Colômbia realiza EXPODEFENSA 2017

A exposição militar apresentou tecnologia e equipamentos adaptados aos países do hemisfério ocidental.
Yolima Dussán/Diálogo | 15 dezembro 2017

Relações Internacionais

Em 2017, a participação dos Estados Unidos aumentou em 61 por cento em relação a 2015, ratificando sua posição como parceiro estratégico da Colômbia. O fabricante dos EUA General Dynamics Land Systems exibiu seus veículos de combate. (Foto: EXPODEFENSA 2017).

A EXPODEFENSA 2017, organizada pelo Ministério da Defesa da Colômbia entre 4 e 6 de dezembro, reuniu 269 participantes de 76 delegações oficiais de 30 nações parceiras, em 15.000 metros quadrados de exposições. A sexta edição do evento registrou um aumento de 20 por cento de visitantes.

Este ano, a EXPODEFENSA contou com 72 por cento de expositores internacionais e 28 por cento da Colômbia. Foram três dias de uma mostra com 269 expositores. (Foto: EXPODEFENSA 2017)

“A mudança do contexto político e militar do país com a chegada da paz levou o setor de defesa e segurança colombiana a desenvolver tecnologia com uma visão internacional”, disse o ministro da Defesa da Colômbia Luis Carlos Villegas, durante a inauguração. “[Queremos] acompanhar em suas missões de manutenção da paz organizações como as Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos, a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte.”

A feira é realizada a cada dois anos. Seu objetivo é responder às necessidades da América Latina e do Caribe quanto a temas de defesa e segurança relacionados à comunicação e aos sistemas de informação; à submontagem de veículos terrestres, aéreos e navais; aos armamentos e munições; e aos sistemas de detecção, localização e eliminação de explosivos.

Consulta internacional

A EXPODEFENSA 2017 contou com 72 por cento de expositores internacionais e 28 por cento da Colômbia. A feira foi visitada por 12.500 pessoas entre civis e militares. Na edição de 2017, os expositores das Américas incluíram a Argentina, o Brasil, Canadá, México, Panamá, Peru e os Estados Unidos, entre outros. Espanha, Bélgica e Reino Unido participaram pela primeira vez.

Oportunidade para unir esforços

“Precisamos aumentar o trabalho com a Colômbia. Temos necessidades comuns e tecnologias que devemos unir para desenvolver melhor nossos produtos de defesa”, expressou à Diálogo o Almirante-de-Esquadra da Marinha do Brasil Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil. “Somos povos muito parecidos. Temos grande tecnologia e desenvolvimento em foguetes e munições, bem como em simuladores.”

A França foi o país convidado em 2017. O Exército de Terra das Forças Armadas da França compartilhou as capacidades da Esquadra de Fuzileiros de Montanha, por meio da unidade do Batalhão nº 27 de Caçadores Alpinos. “Viemos compartilhar nossas capacidades como uma força moderna, bem equipada, bem preparada e polivalente”, disse à Diálogo a Major do Exército de Terra da França Laure Barbeau, diretora da delegação francesa.

Visão de futuro e oportunidades

Com 29 expositores, os Estados Unidos voltaram a ter a maior participação na EXPODEFENSA. “Nossa presença aumentou em 61 por cento em comparação com a feira de 2015”, indicou à Diálogo Tom Kallman, diretor da Kallman Worldwide Inc., empresa privada de defesa coordenadora da participação dos Estados Unidos. “O desafio de nossa cooperação é encontrar formas para que a Colômbia produza equipamentos a custos menores.”

Os Estados Unidos, com 29 expositores, reforçou acordos comerciais para que a Colômbia produza equipamentos a custos mais baixos. (Foto: Yolima Dussán, Diálogo)

“Acreditamos que é uma grande oportunidade para aprofundar o conhecimento dos dois países e para conhecer as necessidades de cada parte para iniciar projetos de cooperação tanto operacionais como industriais”, comentou com a Diálogo o Coronel do Exército de Terra da Espanha Juan Nardiz, do escritório de Apoio Exterior do Ministério da Defesa da Espanha. “Viemos com 10 empresas com as quais esperamos gerar projetos de cooperação internacional.”

