Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Marinha do Chile, polivalente e transformadora

A instituição reforça as suas estratégias para manter o país a salvo das ameaças do narcotráfico e dos crimes a ele associados.
Geraldine Cook/Diálogo | 29 outubro 2018

A meta do Almirante-de-Esquadra Julio Leiva Molina, comandante da Marinha do Chile, é modernizar sua força naval com eficiência e eficácia, para combater as ameaças à segurança. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

Desde a sua nomeação em junho de 2017, o Almirante-de-Esquadra Julio Leiva Molina, comandante da Marinha do Chile, se comprometeu a modernizar a força naval do seu país com eficiência e eficácia. A renovação da frota, as operações conjuntas e combinadas e a cooperação internacional são algumas das estratégias que lhe permitirão pôr em prática esse compromisso institucional.

O Alte Esq Leiva participou da XVIII Conferência Naval Interamericana (CNI), realizada em Cartagena, Colômbia, entre os dias 23 e 26 de julho de 2018. O Alte Esq Leiva conversou com Diálogo sobre a sua participação na CNI, a responsabilidade das marinhas diante do narcotráfico e a comemoração do bicentenário de sua instituição, entre outros temas.

Diálogo: Qual é a importância da participação do Chile na CNI?

Almirante-de-Esquadra Julio Leiva Molina, comandante da Marinha do Chile: Essa conferência naval fornece os meios para um intercâmbio mais fluído de informações, experiências e desafios futuros. A maneira mais fácil de realizar esses intercâmbios é através do contato pessoal com os comandantes das marinhas, o que permite que a comunicação atinja efetivamente os níveis que desejamos.

Diálogo: O Chile será o anfitrião da CNI em 2020. Que contribuição oferece essa oportunidade?

Alte Esq Leiva: É uma honra para o Chile ser o anfitrião da próxima edição da CNI. Sem dúvida, queremos contribuir para melhorar a comunicação entre os integrantes da conferência. Quando assumirmos a presidência, vamos ser responsáveis pela implementação dos resultados obtidos por essa CNI, nos termos dos desafios futuros das marinhas. Vamos avaliar as conclusões para classificá-las como um tema de interesse mútuo. O tema de 2020 ainda está em fase de desenvolvimento e, portanto, os resultados dessa conferência nos ajudarão a configurar os temas que abordaremos em 2020.

Diálogo: O tema principal da CNI é a responsabilidade das marinhas da região diante do narcotráfico e dos crimes a ele associados. Por que é importante que as forças navais se unam para combater esses flagelos?

Alte Esq Leiva: Ainda que existam diferenças entre as legislações dos países, o ponto em comum é que a droga se move principalmente pelo mar e, nesse caso, a competência das marinhas e dos serviços de guarda costeira é fundamental. Quanto à Marinha do Chile, que tem como uma de suas responsabilidades a segurança marítima, esse tema também faz parte das nossas áreas de missão.

Diálogo: Qual a contribuição da Marinha às forças navais da região na luta contra o narcotráfico?

Alte Esq Leiva: Contribuímos com o controle das nossas próprias áreas de jurisdição, onde mantemos a segurança permanentemente, tarefa essa que cumprimos com as nossas forças marítimas e navais. Temos a convicção de que as nossas unidades navais são polivalentes, já que podem cumprir sua missão em diferentes âmbitos, desde o âmbito da defesa até o da segurança marítima, e essa é a nossa contribuição para que nossos mares sejam mais seguros e livres das ameaças emergentes, como o narcotráfico.

Diálogo: Que ações de interoperacionalidade as forças armadas do seu país praticam para combater esses flagelos?

Alte Esq Leiva: A Marinha, com sua autoridade marítima, que é a Polícia Marítima, trabalha integrada em nível de governo e promotorias. Essa interoperacionalidade é vital para combater os flagelos do delito. No nosso país, esse trabalho é realizado através de coordenações diretas entre as distintas agências, para que haja uma sinergia entre os meios que devem ser utilizados e os resultados que queremos obter.

Diálogo: Pela primeira vez o Chile comandou o componente marítimo combinado do Exercício RIMPAC 2018, demonstrando as capacidades de seus fuzileiros navais. Quais foram as lições aprendidas no exercício, em julho de 2018?

