com cidadãos que possam fornecer dados pertinentes ao caso. Quando é possível, há um deslocamento militar para o local dos fatos, para verificar a situação e obter um panorama completo” disse à Diálogo o Coronel Daniel Ricardo Morales, inspetor delegado do Comando Geral da Sétima Divisão do Exército. “Posteriormente, faz-se uma análise no comando central e determina-se a estratégia mais eficiente para solucionar o problema. Desde que se recebe a ligação até a determinação de uma solução, há um período máximo de 24 horas”, acrescentou.

O SIRIE permite que os cidadãos possam comunicar facilmente suas preocupações e medos, além de receber soluções imediatas para os problemas. (Foto: Comando Geral das Forças Militares da Colômbia)

A rede de informações do SIRIE é muito ampla. Recebe dados da Missão de Apoio ao Processo de Paz da Organização dos Estados Americanos, da Organização das Nações Unidas, de organizações não governamentais, de instituições do Estado e da comunidade em geral. Todos esses elementos impedem que o SIRIE seja vulnerável a possíveis desinformações.

Reação imediata no Chocó

O departamento pacífico do Chocó faz fronteira com o Panamá ao norte, onde está o Tapón del Darién, uma área florestal que funciona como uma barreira natural. A cordilheira ocidental dos Andes faz fronteira a oeste. Estas condições geográficas fizeram com que o Chocó se tornasse uma região propícia para a atuação de grupos armados organizados ao longo da história.

Em março, houve deslocamentos no município de Alto Baudó, no Chocó, por combates entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Autodefesas Gaitanistas da Colômbia. Por causa dos combates, 500 pessoas deslocaram-se para a capital do distrito. Para ter uma visão completa do problema, o Gen Brig Amaya foi até Chocó com uma equipe especial e reuniu-se de forma independente com as autoridades militares, policiais e civis do setor.

“A partir de todas essas conversas, obtivemos uma visão realmente completa da situação. Assim, foi possível formular uma análise rápida que se ajustasse às circunstâncias. É claro que não se trata de uma investigação profunda, mas sim de respostas rápidas a um momento de crise”, contou o Gen Brig Amaya.

“Neste caso, ordenou-se aumentar a operação, mover unidades fluviais da Força Naval do Pacífico para o rio, conter as rotas do narcotráfico com operações militares, garantir a segurança da população e iniciar uma jornada de apoio ao desenvolvimento para a população. Tudo isto no mesmo dia”, disse o Cel Morales.

A ação rápida das forças castrenses e o fortalecimento da presença militar possibilitou a liberação de oito sequestrados pelo ELN, o retorno da população às suas casas e o restabelecimento da segurança na região. O Gen Brig Amaya afirmou que o caso de Alto Baudó é paradigmático, porque é uma região onde a confiança em relação as Forças Armadas tem sido historicamente baixa, devido à influência dos grupos armados organizados.

“Chegar até essa região significa uma mudança; significa quebrar paradigmas em uma população que está prevenida diante das forças legítimas do Estado. Mas quando as pessoas veem que há soluções rápidas, elas começam a confiar novamente na lei. O SIRIE é o começo desse retorno da confiança”, concluiu o Gen Brig Amaya.

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