Colômbia lança operação para fechar rotas do narcotráfico

Os confrontos com grupos armados nas áreas rurais do Pacífico colombiano motivaram a criação da Operação Armadura.
Myriam Ortega/Diálogo | 1 outubro 2018

Ameaças Transnacionais

A Operação Armadura levou à prisão do indivíduo conhecido como Ernesto, líder do Clã do Golfo, que controlava as ações do grupo no Pacífico colombiano. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Com o objetivo de fechar as rotas do narcotráfico disputadas pelos Grupos Armados Organizados (GAO) no Pacífico colombiano, a Marinha Nacional da Colômbia lançou a Operação Armadura. A estratégia, que começou em meados de agosto de 2018, busca aumentar a presença da Marinha no estado de Chocó, na fronteira com o Panamá.

Um grupo de 350 unidades da Força Naval do Pacífico – formado por membros dos Batalhões de Fuzileiros Navais Nº 21 e 23, da Brigada de Fuzileiros Navais Nº 2 e da Estação da Guarda Costeira de Bahía Solano –, bem como tropas do Grupo de Ação Unificada pela Liberdade Pessoal (GAULA) da Marinha, se deslocaram até o município de Juradó, na costa pacífica de Chocó. Além disso, a Marinha mobilizou três navios da Força Naval do Caribe e recebe o apoio aéreo do Grupo Aeronaval do Pacífico.

“A fronteira [com o Panamá] é uma região estratégica muito importante para o apoio logístico de qualquer estrutura ilegal”, disse à Diálogo o Vice-Almirante da Marinha da Colômbia Orlando Romero Reyes, comandante da Força Naval do Pacífico. “É utilizada para a compra de armamentos, a saída de drogas e a obtenção de víveres e, sobretudo, é uma zona de difícil acesso para a permanência das unidades da Marinha Nacional ou das Forças Militares.”

Impacto na comunidade

A luta pelo controle territorial entre os vários GAO na costa de Chocó e na selva densa do Darién, na fronteira com o Panamá, afetou as comunidades indígenas e afrodescendentes da região. Os confrontos armados dos GAO, que querem assumir o controle dos corredores estratégicos anteriormente controlados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, se intensificaram a partir de julho e deixaram como consequência vários moradores feridos e a morte de um menor de idade.

Segundo um relatório do Gabinete da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, publicado no dia 1º de setembro, 12 comunidades indígenas e afrocolombianas dos municípios de Bahía Solano e Juradó, no estado de Chocó, foram afetadas pelos confrontos. As famílias estão confinadas, com restrições à mobilidade e ao acesso a bens e serviços, ou alojadas em albergues provisórios, informa o relatório.

No início de agosto, as autoridades realizaram conselhos de segurança nos municípios de Juradó, Bahía Solano e Nuquí, onde as comunidades denunciaram os fatos. As reuniões resultaram no aumento das forças para garantir a segurança dos habitantes locais.

“Isto nos motivou a criar novas iniciativas, fazer algumas mudanças e redobrar os esforços”, disse o V Alte Romero. “Foi quando tomamos a decisão de lançar a Operação Armadura.” 

A Operação Armadura tem como objetivo fechar as rotas do narcotráfico para os grupos armados, com o confisco de seus equipamentos, como essa moto aquática utilizada pelo Clã do Golfo para praticar atos ilícitos. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Aumento da força militar

Para pôr o plano em prática, o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha treinou os militares para manter presença permanente em Bahía Solano e Juradó e designou umas 60 unidades adicionais à Brigada de Fuzileiros Navais Nº 2. Também foram reativados postos de comando unificado da Marinha em Bahía Solano, Nuquí e Juradó, para desenvolver e comandar as operações.

“Temos iniciativas armadas e não armadas; armadas como o aumento significativo da base da força para cobrir a população”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata (FN) José Amaya Barrera, comandante do Batalhão de Fuzileiros Navais Nº 23, com sede em Bahía Solano. “Fazemos um acompanhamento em unidades terrestres e marítimas, tanto de apoio logístico, como unidades de guarda costeira que fazem seus patrulhamentos marítimos; há também um acompanhamento aos pescadores e às embarcações de cabotagem que abastecem as comunidades e os municípios da nossa área de responsabilidade.”

Membros do GAULA de Buenaventura, no estado de Valle del Cauca, na costa do Pacífico, apoiam a operação respondendo às denúncias de extorsão apresentadas nas zonas de conflito. “Há uma unidade especializada em crimes de sequestro e extorsão, o GAULA, que realiza operações contra esses flagelos, como o tráfico de pessoas, e realiza atividades de prevenção com todos os nossos comerciantes no âmbito da campanha Eu [não pago, eu] denuncio”, explicou o CF Amaya.

Resultados positivos

A operação começou dando um duro golpe contra as estruturas do Clã do Golfo, com a neutralização de dois líderes. No dia 24 de agosto, as autoridades anunciaram a prisão de dois indivíduos: um conhecido como Ernesto, que controlava todas as ações do grupo no Pacífico, e outro como Platino, que comandava a operação do narcotráfico.

“Durante a última reunião de acompanhamento realizada [no dia 11 de setembro], analisamos especificamente a questão do município de Juradó e o defensor público e o procurador-geral de Chocó reconheceram os progressos em termos de segurança”, declarou o CF Amaya. “Estivemos presentes durante a noite, durante a madrugada, com ações preventivas nos embarcadouros e com o controle nas pistas de pouso, para que os mesmos só sejam utilizados para a prática de atividades lícitas.”

Além das duas capturas, a operação possibilitou o confisco de 1.454 quilos de cloridrato de cocaína e 223 kg de maconha. Equipamentos de logística, víveres e combustíveis de lanchas que os GAO utilizavam em suas ações ilegais também foram apreendidos.

“O importante é que a Operação Armadura se agregará à estratégia internacional [...] para evitar que a droga chegue ao México e à América Central”, concluiu o V Alte Romero. “Fizemos um acordo com os Estados Unidos, o México, a Guatemala, o Panamá, o Equador e a Costa Rica para fechar esse corredor marítimo.”

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