Bombeiros da América Central preparados para ameaças da região

Graças ao exercício CENTAM SMOKE, os bombeiros centro-americanos unificam seus conhecimentos e fortalecem suas capacidades.
Kay Valle/Diálogo | 15 maio 2019

Capacitação e Desenvolvimento

Bombeiros da América Central combatem um incêndio em um simulador de helicóptero, como parte do exercício CENTAM SMOKE 2019, realizado no início de abril e patrocinado pelo Comando Sul dos EUA. (Foto: Terceiro-Sargento da Força Aérea dos EUA Eric Summers, Jr.)

Bombeiros da América Central demonstraram as suas capacidades durante um exercício patrocinado pelo Comando Sul dos EUA, através da Força-Tarefa Conjunta Bravo (FTC-Bravo). Os bombeiros testaram suas destrezas na Base Aérea Soto Cano, sede da FTC-Bravo, em Comayagua, Honduras, entre os dias 8 e 12 de abril, durante o exercício América Central Compartilhando Conhecimentos e Experiências Operacionais Mútuas (CENTAM SMOKE, em inglês).

O Corpo de Bombeiros do 612º Esquadrão da Base Aérea da FTC-Bravo liderou as provas que expuseram os participantes a temperaturas de mais de 600 graus Celsius. Um total de 25 bombeiros de Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala e Honduras participaram do treinamento. 

O CENTAM SMOKE busca fortalecer as capacidades dos bombeiros da região através de uma série de árduas provas que os expõem a cenários novos. O exercício também tem como objetivo unificar as técnicas de combate a incêndios, para que todos possam responder juntos às catástrofes naturais.

“Realizamos o CENTAM SMOKE para compartilhar experiências entre os bombeiros profissionais. Afinamos nossas habilidades e consolidamos os laços de amizade entre nós [Estados Unidos] e as nações parceiras”, disse à Diálogo o Primeiro-Sargento da Força Aérea dos EUA Troy Romans, chefe assistente de treinamento do 612º Esquadrão da Base Aérea. “Padronizar as práticas é importante porque ajuda a manter uma integração fluida. Aprendemos as práticas e as diversas técnicas que ambos [os bombeiros dos EUA e dos países participantes] utilizamos para prestar um melhor serviço à comunidade.”

Provas e competições

O treinamento incluiu a instrução sobre medidas de segurança, o uso adequado dos equipamentos de respiração e proteção pessoal, bem como o uso de mangueiras antes de iniciar as atividades com fogo real. Juntos, os bombeiros foram expostos a vários cenários de combate ao fogo, inclusive incêndios florestais, uma atividade nova.

“No ano passado, no CENTAM18, fizemos incêndios florestais pela primeira vez”, explicou o 1S Romans. “Foi graças ao feedback que os participantes nos deram e a algo que vimos como uma necessidade, porque todos enfrentam essa ameaça.”

O exercício incluiu também uma competição destinada a fomentar o espírito de companheirismo e cooperação. Os participantes formaram várias equipes que enfrentaram provas como a retirada de uma vítima de um veículo e o resgate (realizado com um manequim), pista de obstáculos e retirada de trilhos com uma marreta, entre outras.

Além disso, os participantes se familiarizaram com o sistema Bambi Bucket para extinguir incêndios com helicópteros. O 1S Romans destacou a importância de um exercício em particular – os incêndios de aeronaves.

Bombeiros da América Central trabalham para conter um incêndio florestal, um dos desafios do exercício CENTAM SMOKE 2019. (Foto: Terceiro-Sargento da Força Aérea dos EUA Eric Summers, Jr.)

“Muitos países não têm simulador de aeronave para combate a incêndios, então a maioria deles jamais havia visto esse equipamento”, disse o oficial. “Esperamos que eles levem [esse conhecimento] às suas unidades e que compartilhem as informações e as habilidades que transmitimos e utilizamos.”

Benefícios mútuos

Para Alejandra Antillón, oficial do Sistema de Comando de Incidentes da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (CONRED) da Guatemala – encarregada dos corpos de bombeiros e de socorro do país –, o exercício foi um sucesso. Ela também considerou a sua participação uma grande oportunidade pessoal, por ser a primeira mulher da CONRED a participar do exercício.

“É uma grande experiência e estou muito grata pela oportunidade; já sabemos como se trabalha na região. Quando acontecer uma situação real, isso facilitará o trabalho”, disse Antillón à Diálogo. “Entre as técnicas de extração veicular, aprendi algumas posições diferentes daquelas com as quais trabalhamos.”

Oscar Humberto Pérez Gutiérrez, supervisor da equipe de Salvamento e Extinção de Incêndios do Aeroporto Internacional de El Salvador, participou do exercício pela segunda vez. Para o bombeiro, que também enfrentou as provas do CENTAM SMOKE em 2015, a edição 2019 trouxe novos conhecimentos.

“Cada dia surgem novas técnicas e nós as levamos ao nosso país e as colocamos em prática”, disse Pérez à Diálogo. “Quanto aos incêndios florestais, aprendemos a levar em consideração o vento, a trabalhar a favor do vento e fazer uma ronda da área da queimada.”

Grato por uma segunda oportunidade, Pérez concordou com Antillón quanto à importância de se padronizarem as técnicas. “Cada país tem o seu tipo de trabalho e usamos denominações diferentes para as ferramentas; então, precisamos unificar”, disse.

O aprendizado foi mútuo, destacou o Primeiro-Sargento da Força Aérea dos EUA Michael Ott, subchefe do 612º Esquadrão da Base Aérea. “Eles nos mostram algumas coisas realmente geniais também, porque utilizam equipamentos básicos e práticos ao invés do nosso equipamento hidráulico, com tecnologia avançada, e nos ensinaram algumas maneiras fantásticas para entrar em um veículo, quando não tivermos nosso equipamento de alta tecnologia.”

O exercício começou em 2005 como treinamento trimestral entre os bombeiros da FTC-Bravo e seus homólogos hondurenhos. Em 2010, o treinamento se estendeu à região com a participação de bombeiros da Guatemala. Desde 2014, é realizado a cada dois anos. Mais de 800 bombeiros centro-americanos já se beneficiaram com o CENTAM SMOKE.

“Para mim, o maior benefício é a experiência de reunir todos esses indivíduos”, concluiu o 1S Romans. “Reunir todos esses países diferentes é o maior benefício, bem como ver essas culturas diferentes e como cada um reage frente a situações de emergência.”

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