Colômbia fecha rotas marítimas do narcotráfico

As Forças Armadas da Colômbia detêm as ações do Clã do Golfo e de outros grupos criminosos que praticam delitos no litoral do país.
Myriam Ortega/Diálogo | 8 maio 2019

Ameaças Transnacionais

Uma operação de patrulhamento da Marinha nas águas do Caribe colombiano resultou na apreensão de mais de 1 tonelada de cocaína do Clã do Golfo, na praia de Berrugas, Sucre. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

No final de março de 2019, as Forças Armadas da Colômbia desferiram outro duro golpe contra o narcotráfico, através de três operações que culminaram com o confisco de mais de 3 toneladas de cocaína, um semissubmersível e a prisão de três criminosos. As operações combinadas lideradas pela Marinha Nacional da Colômbia, com o apoio da Força Aérea Colombiana (FAC), da Polícia Nacional e da Promotoria Geral da Nação, foram realizadas no estado de Nariño, no Pacífico colombiano, bem como nos estados de Sucre e Bolívar, na costa caribenha.

Segundo a Marinha, a droga apreendida valeria cerca de US$ 50 milhões no mercado internacional. Estima-se também que os grupos criminosos tenham investido cerca de US$ 1 milhão na construção de um semissubmersível, o que significa uma perda considerável para o narcotráfico.

Semissubmersível no Pacífico

A primeira operação, realizada no dia 23 de março, foi possível graças ao trabalho de inteligência da Marinha e a informações fornecidas por fontes sobre a partida de um semissubmersível de Nariño, carregado com drogas. Unidades da Força Naval do Pacífico e uma plataforma de vigilância da FAC localizaram o artefato após seis horas de buscas.

“Estávamos muito próximos, mas não podíamos vê-lo, porque esses equipamentos são difíceis de serem detectados”, disse à Diálogo o Capitão de Corveta da Marinha da Colômbia Juan Camilo Ocaña, comandante da Estação da Guarda Costeira de Tumaco. “A 60 milhas a oeste do parque natural Sanquianga e graças ao uso de equipamentos de última geração, foi possível localizar um semissubmersível tripulado por três pessoas, que navegava rumo à América Central.”

Ao avistar as unidades de segurança, os tripulantes do semissubmersível tentaram afundar o artefato naval, abrindo as válvulas de fundo. No entanto, a manobra não teve êxito. “Nesse local onde se encontravam, a profundidade era superior a 350 metros, e teria sido muito difícil e dispendioso trazer a embarcação à tona”, explicou o CC Ocaña.

A bordo do semissubmersível, a Marinha apreendeu 1.562 quilos de cloridrato de cocaína e capturou a tripulação – dois colombianos e um equatoriano. Em seguida, as unidades navais levaram a embarcação até o cais da Estação da Guarda Costeira de Tumaco, para que fosse inspecionada, e os três indivíduos e a droga foram postos à disposição da Promotoria Geral da Nação.

“Eles foram processados por dois crimes: por estarem em um artefato naval não autorizado e pela fabricação e tráfico de entorpecentes”, disse o CC Ocaña. “A captura foi legalizada [...]. Nesse momento, os indivíduos cumprem pena interna, enquanto a sua situação não está definida.”

No dia 29 de março, a Marinha Nacional da Colômbia apreendeu o nono semissubmersível de 2019, com mais de 1 tonelada de cocaína a bordo e capturou os três tripulantes. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Segundo a Marinha, a operação ultrapassa todas as apreensões de drogas realizadas no decorrer do ano no Pacífico colombiano – em meados de abril as unidades navais computavam 19 toneladas confiscadas. O artefato é o nono que a Força Naval do Pacífico detém em 2019.

Contrabando do Clã do Golfo

Em uma operação realizada no dia 28 de março no porto de Cartagena, Bolívar, unidades da Marinha encontraram 42 pacotes de cocaína em um contêiner proveniente de Bogotá. Pessoal de combate aos entorpecentes, guarda-costas e equipes de cães farejadores e treinadores apreenderam 1 tonelada de cocaína.

“Esta operação foi realizada com informações de inteligência da Marinha, com as quais se identificou um contêiner [no terminal marítimo] de Contecar”, disse à Diálogo o Capitão de Fragata da Marinha da Colômbia Jorge Enrique Uricoechea, comandante da Estação da Guarda Costeira de Cartagena. “O Clã do Golfo contaminou o contêiner durante o trajeto da viagem terrestre.”

No dia seguinte, durante operações de patrulhamento e controle de área nos arredores da praia de Berrugas, Sucre, o 13º Batalhão da Primeira Brigada do Corpo de Fuzileiros Navais apreendeu 42 pacotes de drogas. A substância ilícita estava escondida no manguezal, em uma região de bosques.

“Os criminosos aproveitam essas regiões para guardar as drogas. Podem ser esconderijos especiais, em casas abandonadas ou em qualquer tipo de lugar”, explicou o CF Uricoechea. “Eles colocam pessoas de segurança, dois ou três homens armados, que aguardam no local enquanto a droga está sendo reunida, para retirá-la em lancha rápida.”

As unidades navais recolheram os pacotes e verificaram que se tratava de 1.127 kg de cocaína. Segundo a Marinha, a droga pertenceria ao Clã do Golfo, porque estava etiquetada com logomarcas similares às dos contêineres no porto de Cartagena. Entre janeiro e meados de abril de 2019, a Força Naval do Caribe já apreendeu mais de 12 toneladas de cocaína.

“Temos agentes de inteligência com redes especiais em toda a jurisdição da Marinha Nacional, para podermos antecipar-nos a esses acontecimentos, essas novas maneiras de transportar drogas, bem como o seu recolhimento, saída e embarque para a América Central e os EUA”, concluiu o CF Uricoechea. “Tentamos evoluir, para estarmos um passo à frente dos criminosos.”

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