Chile ressalta importância da mulher nas missões de paz

O Estado-Maior Conjunto do Chile encerrou 2018 com um curso sobre a perspectiva do gênero nas missões de paz.
Guillermo Saavedra/Diálogo | 29 janeiro 2019

Capacitação e Desenvolvimento

Unidades das forças armadas e de segurança latino-americanas analisam o papel da mulher nas missões de paz, como parte de um curso realizado pelo CECOPAC. (Foto: Centro Conjunto para Operações de Paz do Estado-Maior Conjunto do Chile)

O Estado-Maior Conjunto do Chile, através do Centro Conjunto para Operações de Paz (CECOPAC), encerrou 2018 com um curso que ressaltou a função da mulher nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). O curso internacional Mulher, Paz e Segurança: Integração do Gênero nas Operações de Manutenção da Paz foi realizado entre os dias 3 e 7 de dezembro nas instalações do CECOPAC, em Santiago, Chile.

O curso contou com a participação de 45 unidades das forças armadas e de segurança da região, incluindo representantes da Argentina, do Brasil, da Colômbia, da Guatemala, de El Salvador, dos Estados Unidos e do Uruguai. Durante o curso, os participantes adquiriram diversos conhecimentos sobre gêneros, diversidade cultural, direitos humanos e negociação, entre outros.

O objetivo da atividade foi compartilhar conhecimentos básicos e fundamentais sobre a perspectiva do gênero nas missões de paz, para que o pessoal destacado naquelas operações conte com as competências e as ferramentas apropriadas. Além disso, o curso enfatizou o papel do pessoal de manutenção da paz como protetores dos membros mais vulneráveis da população – as mulheres e as crianças.

“Para nós, nesses últimos dois anos, esse é um tema de particular relevância”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Chile Marco Villegas Zanón, diretor do CECOPAC. “Basicamente, a intenção e o enfoque do curso é preparar os monitores dessas matérias.”

Requisito para as tropas

O curso foi realizado no âmbito da Iniciativa Global para Operações de Paz (GPOI, em inglês), um programa do Departamento de Estado dos EUA que busca fortalecer as capacidades das nações parceiras na execução das operações de paz. O CECOPAC realizou o curso, em sua terceira edição, com o apoio do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), por intermédio do Grupo Militar da Embaixada dos EUA no Chile.

“O envolvimento dos Estados Unidos abrange todos os âmbitos”, destacou o CMG Villegas. “São enviados professores dos Estados Unidos, que também [estão envolvidos] na coordenação das atividades e formulação do programa, na parte logística e na possibilidade de trazer alunos estrangeiros ao país.”

O curso é o resultado da colaboração entre a GPOI, o SOUTHCOM, a Escola de Pós-Graduação Naval da Marinha dos EUA e o CECOPAC, que remonta a 2013. Por outro lado, a atividade apoia a Resolução 1325 do Conselho de Segurança da ONU sobre mulheres, paz e segurança, e é um requisito para as tropas que são destacadas nas operações de paz.

Representantes do CECOPAC, da Embaixada dos EUA no Chile e do Comando Sul dos EUA participam do encerramento do curso Mulher, Paz e Segurança. (Foto: Centro Conjunto para Operações de Paz do Estado-Maior Conjunto do Chile)

“[A Resolução 1325] amplia o conceito tradicional de segurança para que ele abranja um maior número de cidadãos, particularmente no que se refere às mulheres e às pessoas que normalmente não eram consideradas em uma estrutura de segurança que um país ou uma organização devia oferecer”, explicou Guillermo Holzmann, analista chileno de defesa e assuntos internacionais. “Ela dá sugestões sobre quem deve proporcionar essas condições e quem são aqueles que participam, e é ali que se sugere a inclusão das mulheres [...], onde existem situações humanitárias que requerem condições de segurança que são muito mais eficientes e efetivas quando são abordadas sob a perspectiva de gênero.”

Equipes mais preparadas

O curso foi realizado em forma de conferência com vários módulos distribuídos ao longo de cinco dias. As atividades incluíram palestras sobre conceitos de mudança organizacional, como lidar com o estresse e comunicação intercultural, entre outras.

“O curso aborda uma gama completa de riscos, desde a marginalização das mulheres até a violência sexual e de gênero”, disse à Diálogo Alex Concepción, subdiretor do programa GPOI do SOUTHCOM. “Partimos da perspectiva de que as equipes de manutenção da paz que entendem os riscos para as mulheres desenvolvem capacidades de intervenção e as aplicam aos cenários da vida real. Elas estão melhor preparadas para atuar de maneira moral e eficaz quando se enfrenta uma ameaça real em uma situação de conflito.”

Segundo Concepción, o CECOPAC desempenhou um papel importante durante toda a iniciativa e representou sua liderança regional no preparo das forças armadas e de segurança nas questões de empoderamento da mulher. Ele acrescentou que o Chile demonstrou um grande interesse em apoiar os países da região para que sejam destacados nas missões de paz.

“No âmbito regional, o Chile demonstrou um grande progresso nessas áreas”, disse Concepción. “O Chile foi o primeiro país da América Latina a criar e desenvolver um Plano de Ação Nacional Mulheres, Segurança e Paz, que inspirou países como El Salvador e Paraguai a começar a trabalhar nos seus próprios planos.”

“Gostaria de destacar a oportunidade que tivemos com a contribuição da iniciativa do GPOI para divulgar essas matérias aos participantes nacionais e estrangeiros”, concluiu o CMG Villegas. “Também [quero destacar] o fato de poder contribuir para a formação das pessoas em toda a América Latina.”

O curso foi ministrado pela primeira vez no Uruguai, em 2015. Foi reeditado duas vezes em 2018 – em maio no Peru e em dezembro no Chile. O CECOPAC planeja realizar o mesmo curso em El Salvador em 2019.

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