Colômbia intercepta semissubmersíveis tripulados

Com as últimas descobertas, a Colômbia totaliza 111 semissubmersíveis apreendidos desde 1993.
Myriam Ortega/Diálogo | 21 setembro 2018

Ameaças Transnacionais

No início de agosto de 2018, a Marinha Nacional da Colômbia conseguiu interceptar no Pacífico colombiano dois semissubmersíveis com falhas mecânicas e entrada de água. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Na primeira quinzena de agosto de 2018, a Marinha Nacional da Colômbia conseguiu localizar e interceptar dois semissubmersíveis tripulados, através de operações de interdição marítima no Pacífico colombiano. A descoberta ultrapassou duas toneladas de drogas com valor superior a US$ 66 milhões no mercado internacional.

Unidades da Força Naval do Pacífico da Marinha Nacional da Colômbia interceptaram o primeiro semissubmersível no dia 1º de agosto. As autoridades encontraram 38 pacotes com 748 quilos de cocaína e quatro tripulantes de nacionalidade colombiana a bordo de uma embarcação localizada perto da ilha Gorgona, a cerca de 35 quilômetros da costa do estado de Cauca.

Através de informações fornecidas pela inteligência da Marinha Nacional e com o apoio de um avião de reconhecimento Cessna Citation SR-560 Tracker da Força Aérea Colombiana, uma unidade de reação rápida da Força Naval do Pacífico chegou ao local. De acordo com a Marinha, o semissubmersível, que flutuava à deriva, havia sofrido falhas mecânicas durante sua navegação em direção à América Central.

“Os motores do semissubmersível estavam avariados, o que não lhe possibilitou manter a inércia”, disse à Diálogo o Contra-Almirante da Marinha Nacional da Colômbia Orlando Grisales, comandante da Força-Tarefa Contra o Narcotráfico Poseidón, da Força Naval do Pacífico. “Havia uma entrada de água no setor onde estão os controles e o comando. O porão se inundou pouco a pouco, a embarcação ganhou ainda mais peso e afundou.”

Interdição em alto mar

Duas semanas depois, unidades da Força Naval do Pacífico interceptaram um semissubmersível após operações de vigilância e controle marítimo em alto mar, a mais de 500 km a oeste da costa do estado de Valle del Cauca. As autoridades detiveram três tripulantes colombianos e apreenderam 1.722 kg de cloridrato de cocaína.

“No dia 15 de agosto chegou uma informação da inteligência sobre uma possível embarcação que navegava nas redondezas da ilha Malpelo”, disse à Diálogo o Capitão-de-Corveta da Marinha Nacional da Colômbia Carlos Andrés Torres Caraballo, supervisor de Operações da Força Naval do Pacífico. “A seguir, o navio [patrulheiro ARC 7 de Agosto] recebeu ordens para se deslocar à região geral de Malpelo para utilizar nossos elementos de última tecnologia.”

Com o uso de um radar de longo alcance e do veículo aéreo não tripulado ScanEagle, que sobrevoou a região, as unidades navais encontraram e interceptaram o semissubmersível. Ao realizar a inspeção da embarcação de construção artesanal com 12 metros de comprimento e 3 m de largura, as autoridades descobriram que havia falhas mecânicas nos motores e uma entrada de água. “Procede-se a abrir a embarcação, retirar os três indivíduos e conduzi-los ao navio para lhes prestar os primeiros socorros com o enfermeiro de bordo”, explicou o CC Torres.

No dia 1º de agosto, a Marinha Nacional da Colômbia interceptou um semissubmersível com quatro tripulantes e mais de 700 quilos de cocaína a bordo. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

A bordo da embarcação foram encontradas 60 embalagens que continham a droga. Quando os oficiais tentaram levar o semissubmersível até o Porto de Buenaventura, no estado de Valle del Cauca, ele naufragou.

Em ambas as operações, as drogas foram postas à disposição da Direção de Antinarcóticos da Polícia Nacional da Colômbia. Os cinco capturados responderão pelos crimes de tráfico e porte de entorpecentes, bem como de construção e uso de semissubmersível.

Duro golpe contra o narcotráfico

Até a presente data em 2018, a Marinha apreendeu 14 embarcações tipo semissubmersível no Pacífico colombiano, somando 111 semissubmersíveis encontrados em mais de 20 anos. A primeira embarcação foi encontrada em 1993 na ilha de Providencia, no Caribe colombiano. As apreensões representam um duro golpe contra as finanças das organizações narcotraficantes, já que elas investem mais de US$ 1 milhão na fabricação de um semissubmersível.

No decorrer do 2018, a Força Naval do Pacífico já apreendeu mais de 59 toneladas de cocaína avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Além disso, as operações enfraqueceram as estruturas logísticas das organizações criminosas transnacionais, com a captura de 115 pessoas ligadas ao narcotráfico.

O C Alte Grisales explicou que a apreensão de drogas transportadas por via marítima afeta as finanças das estruturas do narcotráfico de acordo com o local onde se encontram. “Um kg de cloridrato de cocaína ao longo da costa pode valer aproximadamente US$ 5.000. Na medida em que se afasta da costa e se aproxima do porto de destino, o preço sobe”, disse. “Seu valor na América Central pode ser de US$ 15.000 por kg, o que no mercado internacional pode chegar a US$ 33.000.”

Os narcossubmarinos foram evoluindo desde sua criação. Os navios rudimentares sem motores e puxados por botes de pesca da década de 1990 se transformaram em embarcações de autopropulsão e aerodinâmica com capacidade para navegar longas distâncias. Ainda que o número de apreensões para 2018 seja promissor, em comparação às quatro realizadas em 2017, a luta contra o transporte marítimo de drogas deve continuar, afirmou o C Alte Grisales.

“Os narcotraficantes não ficaram parados. Houve uma série de eventos em torno dessa tendência de tentar criar meios menos visíveis em alto mar”, concluiu o oficial. “Eles realizaram muitos testes, não apenas aqui na Colômbia, mas em todo o mundo.”

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