Colômbia desarticula rede criminosa marítima

Os 14 detidos transportavam cocaína em lanchas rápidas para a América Central e o Caribe.
Myriam Ortega/Diálogo | 18 novembro 2018

Mais de 100 unidades da Marinha Nacional da Colômbia se deslocaram para realizar operações simultâneas e capturar membros de uma rede criminosa aliada ao Clã do Golfo. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

No início de outubro, a Marinha Nacional da Colômbia desferiu um duro golpe contra o narcotráfico, ao desarticular uma rede criminosa a serviço do Clã do Golfo que se dedicava a transportar drogas por via marítima até a América Central e o Caribe. Durante operações conjuntas e combinadas simultâneas com a Procuradoria Geral da Nação e instituições dos Estados Unidos, a Marinha conseguiu capturar 14 integrantes da estrutura criminosa em várias partes do país.

Após um ano de trabalhos de inteligência, a Marinha identificou o grupo criminoso e a rota por ele utilizada para levar drogas a partir do golfo de Morrosquillo, no Caribe colombiano. A estrutura, conforme informação da Marinha, transportava até uma tonelada de cocaína em cada viagem feita em lanchas rápidas.

“[A operação] foi muito bem planejada”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra da Marinha Nacional da Colômbia Carlos Rodríguez Espinoza, comandante da Guarda Costeira do Caribe. “Devemos reconhecer o trabalho tão disciplinado e tão rigoroso da Procuradoria Geral e da Marinha Nacional para fazer o planejamento logístico e efetuar a captura.”

Aliado do Clã do Golfo

Várias apreensões de cocaína realizadas em 2017 nas águas territoriais e internacionais permitiram à Marinha encontrar a rota marítima do crime e identificar a estrutura utilizada. “A partir das apreensões que vinham sendo feitas pela Marinha Nacional e da categorização que é feita dos botes, das lanchas e do tipo de substâncias, esse caso foi delineado”, disse o CMG Rodríguez.

Segundo as investigações, o grupo cobrava cotas mensais do Clã do Golfo e de outras organizações narcotraficantes para a saída da droga. A estrutura trabalhava com o Clã do Golfo há três anos, tornando-se um dos seus principais aliados nos estados de Córdoba e Sucre, no Caribe colombiano.

O trabalho de inteligência e monitoramento que levou à desarticulação do grupo foi possível graças ao apoio constante dos EUA, explicou o CMG Rodríguez. “Sempre contamos com o apoio do Comando Sul dos EUA, da 4ª Frota [Força Naval do Comando Sul dos EUA] e do JIATF Sul [Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul], que é a organização que nos apoia mais diretamente na questão operacional e de monitoramento com relação ao narcotráfico.”

A Marinha Nacional da Colômbia conseguiu desarticular uma rede criminosa formada por 14 pessoas que se dedicavam a transportar drogas em lanchas rápidas para a América Central e o Caribe. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Operações conjuntas simultâneas

As capturas ocorreram em operações conjuntas entre mais de 100 unidades da Marinha, além de agentes do Corpo Técnico de Investigação (CTI) da Procuradoria da Nação. Um total de 14 pessoas, entre chefes da estrutura, pilotos das embarcações e mecânicos, foram detidas em várias cidades dos estados de Antioquia, Santander, Córdoba e Bolívar.

“Aqui o que se destaca é a simultaneidade da operação em várias cidades, em vários locais afastados”, disse à Diálogo o Vice-Almirante da Marinha Nacional da Colômbia Gabriel Pérez Garcés, comandante da Força Naval do Caribe. “No mesmo instante, diferentes unidades realizam os procedimentos de execução da ordem de captura.”

As operações confiscaram US$ 40.000 em espécie, além de equipamentos de satélite e cartas de navegação. Segundo a Marinha, os tripulantes das embarcações eram pilotos experientes que viajavam não apenas com equipamentos de localização via satélite de última geração, como também obtinham informações e detalhes sobre as operações das unidades navais para estabelecer a sua posição e se evadir.

“As cartas de navegação são documentos oficiais, porém de uso público; não são sigilosas nem reservadas”, explicou o V Alte Pérez. “O que pode ser importante em um caso destes é a informação que eles possam ter registrado nessas cartas, se eles tinham as rotas traçadas, os pontos, os tempos, enfim, isto sim se torna uma informação que pode servir à inteligência para prosseguir na luta. Isto nos oferece a possibilidade de criar e ampliar novos casos referentes ao narcotráfico.”

A Procuradoria Geral da Colômbia, através da Direção Especializada contra o Narcotráfico, imputou aos 14 detidos sentenças por tráfico, fabricação ou porte de entorpecentes e formação de quadrilha. Uma mulher foi condenada à prisão domiciliar e os demais membros do grupo foram enviados à prisão.

“A Colômbia, como país principalmente produtor, entende a sua responsabilidade nesse flagelo que afeta a humanidade”, concluiu o CMG Rodríguez, destacando a importância da cooperação regional no combate ao narcotráfico. “No entanto, a Colômbia não é o único país responsável. É preciso que seja assim [com a cooperação internacional]; é a única maneira de afetar de uma maneira estratégica e significativa este negócio ilícito do narcotráfico.”

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