Colômbia confisca cocaína com sistemas de última tecnologia

Aviões não tripulados, radares e sensores da Marinha Nacional da Colômbia ampliam a cobertura e o monitoramento da costa do país.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 31 julho 2018

Ameaças Transnacionais

A Marinha Colombiana fecha o cerco às atividades ilegais do narcotráfico transnacional através do emprego de sensores, radares, câmaras e aviões não tripulados. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Militares da Força Naval do Pacífico da Marinha Nacional da Colômbia confiscaram cerca de 3 toneladas de cloridrato de cocaína pertencentes a diversas organizações criminosas que pretendiam transportar a droga para a América Central, entre maio e junho de 2018. Foi possível detectar essa modalidade de contrabando graças a radares e sistemas de detecção de última tecnologia, capazes de localizar alvos a longa distância.

“Temos sido eficientes na luta contra todas as estruturas do narcotráfico na região do Pacífico, através do emprego de sensores, aviões não tripulados e embarcações com unidades de guarda costeira”, disse à Diálogo o Capitão-de-Corveta da Marinha da Colômbia Juan Camilo Ocaña, comandante da Estação de Guarda Costeira de Tumaco, Nariño. “A tecnologia nos ajuda [no] controle do mar [e dos rios] da melhor maneira e a obter resultados excelentes.”

Drones, radares e sensores

A Marinha, a Força Aérea e a Promotoria Geral da Colômbia, graças a drones, radares e sensores, localizaram uma lancha modificada de baixo perfil que navegava na região do Parque Nacional Natural Sanquianga, no estado de Nariño, em junho de 2018. Após uma perseguição que durou quase uma hora, as autoridades interceptaram a embarcação do tipo semissubmersível que levava 2.039 quilos de cloridrato de cocaína e quatro tripulantes.

Elas também detectaram e interceptaram uma lancha de dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que viajava em alta velocidade com 932 kg de cloridrato de cocaína, partindo da região do rio Micay, em Cauca, em direção à América Central. Ao perceber a presença das autoridades, a tripulação da embarcação se dirigiu à margem e abandonou a lancha e o carregamento. 

As duas intervenções fizeram parte da Operação Atalanta, uma estratégia conjunta e interagências da Marinha, do Exército e da Polícia, realizada no dia 2 de maio de 2018, para reduzir as ações criminosas do narcotráfico e dos grupos ilegais, especialmente nos estados de Cauca e Valle del Cauca. A ofensiva armada também tem o objetivo de fortalecer o controle territorial e dar segurança aos habitantes dessa região.

“Capturas, confiscos de drogas e de armamentos são alguns dos resultados alcançados pela Operação Atalanta no decorrer de 2018”, comentou com Diálogo o Coronel Oswaldo Solano, comandante da Brigada de Fuzileiros Navais da Marinha Nº 2. “Destaca-se a captura [no dia 11 de maio] do indivíduo conhecido como Mordisco [Samuel Javier Yotengo Yafue], líder de dissidência das FARC, por quem era oferecida uma recompensa de US$ 7.000.” 

Militares da Força Naval do Pacífico da Marinha Nacional confiscaram quase 3 toneladas de cloridrato de cocaína no Pacífico colombiano. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

“Para o desenvolvimento das [intervenções] é essencial ter primeiro a informação completa no tempo oportuno. A tecnologia mais moderna nos fornece a localização das embarcações para o deslocamento das unidades marítimas e aéreas”, acrescentou o Cel Solano. “A inteligência naval, com todos os seus recursos técnicos, é essencial para o desenvolvimento das operações, bem como para o treinamento e para a experiência que nossas equipes recebem em um ambiente hostil, onde passamos de um ambiente fluvial a um marítimo e vice-versa.”

Probabilidades de interceptação

O governo colombiano procura consolidar a Marinha como uma marinha de guerra, com capacidade dissuasiva e uma estrutura logística que lhe permita a sustentabilidade das operações e a proteção de suas fronteiras. Para cumprir a missão, a Força Naval se dispõe a migrar para cenários operacionais mais eficientes a partir da aquisição, da criação e da implementação de novas tecnologias e da renovação de sua frota, informa o Plano Estratégico Naval 2015-2018 da instituição naval.

“As tecnologias são necessárias para combater o narcotráfico porque nos permitem ampliar a visão e a cobertura, como também monitorar a costa de dia e de noite”, declarou o CC Ocaña. “A probabilidade de interceptação de uma embarcação em alto mar, lancha a lancha, é de 20 por cento. Se somarmos um binômio operacional, navio mais lancha, passa a ser de 45 por cento. Ao integrarmos um meio aéreo, um navio e uma lancha, a probabilidade de apanhar a embarcação com a droga sobe para 85 por cento. Cada vez que acrescentamos um meio e uma tecnologia de ponta, reduzimos a possibilidade de sucesso do narcotráfico e aumentamos nossa probabilidade de acerto.”

“A interoperacionalidade de todas as instituições é outro grande recurso que nos permite concretizar a eficiência das operações conjuntas e interagências, fazendo sobretudo com que a informação flua de maneira mais simples para a realização das abordagens”, comentou o Cel Solano. “É um grande trunfo contar com a colaboração de todas as instituições, o que facilita o nosso trabalho.”

Uma nova modalidade

O narcotráfico continua a ser a principal ameaça para o país e para a região. “Temos visto mudanças de modalidades. Antes se transportava [apenas] cloridrato de cocaína. Hoje em dia, o narcotráfico também leva pasta base para ser refinada em outros países; isso é uma mudança”, comentou o CC Ocaña. “No entanto, a maior modalidade do crime do narcotráfico ainda parte em lanchas rápidas.” 

“Nem mesmo a marinha mais poderosa do mundo, a Marinha dos Estados Unidos, tem 100 por cento do controle do mar”, acrescentou o CC Ocaña. “É importante que os países estejam alinhados com a tecnologia para desenvolver o poder naval e combater o narcotráfico”, finalizou o Cel Solano.

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