Colômbia mostra suas capacidades no Red Flag 2018

A Força Aérea dos EUA recebe a Colômbia pela segunda vez para participar do exercício de combate aéreo mais importante do mundo.
Myriam Ortega/Diálogo | 24 agosto 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Os participantes do exercício de combate aéreo Red Flag, na Base Aérea Nellis de Nevada, nos Estados Unidos, realizaram missões noturnas que testaram as capacidades dos pilotos colombianos. (Foto: Major da Força Aérea Colombiana Christian Meza)

O exercício avançado de treinamento de combate aéreo Red Flag 2018 terminou no dia 3 de agosto na Base da Força Aérea Nellis, em Nevada, Estados Unidos. O exercício, realizado periodicamente desde 1975, tem a missão de dar aos pilotos das nações parceiras a oportunidade de praticar e aperfeiçoar suas habilidades em situações reais de combate. Pela segunda vez, a Colômbia teve a oportunidade de participar como país convidado.

“A Força Aérea dos Estados Unidos estendeu seu convite [para o Red Flag] de acordo com os rigorosos parâmetros de cumprimento obrigatório”, disse à Diálogo o Brigadeiro Pablo Enrique García Valencia, comandante do exercício Red Flag 2018 por parte da Força Aérea Colombiana (FAC). “O país convidado deve ter experiência superior em aviação, alto desempenho no campo de combate e uma experiência real desejável em operações militares aéreas.” 

Treinamento prévio

As aeronaves da FAC partiram do Comando Aéreo de Combate Nº 3, no estado colombiano de Atlántico, em direção à Base da Força Aérea dos EUA Davis-Monthan, em Tucson, Arizona, no dia 2 de julho. No trajeto realizaram dois planos de voo, cada um com três aeronaves Kfir e um avião-tanque KC-767, para efetuar no ar cinco reabastecimentos de combustível nos Kfir, para estender sua autonomia de voo.

O grupo chegou aos Estados Unidos e permaneceu durante cinco dias na Base Davis-Monthan para realizar o exercício Relámpago 3. Esse treinamento prévio foi feito em combinação com pilotos de combate da FAC, da Guarda Nacional Aérea do Arizona e das Forças Aéreas Sul, o componente aéreo do Comando Sul dos Estados Unidos, informou o gabinete de comunicações estratégicas da FAC.

As aeronaves realizaram exercícios aéreos com grande precisão e realismo; foi a oportunidade para que se familiarizassem com a comunicação em inglês e outros procedimentos padrão. Representantes das forças aéreas da Argentina, do Brasil, do Chile e do Peru também foram à Base Davis-Monthan para conhecer o trabalho das tripulações, as aeronaves, os equipamentos logísticos aeronáuticos e os serviços que integram o exercício para realizar o Relámpago 3.

Integração e interoperabilidade

A aeronave KC-767 da Força Aérea Colombiana conseguiu aumentar a autonomia dos seis caças Kfir com o reabastecimento em voo, durante seu trajeto para o exercício Red Flag 2018. (Foto: Major da Força Aérea Colombiana Christian Meza)

A primeira missão do Red Flag 2018 para os colombianos aconteceu no dia 23 de julho. Ela consistiu na realização do reabastecimento de combustível em voo para aviões de combate dos Estados Unidos. O exercício, sob as normas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), exigiu a aplicação dos procedimentos requeridos para interoperar com as forças militares de outros países aliados.

“Esse ano temos uma grande oportunidade de trabalhar com a FAC”, disse à Diálogo o Coronel da Força Aérea dos EUA Michael Mathes, comandante do Esquadrão de Treinamento de Combate Nº 414, que lidera o Red Flag. “Compreendemos melhor como os laços internacionais estão interconectados às redes criminosas, o que nos permite ter uma defesa compartilhada contra o inimigo comum.”

Nas duas semanas seguintes foram realizadas operações com aeronaves F-18, MQ-9 Reaper, V-22 Osprey, Kfir e KC-767, entre outras, com as quais cumpriram missões diurnas e noturnas. “Entre as conquistas [da Colômbia] que se destacam como resultado do Red Flag está o compartilhamento de um espaço aéreo com mais de 70 aeronaves simultaneamente”, disse o Brig Valencia. “Além disso, a Colômbia ainda obteve dois outros marcos: o fato de ter realizado uma missão de reabastecimento de aviões EA18 da Marinha dos Estados Unidos e a oportunidade que teve o comandante do Esquadrão Nº 111 Kfir da FAC de comandar um grupo de aeronaves de bombardeio dos Estados Unidos durante uma missão.”

“Um exercício como o Red Flag acelera o desenvolvimento de nossos operadores, da manutenção e de todo o equipamento de apoio”, explicou o Cel Mathes. “Estamos mais preparados, mais velozes para chegar a um exercício como o Red Flag, onde praticamos o combate, e assim sendo estamos mais preparados para combater com mais rapidez.” 

Os treinamentos

A participação anterior da Colômbia no Red Flag foi em 2012. Desde então, o país vem se mantendo em treinamento permanente em função das operações aéreas rotineiras. “Entretanto, desde 2017 se realizam práticas em grande escala no Comando Aéreo de Combate Nº 1, com todos os esquadrões de combate da FAC”, explicou o Brig García.

Durante o Red Flag, as missões ar-ar e ar-terra são realizadas de acordo com os parâmetros da OTAN para poder participar como aliados hemisféricos na defesa de posições. “A Colômbia ingressou na OTAN há pouco tempo”, afirmou o Brig García. “Isso nos permitirá realizar operações militares no futuro próximo com outros países com aeronaves, pilotos e tripulações, seguindo os procedimentos padrão que permitem uma interoperacionalidade em qualquer parte do mundo.”

“Essa foi nossa segunda participação, com resultados ainda mais satisfatórios do que a primeira”, declarou o Brig García. “É bom que os colombianos levem a sério a preparação [do exercício]. O Red Flag será relativamente fácil se a preparação for difícil”, finalizou o Cel Mathes.

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