Chile se destaca na competição Best Warrior 2019

Membros das Forças Armadas do Chile demonstraram suas habilidades em uma competição internacional.
Felipe Lagos/Diálogo | 24 abril 2019

Capacitação e Desenvolvimento

O Segundo-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile Mayquel García corre até a linha de chegada com uma mochila de 15 quilos, em uma das provas da competição Best Warrior Texas 2019. (Foto: Cabo da Guarda Aérea Nacional do Texas Bryan Swink)

O campeonato de quatro dias não buscou apenas pôr à prova as habilidades de combate através de exercícios árduos no terreno, mas também a agilidade mental. Os participantes do Best Warrior (Melhor Guerreiro) 2019 competiram em várias atividades, como aptidão física, pista de obstáculos, simulação de primeiros socorros e exame escrito, em busca do cobiçado título que denota sua força e sua resistência no campo de batalha.

Realizado pelo Departamento Militar do Texas, o certame reuniu 31 competidores em Camp Swift, Texas, entre 28 de fevereiro e 3 de março. Soldados e aviadores da Guarda Nacional do Texas, bem como cinco militares do Chile – dois do Exército e três do Corpo de Fuzileiros Navais – e dois oficiais do Exército da República Checa participaram do campeonato.

“As tarefas de guerra dos soldados são o foco da nossa competição, para melhorar as habilidades que já fazem parte do seu arsenal”, disse à Diálogo o Suboficial da Força Aérea dos EUA Michael Cornitus, suboficial superior no comando do Departamento Militar do Texas. “Nosso objetivo é mostrar aos soldados que eles podem superar tudo aquilo que enfrentam e averiguar onde eles precisam treinar mais, para que tenham absoluta confiança quando surgir uma situação.”

Provas durante o dia e a noite

A competição incluiu uma série de provas cronometradas, como uma marcha de 20 quilômetros com uma mochila de 20 quilos; resistência física com flexões, abdominais e corrida de 6 km; navegação à noite; e arme e desarme e tiro com pistola M9 e carabina M4. Além disso, os participantes realizaram uma simulação de primeiros socorros com comunicação via rádio para uma evacuação médica e se submeteram a um exame sobre a história militar.

“Esta competição nos proporciona uma ótima experiência profissional, sobretudo quanto ao intercâmbio de conhecimentos nas distintas provas”, disse o Segundo-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile Mayquel García, que participou do Best Warrior 2019. “Desde como segurar o fuzil até como carregar a mochila e ler a carta topográfica, tudo tem o objetivo de compartilhar os conhecimentos e as técnicas para conseguir cumprir, da melhor maneira possível, as diversas exigências.”

A competição terminou com um evento surpresa, onde os participantes tiveram que realizar várias tarefas durante uma simulação de ataque químico, com traje apropriado e máscara de gás. Embora todas as provas tenham sido árduas, o SO Cornitus explicou que todas elas, exceto o evento surpresa, são conhecidas de antemão, o que permite que os participantes se preparem.

“Trata-se de uma grande oportunidade para que nosso pessoal possa interagir com outras forças militares de primeiro nível”, disse à Diálogo o Suboficial do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile Luis Hernández, que liderou a equipe chilena. “Trabalhar com militares de diversos países, conhecer materiais novos, seus procedimentos e as áreas de treinamento, tudo isso aumenta os nossos conhecimentos [e] fortalece os laços de amizade.”

Um dos três Fuzileiros Navais do Chile que participaram da competição Best Warrior Texas 2019 executa uma prova de arme e desarme. (Foto: Marinha do Chile)

Estreitar os laços de cooperação

A participação dos oficiais chilenos ocorreu no âmbito do Programa Estatal de Parceria do Departamento de Defesa dos EUA, que une a Guarda Nacional de um estado às forças armadas das nações parceiras para estreitar os laços de cooperação. O Chile participa do programa desde 2009; seus militares aderiram à competição Best Warrior pela primeira vez em 2016.

“A razão pela qual incluímos nossas nações parceiras é para melhorar a relação mútua e transmitir um pouco da nossa experiência nesses cenários de treinamento de combate”, explicou o SO Cornitus. “A interoperabilidade entre as nossas forças é muito importante e nos mantém no mesmo nível.”

A competição anual, na sua 18ª edição, está dividida em duas categorias: oficiais e suboficiais. Os vencedores da competição no Texas terão a oportunidade de participar do certame com o mesmo nome em nível regional e competir em nível nacional e internacional.

“Apesar de que os resultados oficiais não sejam conhecidos até maio, nosso desempenho foi muito bom”, disse o SO Hernández. “Os competidores deram o melhor de si, superando a nossa participação anterior.”

O SO Cornitus participou com seu homólogo chileno e destacou que em 2018 houve um vencedor do Chile. “São competidores muito fortes, e a cada ano nossos soldados americanos treinam pensando em como serão comparados com os soldados chilenos em cada evento.”

Todos os anos as Forças Armadas do Chile participam de vários intercâmbios de conhecimentos com os militares dos EUA. Por exemplo, unidades das forças especiais do Chile realizaram o exercício bienal Estrela do Norte junto com seus homólogos americanos em Camp Shelby, Mississipi, em janeiro de 2019.

“Tivemos momentos muito agradáveis de camaradagem com as diversas unidades participantes e um grande apoio de toda a organização durante toda a nossa estada”, concluiu o SO Hernández. “Em síntese, nessa competição todos nós nos sentimos ganhadores; não há vencedores nem vencidos. Ontem encontramos soldados e hoje ganhamos amigos.”

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