Marinha do Chile realiza exercício de resposta a desastres do tsunami

O exercício de evacuação pôs à prova uma comunidade portuária da Patagônia chilena.
Guillermo Saavedra/Diálogo | 25 outubro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A Marinha do Chile pôs à prova uma comunidade portuária da Patagônia chilena em um exercício de evacuação, devido a um tsunami. (Foto: Marinha do Chile)

Um forte terremoto sacudiu a região austral chilena de Aysén, caracterizada por seus fiordes estreitos e declives acentuados. Os sismos causaram um deslizamento de rochas montanhosas que caíram nas águas da costa de Puerto Chacabuco e provocaram um alerta de tsunami após o movimento abrupto do fundo do mar. Diante da emergência, unidades da Marinha do Chile se mobilizaram para evacuar os habitantes da comunidade portuária.

Assim que o alerta tsunami soou, o cenário se transformou em uma simulação para preparar a comunidade e as empresas portuárias locais para enfrentar as ondas gigantes e devastadoras. A Marinha do Chile realizou a simulação no início de setembro, em cooperação com o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha (SHOA, em espanhol) e com o Gabinete Nacional de Emergência do Ministério do Interior do Chile (ONEMI, em espanhol) – agência do governo dedicada à prevenção, coordenação e informação de desastres naturais. O exercício de evacuação se concentrou também em verificar os sistemas de alerta e a coordenação entre as agências de emergências, o governo local e a Marinha.

Centenas de pessoas participaram do evento, entre unidades da Capitania de Portos da Marinha de Puerto Chacabuco, membros do Comitê de Operações de Emergência local – subordinado ao ONEMI – e do SHOA. Além disso, mais de 230 habitantes da comunidade se juntaram ao exercício, cumprindo os planos de evacuação.

Zona de perigo

O cenário escolhido “foi o deslizamento consecutivo de seis colinas em direção ao mar em uma região específica [a 7 milhas ao norte de Puerto Chacabuco], consequência de um terremoto que produziria uma onda de enorme proporção que se dirigiria à cidade”, disse à Diálogo o Capitão-Tenente da Marinha do Chile Felipe Rodríguez, capitão do porto de Puerto Chacabuco. “Com ele se definiu o tempo que o tsunami levaria para chegar a Puerto Chacabuco.”

Assim que o alerta foi emitido, começaram os movimentos da comunidade, que se deslocou até um ponto de encontro central na cidade, com o apoio de unidades da Marinha. Juntos iniciaram um percurso até atingirem um local seguro na parte mais alta.

“Foi estabelecido um ponto de comunicação via satélite e a ativação da rede Datamar2 [rede marítima de coordenação e emergência] para conectar os controles do Sistema Nacional de Alarme de Maremotos do SHOA, além de ativar o módulo de alerta de tsunami de Puerto Chacabuco”, explicou o CT Rodríguez.

A região de Aysén, caracterizada por fiordes estreitos e colinas escarpadas no sul do Chile, foi o cenário da última simulação de tsunami da Marinha do Chile. (Foto: Marinha do Chile)

Os gerentes das empresas locais da indústria pesqueira cumpriram os protocolos de ação e coordenaram a informação recebida com seus trabalhadores, contribuindo para uma evacuação organizada e eficaz. Três centros de cultivos de peixes com dezenas de empregados abandonaram as suas tarefas e se reuniram no ponto de evacuação. Além disso, a Marinha conseguiu entrar em contato com 30 navios e embarcações menores perto da zona de perigo para que evacuassem sob a orientação de uma unidade marítima da Marinha.

Preparados para a eventualidade

O SHOA planeja e realiza treinamentos anuais em diversas regiões do país, incluindo três simulações que contam com a participação de membros do ONEMI, da Marinha e de outras instituições. Os exercícios põem à prova o desempenho dos militares e da população em tempo real em situações de desastres naturais.

“Como ONEMI, abordamos a questão do tsunami através de diversas ações em âmbito nacional e local”, disse à Diálogo Consuelo Cornejo, chefe da Academia Nacional de Proteção Civil do ONEMI. As ações, ela explicou, incluem capacitações, treinamentos e conferências. “Durante anos fizemos estágios com o SHOA, onde os funcionários do ONEMI se capacitaram, e os do SHOA se capacitaram no ONEMI”, acrescentou.

A realização de uma simulação como a de Puerto Chacabuco inclui dias de planejamento com reuniões informativas com as organizações locais para comunicar os objetivos, ativar os protocolos e detalhar as ações reais e simuladas. Além disso, representantes da Marinha e do ONEMI percorrem o terreno para entrar em contato com a população, divulgando informações nas estações de rádio e nas escolas locais.

“Nós nos preocupamos muito com a segurança da população nessas atividades”, disse o CT Rodríguez. “Tomamos as providências necessárias para que o alarme não provoque temor ou acidentes entre a população ao soar a sirene.”

Em função da localização geográfica do Chile, na beira das placas tectônicas de Nazca, da Antártida e da América do Sul, a incidência de tsunamis é mais constante no litoral do país. Esse risco representa uma preocupação constante para a Marinha, cujos especialistas no SHOA lideram os avanços da prevenção de desastres. Os especialistas se dedicam a desenvolver ferramentas e iniciativas para melhorar as capacidades de prevenção e enfrentar os eventos de maremotos.

“A simulação foi de suma importância porque permitiu fortalecer a comunicação entre as autoridades marítimas e portuárias que atuam na região costeira diante de uma situação que poderá ocorrer algum dia”, concluiu o CT Rodríguez. “É possível evitar [as desgraças] se os procedimentos forem bem feitos.”

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