Colômbia obtém resultados contra extorsão e sequestro

Os GAULA capturaram 358 pessoas em operações antissequestro e antiextorsão.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 1 junho 2018

Ameaças Transnacionais

Os oficiais GAULA do Exército da Colômbia estão capacitados nas melhores práticas para enfrentar os delitos contra a liberdade pessoal, como a extorsão e o sequestro. (Foto: GAULA, Comando Geral das Forças Militares da Colômbia)

Os Grupos de Ação Unificada pela Liberdade Pessoal (GAULA) do Exército Nacional da Colômbia obtiveram resultados sem precedentes no primeiro semestre de 2018. Em colaboração com a Polícia Nacional, os promotores designados para enfrentar os delitos contra a liberdade pessoal e os investigadores judiciais do Corpo Técnico de Investigações (CTI) realizaram operações conjuntas e interagências que resultaram na descoberta e captura de 287 extorsionários e 71 sequestradores, entre 1º de janeiro e 19 de abril de 2018, nos 32 estados do país.

“Graças à denúncia dos cidadãos, ao trabalho interinstitucional e em conjunto e à reação imediata dos oficiais dos GAULA do Exército, impediu-se o pagamento de US$ 1,3 milhão a quadrilhas dedicadas ao sequestro e à extorsão até o momento, em 2018. Essas ameaças e delitos já não provêm de grandes organizações ou de estruturas armadas, mas sim, de delinquentes comuns”, informou à Diálogo o Coronel do Exército Samuel Salinas Valencia, comandante dos GAULA Militares. “Reduziu-se o delito de forma ostensiva em relação ao ano passado [2017]; a redução foi de mais de 76 por cento.”

Entre 2014 e 2018, as operações militares permitiram capturar 5.176 extorsionários e sequestradores. “Este é um grande feito das autoridades, da Promotoria e dos GAULA”, ressaltou o Cel Salinas. “As zonas mais afetadas onde ocorrem os sequestros são Arauca, Chocó, norte de Santander e Vale do Cauca, principalmente nas partes de fronteira. Os delitos de extorsão se concentram na região central do país [Antioquia, Medellín e Cundinamarca].”

Os GAULA, criados em 1996, são grupos de elite formados por membros das Forças Militares e da Polícia Nacional, qualificados para executar operações de resgate de sequestrados e de desmantelamento de quadrilhas criminosas. A Colômbia conta com 26 GAULA do Exército, quatro da Marinha Nacional, 20 da Polícia e dois grupos de elite das Forças Armadas para serem empregados em casos complexos.

Operação Aurora

As autoridades colombianas intensificaram as tarefas de segurança para erradicar os delitos contra a liberdade pessoal. De 3 a 7 de abril, foram destacados 1.000 integrantes dos GAULA, 80 investigadores do CTI e 20 promotores, para executar a Operação Aurora, ofensiva nacional contra as redes de delinquentes dedicadas à extorsão e ao sequestro, informou o Comando Geral das Forças Militares da Colômbia (CGFM) em um comunicado. Os militares capturaram 281 supostos extorsionários em 26 estados do país, vinculados a diferentes investigações.

As tropas dos GAULA das Forças Armadas da Colômbia prenderam 358 extorsionários e sequestradores entre janeiro e abril de 2018. (Foto: Comando Geral das Forças Militares da Colômbia)

Durante a operação, foram atingidas 38 quadrilhas criminosas. Entre as mais afetadas estão os grupos armados organizados Clã do Golfo e Los Puntilleros; as quadrilhas de delinquência comum Los del Chispero e Altavista, em Antioquia; La María e Los Ingeniero, no Vale do Cauca; Los Perturbadores, em Caldas; Los del Sur, em Magdalena Medio; e Los Brasilia, em Cundinamarca, assegurou o CGFM.

Componentes necessários

Os golpes contra as quadrilhas são o resultado de quatro componentes importantes: o ambiente interagências, a investigação criminal, a colaboração dos cidadãos, por meio de denúncias e informações na linha gratuita nacional 147, e a prevenção. “O segredo é a investigação criminal, que nos permite ter conhecimento do fenômeno e, assim, capturar todos esses bandidos”, manifestou o Cel Salinas. “A comunidade fica agradecida porque os índices de criminalidade diminuem imediatamente. A percepção de segurança aumenta e isso se reflete nas pessoas.”

Além de investir grande parte de seu tempo na coleta de dados para planejar as operações e dar resposta às frequentes denúncias realizadas pelos cidadãos, os GAULA disseminam informações a respeito de como se prevenir e enfrentar esses delitos. “Nosso pessoal distribui folhetos às pessoas com algumas estratégias, para evitar que elas sejam alvos dos delinquentes. Vamos de porta em porta. As pessoas nos conhecem, nos dão informações relacionadas a esses delitos nesses povoados ou locais específicos. Graças à prevenção é que obtemos os resultados”, destacou o Cel Salinas.

Treinamento de primeiro nível

“Os oficiais estão treinados e capacitados para desarticular quadrilhas completas que atentam contra a liberdade pessoal”, comentou com a Diálogo o 1º Tenente Camilo Andrés Coronado, integrante dos GAULA do Exército. “Operamos com obediência estrita às leis, aos regulamentos e aos direitos humanos. Além disso, temos todos os equipamentos e todas as competências para capturá-los e libertar os sequestrados.”

“As unidades de elite antissequestro do Exército estão em constante treinamento para melhorar o combate contra as quadrilhas de sequestradores. Nós nos especializamos no combate urbano e no combate rural, no manuseio de armamentos com ênfase em armas curtas e não letais, na prevenção e em procedimentos judiciais. No restante do ano [de 2018], 28 oficiais GAULA serão treinados em cursos de análise de inteligência e em operações transnacionais e de assistência médica nos Estados Unidos”, finalizou o 1º Ten Coronado.

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