Patrulha naval Chile-Argentina altera missão em busca do submarino ARA San Juan

Pela primeira vez em 20 anos, a Marinha da Argentina abreviou sua participação na missão naval combinada com o Chile.
Felipe Lagos/Diálogo | 5 dezembro 2017

Capacitação e Desenvolvimento

O ATF Lautaro da Marinha do Chile se encarregará da fase BRAVO da Patrulha Naval Antártica Combinada (PANC) 2017-2018 – missão anual entre as Marinhas do Chile e da Argentina. A vigésima edição da PANC é a primeira a ser modificada para dar apoio à busca do submarino argentino ARA San Juan. (Foto: Terceira Zona Naval da Marinha do Chile)

A Patrulha Naval Antártica Combinada (PANC) das marinhas da Argentina e do Chile se submeteram a uma mudança de última hora para dar apoio à busca internacional do submarino argentino ARA San Juan. A PANC iniciou sua missão no dia 15 de novembro, no mesmo dia em que o submarino perdeu contato com sua base.

A edição 2017-2018 da PANC, cuja operação culminará em 31 de março de 2018, contava com o ARA Islas Malvinas da Marinha da Argentina e dois navios da Marinha do Chile. O ARA Islas Malvinas se encontrava cumprindo a fase inicial da PANC quando recebeu a ordem de voltar do continente branco e se juntar às tarefas de busca e resgate do ARA San Juan.

O submarino ARA San Juan não emite sinais desde o dia 15 de novembro. No total, 18 países somaram-se à busca na área de operações. No dia 30 de novembro, a Marinha da Argentina deu por encerrada a operação de resgate dos 44 tripulantes a bordo. Segundo o relatório da Marinha da Argentina, “aumentou-se para mais do que o dobro a quantidade de dias que determinam as possibilidades de resgate da operação”. Contudo, a busca pelo submarino continua.

Guardiões da Antártica

Em sua vigésima edição, a PANC tem a missão de proteger as águas do Oceano Antártico e o meio-ambiente na região – como em casos de contaminação da água devido a acidentes. Além disso, a patrulha ajuda navios em situação de emergência e realiza tarefas de resgate e salvamento marítimo. O aumento do tráfego marítimo – cruzeiros turísticos, barcos pesqueiros e grupos científicos, entre outros – faz com que a missão seja essencial.

“A atividade turística aumentou muitíssimo no verão e prestamos assistência e vigilância caso necessário”, disse o Capitão-de-Corveta da Marinha do Chile José Peñaranda Pedemonte, comandante do ATF Lautaro. “Por exemplo, no caso de algum desastre, se um navio encalha, afunda ou ocorre algum derramamento de hidrocarbonetos.”

Segundo a Marinha do Chile, durante a PANC 2016-2017, os navios chilenos percorreram mais de 9.000 milhas náuticas, deram apoio a 20 bases e abrigos no território antártico e controlaram 147 navios e iates. “Na história bem recente, tivemos alguns acidentes de navios estrangeiros em águas antárticas”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Ivo Brito Sánchez, comandante-chefe da Terceira Zona Naval da Marinha do Chile. “Nossos navios puderam socorrer de forma rápida e dar apoio às pessoas em primeiro lugar, que é o mais importante, e depois mitigar os efeitos da contaminação.”

Missão combinada alternada

A PANC é realizada em quatro etapas. As marinhas se alternam no patrulhamento, cada uma encarregada de dois turnos.

Durante a PANC 2016-2017, os navios chilenos deram apoio a 20 bases e abrigos no território antártico. (Foto: Terceira Zona Naval da Marinha do Chile)

Nesta vigésima edição, a operação tinha previsto desenvolver a fase inicial ALFA sob o ARA Islas Malvinas de 15 de novembro a 18 de dezembro, e a fase BRAVO sob o ATF Lautaro da Marinha do Chile até 22 de janeiro. Em seguida, a fase CHARLIE voltaria a se desenvolver sob o ARA Islas Malvinas até 26 de fevereiro, e a fase DELTA sob o ATF Galvarino chileno até o encerramento da PANC.

O AP-41 Aquiles da Marinha do Chile assumiu a fase inicial da PANC. Segundo a Marinha do Chile, no dia 4 de dezembro o AP-46 foi somado também à fase ALFA. No momento da publicação, não se sabia se a Marinha da Argentina voltaria para a fase CHARLIE.

“Uma das principais funções da PANC com a Argentina é preservar ou ir em auxílio da vida humana no mar quando for necessário”, disse o C Alte Brito. “E, ao mesmo tempo, mitigar os efeitos de uma possível contaminação marítima decorrente de algum acidente.”

Apoio mútuo

A origem da PANC remonta a 1998, quando as marinhas do Chile e da Argentina firmaram um acordo de patrulhamento alternado da área antártica de ambos os países entre os meridianos 10 e 131, ao sul do paralelo 60. O desenvolvimento da PANC depende dos comandos da Área Naval Austral por parte da Marinha da Argentina e da Terceira Zona Naval da Marinha do Chile. Os dois comandos realizam a missão conjunta a cada verão austral. A vigésima edição é a primeira a ser modificada.

A cooperação entre as marinhas em uma zona com condições climáticas extremas tem sido bem-sucedida. “Foi fantástico porque, como todas as coisas que são realizadas durante bastante tempo, tem havido um amadurecimento constante no trabalho que realizamos de forma combinada”, disse o CC Peñaranda. “Hoje em dia falamos uma linguagem absolutamente comum quando nos referimos à Antártica, que vai desde as coisas operacionais, os procedimentos que realizamos, a forma em que operamos, até o entendimento que temos entre ambas as marinhas.”

Novos desafios

Depois do súbito retorno do navio da Marinha da Argentina, a PANC 2017-2018 se depara com a adoção de um novo código internacional de segurança para os navios que operam em águas polares, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2017. O Código Polar da Organização Marítima Internacional envolve todas as operações em águas da Antártica e do Ártico, tanto no que se refere a questões operacionais de navios e equipamentos como de busca e salvamento e proteção dos ecossistemas.

“[O código] é bastante estrito em todas as condições técnicas que devem ser cumpridas tanto pelos operadores como pelas embarcações que funcionam na Antártica e pelas regulamentações ambientais”, concluiu o CC Peñaranda. “[Nosso] desafio é nos colocarmos em dia quanto à capacidade para podermos fiscalizar e prestar assistência nesses mesmos termos.”

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