Colômbia fecha vias marítimas ao narcotráfico internacional

A Marinha da Colômbia e cinco países do continente americano apreenderam 19,5 toneladas de cloridrato de cocaína em operações combinadas.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 13 junho 2018

Ameaças Transnacionais

A Marinha Nacional da Colômbia organizou a estratégia militar naval Orión, de 1º a 30 de abril, composta por três operações no Oceano Pacífico e duas no mar do Caribe. (Foto: AFP)

A Marinha Nacional da Colômbia realizou cinco operações combinadas no Pacífico e no Caribe em coordenação com as marinhas e serviços de guarda costeira dos Estados Unidos, da Costa Rica, do Equador, de Honduras, do México e do Panamá, como parte da estratégia militar naval Orión. O resultado foi a apreensão de 19,5 toneladas de cloridrato de cocaína entre 1º e 30 de abril de 2018.

“Para combater o narcotráfico é necessária a cooperação internacional”, disse à Diálogo o Vice-Almirante da Marinha da Colômbia Orlando Romero Reyes, comandante da Força Naval do Pacífico. “A [estratégia] vai estabelecer um precedente para o futuro das operações no mar.”

As nações parceiras destacaram três operações navais combinadas no Pacífico: a Operação Betelgeuse, da qual participaram as marinhas dos EUA, do México e da Colômbia; a Operação Alnilam-Kraken, que foi realizada entre os Estados Unidos, o Panamá, a Costa Rica e a Colômbia; e a Operação Rigel, que esteve a cargo da Colômbia e do Equador. No Caribe, ocorreram a Operação Alniltag, entre Colômbia e Nicarágua, e a Operação Bellatrix, entre Colômbia e Honduras, informou a Marinha da Colômbia em um comunicado de imprensa.

“Agradeço a participação da Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF Sul), para a realização da operação no mar”, ressaltou o V Alte Romero. “A JIATF Sul marca um precedente onde se integram representantes de diferentes países e onde temos um centro de fusão que nos permite entender a dinâmica do narcotráfico a nível mundial.”

A JIATF Sul é uma das três forças-tarefa do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM). Realiza operações de detecção e monitoramento na área compartilhada pelos EUA, pela América do Sul, pela América Central e pelo Caribe, para facilitar a interceptação do tráfico ilegal e apoiar a segurança dos EUA e das nações parceiras, conforme relata o site da JIATF Sul.

“A Colômbia tem grande responsabilidade, por ser o primeiro país produtor de cloridrato de cocaína a nível mundial. Os cartéis do crime organizado transnacional se deslocaram; já temos presença de alguns representantes do Cartel de Sinaloa [organização criminosa mexicana dedicada ao narcotráfico] no país”, especificou o V Alte Romero. “O trabalho conjunto reforça a eficiência das operações contra o narcotráfico, para que o Pacífico seja uma região mais segura.”

Estratégia militar naval Orión

Marinhas e guardas costeiras dos Estados Unidos, da Colômbia, da Costa Rica, do Equador, de Honduras, do México e do Panamá apreenderam 19,5 toneladas de cloridrato de cocaína em operações combinadas no Pacífico e no Caribe. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Para a efetividade das operações, foram destacadas unidades de superfície da Força Naval do Pacífico, como navios de guerra, patrulhas oceânicas, patrulhas costeiras, patrulhas marítimas, um helicóptero e lanchas de reação rápida para a interceptação de embarcações. A Marinha do México e a Guarda Costeira dos Estados Unidos destacaram navios-patrulha oceânicos e plataformas aéreas. O Panamá dispôs de todas as suas unidades de reação rápida, uma lancha de patrulha costeira e duas plataformas aéreas.

“A Colômbia reafirmou a importância dos acordos de cooperação e interceptação”, disse à Diálogo o Capitão-de-Corveta Carlos Torres Caraballo, supervisor de Operações do Pacífico da Marinha da Colômbia. “É importante estabelecer os diálogos correspondentes e os tratados em todos os países, porque o tema mais delicado que há é o intercâmbio de informações de inteligência.”

Além de coordenar com a JIATF Sul as tarefas de interceptação de tráfico ilícito durante o desenvolvimento das operações combinadas, as marinhas e guardas costeiras participantes coordenaram com os centros de fusão da Marinha da Colômbia. Os centros são uma rede naval da Marinha que soma esforços, capacidades e informações regionais desde 2014.

“Apesar de ter sido realizado um grande destacamento, ele não é suficiente para cobrir toda a quantidade de água que o Oceano Pacífico tem. Por exemplo, o México tem um mar territorial enorme e é um dos principais destinos do cloridrato de cocaína que sai da Colômbia”, comentou o CC Torres. “O alcaloide também vai para a Guatemala, porque na fronteira entre a Guatemala e o México as organizações encontram muita facilidade para atravessar a droga por terra.”

Experiência bem-sucedida

“O crime transnacional do narcotráfico é assimétrico, porque as quadrilhas têm muito dinheiro, alta tecnologia, movimentam-se pelos países como peixe na água, atraem esses delinquentes que saíram do processo de paz, que não querem se recuperar e têm conhecimento do terreno onde agem há muito tempo”, disse o V Alte Romero. “As estruturas criminosas possuem grupos invisíveis encarregados de coordenar a distribuição do dinheiro. É aí onde os serviços de inteligência e a cooperação internacional são elementos fundamentais para combater todo o fenômeno do narcotráfico.”

“Conhecemos o diagnóstico e a problemática. Nossa organização, nossa democracia e nosso mesmo sistema não caminham na mesma velocidade do crime organizado. Essa é uma desvantagem”, acrescentou o V Alte Romero. “Então, convém que trabalhemos em conjunto com os países que têm boas organizações, experiência e que podem nos ajudar a enfrentar o fenômeno [do narcotráfico].”

Dados os resultados, a Colômbia planeja um segundo exercício combinado. “Apesar de termos legislações diferentes, temos objetivos comuns, e esse sentido comum nos permite integrar as capacidades para desenvolver operações que impeçam a ação do narcotráfico”, acrescentou o CC Torres. “A Marinha da Colômbia planeja desenvolver mais estratégias navais que permitam integrar as capacidades das marinhas de diferentes países em três pilares: cooperação e inteligência integrada nos diferentes países, centros de fusão e operações combinadas”, concluiu o V Alte Romero.

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