Militares chilenos se preparam para missão de paz no Chipre

No início de setembro de 2018, um novo contingente chileno se juntará à missão de paz no Chipre.
Felipe Lagos/Diálogo | 29 agosto 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Militares chilenos participam da missão de paz conjunta e combinada com a Força-Tarefa Argentina no Chipre desde a década de 2000. (Foto: Marinha do Chile)

Um contingente com 14 militares do Exército e da Marinha do Chile está na fase final de preparo para seu destacamento junto à Força das Nações Unidas para a Manutenção da Paz no Chipre (UNFICYP, em inglês). Os oficiais e suboficiais farão parte do 32º contingente chileno de apoio à missão de paz na ilha do mar Mediterrâneo e assumirão seus postos oficiais na Força-Tarefa Argentina no Chipre no início de setembro.

Entre as atividades da preparação, os militares participaram do curso Pré-destacamento UNFICYP 32 no Centro Conjunto para Operações de Paz do Chile (CECOPAC) do Estado-Maior Conjunto. O curso teórico-prático de duas semanas foi realizado no final de junho.

O curso possibilitou que os militares chilenos – sete da Marinha e sete do Exército – adquirissem as ferramentas necessárias para desempenhar suas funções durante a missão de seis meses. Os alunos iniciaram seus estudos com um marco conceitual da Organização das Nações Unidas (ONU) e a história e o mandato da UNFICYP. “Em seguida, o aluno aprende as tarefas operacionais que deverá desenvolver especificamente na UNFICYP”, disse à Diálogo o Capitão-de-Corveta da Marinha do Chile Raúl Torres Ramos, chefe do Departamento de Docência do CECOPAC. 

Regras de ouro

Além de oferecer uma visão ampla da missão, o curso ensinou as “regras de ouro” dos boinas azuis e os códigos de conduta com enfoque nos direitos humanos. O curso ensinou ainda como enfrentar situações específicas como o perigo armado, bem como tarefas de reconhecimento e inserções aéreas, entre outras.

“Embora o curso esteja voltado para o destacamento específico da UNFICYP, ele contém todas as experiências dos professores capacitados que participaram de diversas missões em âmbito mundial”, disse à Diálogo o 1º Tenente do Exército do Chile José Rojas Cotroneo, que participa da missão UNFICYP 32. “Eles nos fornecem os parâmetros para poder reagir em qualquer situação que possa quebrar o cessar-fogo.”

O treinamento pôs à prova de forma prática os conhecimentos aprendidos em um campo de treinamento com cenários simulados. Instrutores do CECOPAC executaram e supervisionaram as atividades que prepararam os militares para o destacamento.

“Isso nos permite aplicar os conhecimentos obtidos no momento de tomarmos decisões no terreno”, explicou o 1º Ten Rojas. “É muito importante saber como reagir em um cenário incerto, onde qualquer ação ou reação de nossa parte poderia provocar uma situação com consequências graves.” 

Um grupo de 14 militares do Exército e da Marinha do Chile se prepara para o destacamento no Chipre, como parte do contingente da UNFICYP 32. (Foto: CEVOPAC do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Chile)

Força conjunta e combinada

A participação do Chile nas missões de paz no Chipre remonta a 1999, com a nomeação do diplomata chileno James Holger Blair como chefe da UNFICYP pelo período de um ano. Em 2001, o Chile destacou um fuzileiro naval junto à Força-Tarefa Argentina no Chipre, para realizar tarefas de observação e vigilância na zona de segurança. Em 2003, em função de acordos entre o Chile e a Argentina, começou o destacamento de forma combinada no âmbito de uma força militar conjunta.

“Os maiores desafios dessa missão são os requisitos operacionais gerados no contingente militar, já que nosso país colabora com a Força-Tarefa Argentina”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel do Exército do Chile Javier Cuevas Leiva, chefe do Escalão de Informação de Operações de Paz da Direção de Operações e Condução Conjunta do Estado-Maior Conjunto. “Isso transforma a missão em um ambiente de trabalho conjunto e combinado o que, sem dúvida, exige que nosso contingente aumente o conhecimento e o marco doutrinário.”

Criada em 1964, a UNFICYP busca pôr um fim no conflito entre as comunidades gregas e turco-cipriotas da ilha mediterrânea. Ambos os grupos disputam um território de aproximadamente 3.300 quilômetros quadrados no extremo norte do Chipre, sob o controle da República Turca do Norte do Chipre.

Para o Chile, a UNFICYP permite que eles contribuam com a projeção nacional no exterior, dando ao país um status de participação ativa em operações de paz. O caráter conjunto e combinado da missão cria experiências únicas que fortalecem as capacidades das Forças Armadas do Chile.

“A participação do Chile na missão UNFICYP tem uma grande importância para os membros das Forças Armadas”, disse o Primeiro-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile Antonio Salas Lira, que será destacado com o 32º contingente. “Simplificando, podemos dizer que essa é uma operação de paz tipo mãe, cuja finalidade é levar toda a ajuda humanitária que as Nações Unidas considerem conveniente.”

Além da UNFICYP, militares chilenos atuaram na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, na Missão das Nações Unidas na Colômbia e na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana. Oficiais chilenos também participaram do Organismo da ONU para a Vigilância da Trégua e do Grupo de Observadores Militares da ONU na Índia e no Paquistão.

“Para qualquer desafio na vida existe um grau de preparação e treinamento que permite que ele seja enfrentado da melhor forma possível, e a participação do Chile na UNFICYP é uma maneira de realizá-lo”, concluiu o 1º Ten Rojas. “Isso nos permitirá tomar decisões a partir das experiências obtidas, as quais mostrarão seus resultados nos âmbitos pessoal e profissional mas, sobretudo, como representantes de nosso país.”

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