Alte Esq Leiva: A lição mais importante durante o exercício foi que com esforço e perseverança se atingem grandes objetivos. O Chile começou há 20 anos com uma participação muito pequena no Exercício RIMPAC e, com o tempo, chegou a atingir talvez a responsabilidade mais alta, que é o comando das forças marítimas combinadas. Esse exercício é tão importante em termos globais que a responsabilidade de ser o comandante do componente naval e marítimo combinado prova que somos capazes de fazê-lo. No final da edição 2018, no dia 2 de agosto, determinamos quais foram as experiências adquiridas nas distintas áreas e as lições mais importantes aprendidas.

Diálogo: A Marinha do Chile instruiu os membros do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá (SENAN). Que tipo de intercâmbios acadêmicos são realizados com o SENAN? Estes intercâmbios são efetuados com outros países da região?

Alte Esq Leiva: A fonte inicial dos intercâmbios realizados com os países da região são justamente essas reuniões que mantemos com os comandantes das marinhas. Temos uma importante relação com o SENAN, que é a contribuição para a formação de seus oficiais. Passaram por nossas aulas mais de 27 cadetes que se tornaram oficiais da marinha para contribuir com seu país na formação e na condução de suas organizações. Isso também se aplica aos demais países da região, como, por exemplo, na América Central, onde há uma contribuição efetiva para que eles avancem em questões já conhecidas pela marinha há muito tempo.

A Marinha do Chile está completando 200 anos e, portanto, podemos dizer com uma certa propriedade que adquirimos experiência nesse processo e que estamos dispostos a compartilhar com as nações parceiras que nos solicitem essa ajuda. Por exemplo, com El Salvador, Guatemala e Honduras já cooperamos em diversas instâncias desde 2003, não apenas no âmbito acadêmico, mas também através de nosso Estado-Maior Conjunto, com a disponibilização de pessoal para instrução em áreas marítimas e militares, dentro do Programa de Cooperação de Defesa para a América Central e o Caribe. Na América do Sul, temos intercâmbios e muito boas relações com todos os países; a prova mais contundente disso é que temos a operação Velas Latinoamérica 2018, que atraiu as marinhas da América Latina com seus veleiros, para poderem visitar os diversos países e levar demonstrações de camaradagem, cultura e união entre as nações.

Diálogo: O senhor acaba de mencionar o bicentenário da Marinha do Chile em 2018. Qual é a importância dessa comemoração?

Alte Esq Leiva: A Marinha nasceu com a pátria, com a criação de uma república independente de cujo desenvolvimento sentimos que fomos uma parte importante. O comércio marítimo mundial – e em particular o do Chile – é feito 95 por cento pelo mar; assim sendo, a segurança para garantir que esse comércio chegue aos portos de destino é uma responsabilidade das marinhas, o que está muito claro na nossa estrutura. Além disso, a defesa do nosso território e a sua integridade jurisdicional também fazem parte das nossas principais tarefas. Com o tempo, as marinhas evoluíram de uma área de missão exclusivamente dedicada à defesa do território e se estenderam a outras áreas, tais como as ameaças emergentes e, dentro delas, o narcotráfico.

Diálogo: Que tipo de trabalho conjunto a Marinha do Chile realiza com a Marinha dos Estados Unidos?

Alte Esq Leiva: A relação com a Marinha dos EUA vem de longa data. Um dos pontos mais importantes é exatamente aquele que nos delegou a condução do componente marítimo combinado do RIMPAC 2018. Nossa relação foi criada não apenas com exercícios, mas também com intercâmbios acadêmicos e de oficiais, com reuniões de complementação e troca de informações, entre outros. A relação com a Marinha dos EUA é muito importante para o nosso país. Sentimos que os Estados Unidos têm um interesse genuíno em participar e ajudar nas questões nas quais o país tem uma experiência maior e, portanto, reciprocamente, nós também podemos contribuir nas áreas onde somos mais experientes. Quanto ao futuro, essa relação pode continuar crescendo com confiança e com um trabalho conjunto.

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