Exibição colombiana

Com a expansão da indústria militar colombiana, o país busca se converter em um exportador de segurança e em um aliado na cooperação para enfrentar os desafios de segurança global. Para isso, o Ministério da Defesa, responsável pela EXPODEFENSA, lidera o Grupo Social e Empresarial do Setor de Defesa, composto por 18 empresas.

A CODALTEC, uma das empresas desse grupo, apresentou o que há dois anos era um projeto: “Trata-se de nossos sistemas de radares SINDER [Radar de Vigilância de Superfície], projetados para detectar veículos, pessoas e drones, com uma operação 24/7, capaz de funcionar em todo tipo de ambiente: chuva, névoa, neve e granizo, entre outros”, comentou à Diálogo o Coronel da Força Aérea da Colômbia Darío Fernando Rey, subgerente da CODALTEC. “O TADER, radar de controle de tráfego aéreo e controle de tiro, é o outro desenvolvimento já concluído.”

“Estamos interessados em conhecer as capacidades da indústria militar colombiana”, disse o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Javier Ramírez Guillen, comandante da Força Aérea do Peru. “Interessa-nos principalmente a manutenção de aeronaves. Essa é uma capacidade que compartilhamos. Queremos firmar um acordo com a Força Aérea da Colômbia para unir nossas capacidades.”

A Corporação da Indústria Aeronáutica da Colômbia apresentou o Atlante II, um avião tripulado remotamente, com 200 quilômetros de autonomia e capacidade de carga de até 150 quilos. A exibição colombiana, com 69 expositores, foi complementada pela Marinha Nacional da Colômbia, que apresentou o projeto da Rede Tática Naval “DATALIK” e o Sistema de Controle de Tiro “Barracuda”, desenvolvidos pelo Departamento de Armas e Eletrônica da Base Naval ARC Bolívar. A Força Aérea da Colômbia expôs o Sistema HORUS, que conecta todos os radares militares e civis.

Com 63 anos de história, o fabricante de defesa estatal Indústria Militar da Colômbia, Indumil, se prepara para entrar na fabricação de veículos especiais para o Exército Nacional da Colômbia. Trata-se de camionetes para todo o terreno, das quais pretendem produzir 60 veículos nos próximos dois anos. “Além disso, interessou muito a nossa pistola Cordova calibre 9x19 milímetros, um desenvolvimento nacional de muito sucesso”, expressou o General-de-Exército (R) do Exército Nacional da Colômbia Alejandro Naves, gerente da Indumil.

Missão cumprida

A agenda acadêmica do evento incluiu temas como transferência de tecnologia, ameaças de armas químicas e biológicas em aviação, espionagem cibernética, operações de paz e sistemas de proteção terrestre. Essas palestras são a base para o desenvolvimento da indústria de defesa e segurança na região.

“A EXPODEFENSA foi uma grande plataforma para a delegação do Reino Unido, pois lhe deu a oportunidade de fortalecer e criar negócios e interações com [diferentes] empresas”, expressou Adam Thomas, representante da Organização de Defesa e Segurança do Reino Unido. “As 25 delegações do Reino Unido conseguiram interações com 15 países.”

Depois de três dias de exposição, rodadas de negócios, contatos, formulação de acordos e avanços nos compromissos de cooperação entre nações parceiras, a Colômbia sente que cumpriu a missão. “Estamos muito satisfeitos com os resultados desta sexta edição. A EXPODEFENSA 2017 demonstrou ser uma feira madura que se converteu em eixo regional do setor na América Latina, América Central e no Caribe”, assegurou no encerramento do evento o General-de-Exército (R) José Javier Pérez Mejía, vice-ministro da Defesa para o Grupo Social e Empresarial da Defesa e Bem-Estar da Colômbia.

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