Colômbia projeta capacitação para suboficiais de operações especiais

As Forças Militares da Colômbia buscam o desenvolvimento profissional de seus suboficiais para transmitir melhores informações aos comandantes.
Yolima Dussán/Diálogo | 4 setembro 2018

Relações Internacionais

O SOCSOUTH e o CCOES realizaram um intercâmbio de especialistas para desenvolver um programa de educação para suboficiais, entre os dias 8 e 14 de julho de 2018, em Bogotá, Colômbia. (Foto: Comando Conjunto de Operações Especiais, Exército Nacional da Colômbia)

O Comando de Operações Especiais, Sul (SOCSOUTH, em inglês) dos EUA e o Comando Conjunto de Operações Especiais (CCOES) da Colômbia organizaram o Seminário de Projeto do Programa Conjunto de Desenvolvimento Profissional para Suboficiais da Arma das Forças Especiais, em Bogotá, Colômbia, entre os dias 8 e 14 de julho de 2018. Sua missão foi estruturar um plano de estudos designado para capacitar os suboficiais para otimizar suas capacidades de fornecer informações a seus superiores, o que é primordial na tomada de decisões.

“É importante o exercício de análise dos programas de educação dos suboficiais que entram nas forças, comparado às necessidades dos suboficiais do CCOES, já que eles [os recém-chegados] são destacados para missões com enfoques estratégicos, operacionais e políticos diferentes”, disse à Diálogo o Subtenente do Exército dos EUA Amir Álvarez, articulador dos programas de educação do SOCSOUTH. “Nossa missão é ajudar a identificar o que é preciso fazer para preencher esses requisitos.”

Quatro anos de programa

O resultado do seminário foi o projeto de um programa curricular de quatro anos que começará em fevereiro de 2019 no Batalhão de Treinamento de Comandos do Forte Militar de Tolemaida, em Cundinamarca, na Colômbia. O programa será formado por dois cursos com 19 unidades de aprendizado, como decisões éticas, pensamento crítico, geopolítica, liderança, operações multinacionais, alta gerência, comunicação estratégica, negociações e acordos, direitos humanos, direito internacional humanitário e operações multidomínio, entre outras.

O programa capacitará 200 suboficiais por ano. Inicialmente, os instrutores serão do SOCSOUTH, que financiará o curso durante os dois primeiros anos. Depois, a Colômbia deve assumir os instrutores e o financiamento.

O nível básico consta de quatro cursos por ano, em fevereiro, março, junho e agosto, com duração de duas semanas cada um, para 25 alunos das seguintes patentes: segundo-sargento, terceiro-sargento, cabo, soldado e soldado-de-primeira-classe. O nível avançado terá dois cursos por ano, realizados em março e setembro, com duração de duas semanas cada um, para 25 alunos no máximo, nas patentes: subtenente adjunto de comando, subtenente, primeiro-sargento, suboficial de comando, suboficial e primeiro-sargento.

O seminário contou com a assessoria de suboficiais do SOCSOUTH, especialistas da Universidade de Operações Especiais Conjuntas (JSOU, em inglês), do Comando de Operações Especiais dos EUA e da Universidade do Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança (WHINSEC, em inglês). Os mentores orientaram 25 suboficiais colombianos das escolas de capacitação das diferentes forças, através de um processo de análise e abordagem dos requisitos de instrução e melhora dos suboficiais do CCOES.

A importância dos suboficiais

Representantes das escolas de capacitação das Forças Militares da Colômbia trabalharam para identificar as necessidades dos suboficiais em conhecimentos práticos, acadêmicos e militares. (Foto: Comando Conjunto de Operações Especiais, Exército Nacional da Colômbia)

A iniciativa para criar um curso de treinamento especial para suboficiais destacados no CCOES parte de seu treinamento e de seu desempenho operacional e tático. A lacuna detectada está no conhecimento da transformação proposta para as forças militares e da necessidade de haver suboficiais designados para operações especiais dotados de sólidas ferramentas para transmitir melhores informações aos comandantes.

“O subtenente adquiriu importância dentro das forças. Os altos comandos nos veem como uma referência. Eles sabem que os ajudamos, assessoramos e conhecemos a estrutura das forças”, disse à Diálogo o Subtenente do Exército da Colômbia Mario Villamizar, assessor de comando do CCOES. “Nos últimos 12 anos a patente de subtenente se destacou, é uma força importante dentro da unidade; daí vem a importância de prepará-lo nas áreas onde a lacuna de formação e informação é notória.” 

Educação para analisar

Se um subtenente adjunto de comando ou seu equivalente em qualquer força precisar assessorar um coronel ou um general, ele deve ter estrutura para processar as informações e emitir relatórios. “Queremos que os suboficiais entendam todos os efeitos e alcances de uma operação; eles devem ter as ferramentas para definir se os objetivos foram cumpridos”, explicou o S Ten Álvarez. “Para tanto, é necessário estimular seu pensamento crítico, para que ele entenda a política de segurança nacional e o ambiente geopolítico; ele deve adquirir conhecimentos úteis para contribuir com as análises.”

A experiência dos programas de instrução a suboficiais designados para operações especiais das academias JSOU e WHINSEC contribuiu para a formulação de uma rede curricular sólida. “Primeiramente, deve ser feita a enumeração do que as forças necessitam, de acordo com sua própria estrutura e realidade; em seguida, é preciso que se obtenha a sustentabilidade de todo o programa”, declarou à Diálogo o Subtenente do Exército dos EUA (R) Blake Edwards, administrador do Programa Internacional de Desenvolvimento de Suboficiais do WHINSEC.

Programa robusto

Após cinco dias de sessões, os especialistas locais e internacionais apresentaram ao General-de-Exército do Exército da Colômbia Juan Pablo Forero Tascón, , chefe da divisão de Exercícios e Assuntos de Coalizão (J7/9) do SOUTHCOM, a estrutura dos módulos e níveis do programa educacional. “Uma das prioridades do comandante do Comando Sul, o Almirante-de-Esquadra da Marinha dos EUA Kurt W. Tidd, é o desenvolvimento profissional. Para mim, é gratificante acompanhar o processo de formulação do programa”, disse o Gen Ex Forero. “Vejo que conseguiram elaborar um programa bem apoiado e necessário, pois a lacuna na capacitação dos suboficiais colombianos nesses assuntos é grande e pode afetar todo o processo evolutivo das forças. Buscamos um subtenente mais profissional; é algo que lhes devemos.”

A expectativa é que ao término dos quatro anos de cursos a estrutura e a universalidade dos conhecimentos dos suboficiais colombianos estejam mais elevadas. “Temos dois anos para visualizar os perfis e capacitar nossos próprios instrutores e conseguir nossas próprias fontes de financiamento. A oportunidade é grande e é assim que entendemos. Esse é o passo que nossos suboficiais esperam e necessitam”, concluiu o S Ten Villamizar.

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