Colômbia e República Dominicana realizam Exercício Caribe VI

O treinamento de interdição aérea permitiu aperfeiçoar processos para a defesa do corredor aéreo entre os dois países.
Yolima Dussán/Diálogo | 22 setembro 2017

Durante o treinamento, aeronaves identificadas como ilegais foram obrigadas a pousar nos aeroportos dos dois países e foram entregues às respectivas autoridades para sua judicialização. (Foto: Força Aérea da Colômbia)

A Força Aérea da Colômbia (FAC) foi anfitriã do Exercício Caribe VI, por meio do Comando Aéreo de Combate Nº 3 (CACOM-3), entre 24 e 28 de julho. Durante o treinamento, uma aeronave procedente da República Dominicana foi obrigada a pousar no aeroporto Ernesto Cortisoz, de Barranquilla. Na operação, também verificaram os procedimentos em terra para judicializar a tripulação da aeronave, além de toda a cadeia de ações para uma ação de interdição aérea bem-sucedida.

“A missão também contemplou um contrabando que saiu da costa colombiana em direção à República Dominicana. O exercício foi feito nos dois sentidos para estabelecer a eficácia dos protocolos dos dois países”, comentou à Diálogo o Coronel da Força Aérea da Colômbia Alexander García Agudelo, comandante do CACOM-3. “Foi um treinamento prático, dinâmico, onde as duas forças aéreas puderam aperfeiçoar as tripulações e o pessoal operacional sobre todos os detalhes de uma operação de interdição.”

Eficácia comprovada

A eficácia dos convênios de cooperação entre Colômbia e República Dominicana é evidente com os resultados obtidos no controle e na defesa do espaço aéreo do corredor caribenho. Em 2012, 102 tráficos ilegais foram registrados. Em 2016, esse número diminuiu em 50 por cento, com apenas 54 aeronaves ilegais identificadas. Esse indicativo é influenciado diretamente pela realização dos exercícios de interdição aérea que os dois países realizaram em seis oportunidades.

O Caribe VI é o mais recente. Também tiveram a oportunidade de colocar em prática missões a partir dos acordos vigentes de operação para o controle aéreo. Para isso, foram utilizadas aeronaves C-95, A-29 e SR-560 da FAC, além da A-29 da Força Aérea da República Dominicana (FARD), bem como embarcações, radares e equipamentos de alta tecnologia. As duas forças aéreas desenvolveram ações para testar a suficiência, os conhecimentos e as destrezas militares, com uma equipe cada vez mais capacitada. O exercício foi criado para aperfeiçoar procedimentos de neutralização e entrega de um avião ilegal de um país a outro, com pleno controle por parte das tripulações e dos centros de comunicação, comando e controle.

“Com esses treinamentos, fundamenta-se o detalhamento dos protocolos internacionais que foram cuidadosamente pensados em cada uma das forças aéreas”, disse o Cel García no comando do Caribe VI pela FAC. “Quando as tripulações conseguem interiorizar os sistemas, garante-se o êxito da operação.”

Controle do corredor Caribe

Cerca de cem pessoas participaram do exercício de interdição aérea, o sexto na história dos convênios de cooperação binacional dos dois países. (Foto: Força Aérea da Colômbia)

O início do Caribe VI foi realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, e foi encerrado em Barranquilla, na Colômbia. Ele teve a presença do Brigadeiro Luis Napoleón Payan, comandante geral da FARD, e do Tenente-Brigadeiro-do-Ar Carlos Eduardo Bueno Vargas, comandante geral da FAC. Cerca de cem pessoas participaram do exercício de interdição aérea que faz parte dos Planos Operacionais Vigentes que a Colômbia tem para minimizar o tráfico ilícito pelo espaço aéreo do Caribe. Esse é um corredor que engloba desde a região nordeste da Colômbia até o México e a América Central, e chega a algumas ilhas do Caribe, como a República Dominicana.

O Caribe VI contou com a colaboração de agências de outros países, especialmente dos Estados Unidos, envolvidas na luta contra os crimes transnacionais. “O INL [por sua sigla em inglês de Seção de Assuntos Internacionais contra o Narcotráfico e Aplicação da Lei], a DEA [por sua sigla em inglês de Agência Antidrogas dos EUA] e o SOUTHCOM [Comando Sul dos Estados Unidos], nos apoiam permanentemente”, comentou o Cel García. “É um trabalho conjunto com quase todas as nações da América Central, do Caribe, do México e dos Estados Unidos.”

O primeiro exercício combinado de interdição aérea realizado pela Colômbia foi realizado em 2005, com a Força Aérea Brasileira. O controle eficaz obtido pela FAC no espaço aéreo dessa região foi ampliado para o espaço de outras nações com a mesma eficácia, graças aos convênios de cooperação.

“Somente em 2003, por exemplo, a FAC detectou 635 contrabandos no espaço aéreo com o Panamá”, disse à Diálogo o Coronel Iván Darío Bocanegra Ospina, diretor de Defesa Aérea da FAC. “Em 2017, esse número diminuiu em 99 por cento, um número contundente, que reflete o resultado exitoso das estratégias binacionais.”

Saldo dos resultados operacionais

“Um resultado palpável das operações binacionais é a diminuição dos voos ilegais no espaço aéreo da República Dominicana, graças à decisão de seus líderes e da participação decidida de países como Colômbia e Estados Unidos, com sua experiência, capacidade e profissionalismo”, disse à Diálogo o Ten Brig Ar Bueno Vargas. “Hoje este país [Colômbia] é eficaz na luta contra o narcotráfico por via aérea.”

Hoje, a Colômbia tem acordos vigentes de interdição aérea com os Estados Unidos por meio de um Acordo de Negação de Ponte Aérea. Além disso, tem procedimentos operacionais vigentes com Brasil, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Peru e República Dominicana. Com o México, há um memorando de entendimento.

“Outro resultado significativo dos convênios de cooperação é a segurança de voo no desenvolvimento desse tipo de operações entre forças aéreas, permitindo-nos agir com mais eficácia na luta contra o crime transnacional”, acrescentou o Ten Brig Ar Bueno Vargas. “Esses acordos nos permitem também a troca de experiências e conhecimentos que geram novas estratégias para combater ameaças”, finalizou.

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