Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Exército do Chile está comprometido com capacitação e interoperabilidade

Melhor treinamento e profissionalização para os mais de 40.000 homens e mulheres que compõem o Exército do Chile.
Geraldine Cook / Diálogo | 22 julho 2019

Destaque

O General de Exército Ricardo Martínez Menanteau, comandante em chefe do Exército do Chile, tem o compromisso de transformar o currículo dos oficiais e subtenentes para assumir os desafios do futuro. (Foto: Exército do Chile)

Desde que o General de Exército Ricardo Martínez Menanteau, comandante em chefe do Exército do Chile, assumiu o comando em março de 2018, seu foco se concentrou em um desafio institucional: dar continuidade à profissionalização do seu pessoal para enfrentar os desafios do futuro. A transformação do currículo dos oficiais e suboficiais e a permanente capacitação são suas prioridades. Diálogo conversou com o Gen Ex Martínez para conhecer seus desafios, a interoperabilidade de sua instituição e a participação em treinamentos regionais, entre outros temas.

Diálogo: Qual é o seu desafio mais importante como comandante em chefe do Exército do Chile?

General de Exército Ricardo Martínez Menanteau, comandante em chefe do Exército do Chile: [O meu desafio mais importante é] liderar uma instituição de mais de 40.000 homens e mulheres que seguiram a vocação profissional de ingressar no Exército para servir ao seu país. A capacidade mais relevante do Exército do Chile não são seus sistemas de armas ou suas operações, é a qualidade do recurso humano. A capacidade dos oficiais, subtenentes e soldados para cumprir as tarefas que lhes são delegadas é o maior valor da nossa instituição. Da mesma forma, é importante para mim que a instituição seja respeitada e valorizada pelos chilenos.

Diálogo: O senhor está comprometido com a modernização e as boas práticas institucionais. Quais são os progressos alcançados nesse aspecto?

Gen Ex Martínez: O Exército iniciou um processo de transformação e modernização há quase duas décadas; a estrutura da força terrestre se consolidou e hoje temos um exército profissional com uma doutrina atualizada. A profissionalização dos oficiais e subtenentes é um dos meus objetivos mais importantes e por isso atualizamos a malha curricular de formação nas escolas matrizes para oficiais e subtenentes, com o objetivo de preparar os oficiais e subtenentes necessários para as próximas décadas. Da mesma forma, o Exército do Chile está empenhado em ter um controle maior dos recursos humanos e financeiros, para garantir ao país que os recursos entregues estão sendo bem empregados e, dessa forma, elevar os níveis de integridade e transparência.

Diálogo: Que tipo de trabalho interagencial o Exército do Chile realiza através do Estado-Maior Conjunto (EMCO)?

Gen Ex Martínez: O EMCO é o responsável pelos treinamentos conjuntos das Forças Armadas do Chile e o Exército coopera com os meios para que esses objetivos sejam alcançados. Integramos a Comissão Nacional de Remoção Humanitária de Minas, que coordena os trabalhos de retirada de minas, segundo o acordo que o Chile assinou na Convenção de Ottawa, onde as Forças Armadas se comprometem a efetuar uma limpeza das minas antipessoais do território nacional até 2020. Além disso, oferecemos apoio ao EMCO para dar assistência à população e assessorar as autoridades civis no evento de uma catástrofe.

Diálogo: Como estão organizados para enfrentar essas catástrofes?

Gen Ex Martínez: Temos mais de 1.000 soldados em condições de se deslocar de Arica até Porvenir, por exemplo, para responder a incêndios florestais. Contamos com 34 patrulhas de auxílio e resgate militar; 35 unidades fundamentais de emergência; postos de comando em condições de serem destacados para uso das autoridades civis e militares, que têm a responsabilidade de enfrentar essas emergências; um hospital modular de campanha; e postos de assistência médica.

Diálogo: Além das missões de paz, em que outros esforços internacionais o Exército do Chile está envolvido?

Gen Ex Martínez: O Exército coopera da mesma maneira que as outras instituições das Forças Armadas do país, com observadores militares no conflito Índia-Paquistão, no Oriente Médio, ou onde o Estado do Chile assuma compromissos. Nesse sentido, temos uma força em stand by – que pode se deslocar de maneira conjunta e combinada – com a Argentina, conhecida como Cruz do Sul, que tem um componente terrestre, naval e aéreo, para assumir missões de manutenção da paz.

Diálogo: Que tipo de trabalho combinado o Exército do Chile realiza com o Exército dos Estados Unidos e, em particular, com o Exército Sul dos EUA (ARSOUTH, em inglês)?

Gen Ex Martínez: Os Estados Unidos são nosso principal aliado. Nossas relações têm sido muito firmes há muitos anos. Estamos coordenando através do EMCO, mas também trabalhamos de forma direta com o ARSOUTH. Participamos do exercício Estrela Austral e temos um acordo de treinamento com o Sétimo Grupo das Forças de Operações Especiais dos EUA. Participamos também do PANAMAX, do Fuerzas Comando e do Rim of the Pacific, e este ano estaremos pela primeira vez na competição de saltos em paraquedas Leapfest, entre outros. Temos ainda os intercâmbios de cientistas com o Comando de Pesquisas, Desenvolvimento e Engenharia. Em suma, grande parte do nosso orçamento de instrução e treinamento é com os EUA.

Diálogo: Quais são os benefícios de trabalhar em combinação com os EUA e os países da região para combater as ameaças comuns?

Gen Ex Martínez: O ponto importante desses exercícios conjuntos e combinados é ter uma doutrina comum para consolidar uma linguagem comum. Conseguir que diferentes países entendam a mesma coisa para realizar uma determinada atividade é muito importante. A realização de exercícios no Chile, nos EUA ou em outros países da América nos ajuda a revisar a doutrina, verificar qual é o treinamento, estabelecer parâmetros com o equipamento e homologar os procedimentos.

Diálogo: Qual seria a sua mensagem para os demais comandantes dos exércitos da região?

Gen Ex Martínez: O Exército do Chile considera todos os exércitos da região como companheiros de armas e temos a grande responsabilidade de instruir e adestrar nossos soldados para as necessidades do Estado e da região e, em especial, para apoiar os cidadãos no evento de catástrofes.

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