Forças aéreas da América Central e do Caribe se unem para frear narcotráfico

As operações combinadas agilizam as tarefas para neutralizar as rotas ilícitas e as pistas clandestinas usadas para levar drogas para o norte do hemisfério.
Lorena Baires/Diálogo | 23 maio 2019

Capacitação e Desenvolvimento

Membros da Força Aérea Salvadorenha se preparam para iniciar um adestramento para melhorar seus níveis de presteza operacional em interdições aéreas. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

A Força Aérea de El Salvador organizou o I Seminário de Vigilância e Controle do Espaço Aéreo Contra as Forças Ilícitas, em Ilopango, entre 25 de março e 5 de abril de 2019. Militares dos cinco países integrantes da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas (CFAC) participaram do seminário. Seis oficiais de El Salvador, dois da Guatemala, dois de Honduras, dois da Nicarágua e dois da República Dominicana intercambiaram experiências e conhecimentos sobre o controle do espaço aéreo contra a criminalidade que afeta a região.

“As operações combinadas garantem que os militares realizem todos os procedimentos necessários para escoltar aeronaves suspeitas, entregá-las à nação parceira para onde se dirigem e evitar que pousem em pistas clandestinas ou que escapem com a mercadoria ilícita que transportam”, explicou à Diálogo o Major Alan Botto, instrutor do seminário e comandante do Grupo da Base Aérea da Primeira Brigada Aérea da Força Aérea Salvadorenha (FAS).”Embora tenhamos soberania para voar sobre os nossos países, precisamos ter permissões especiais cada vez que necessitamos cruzar uma fronteira.”

O tempo é o pior inimigo na interdição aérea. Por exemplo, uma aeronave precisa de apenas 40 minutos para cruzar os 300 quilômetros de largura do território salvadorenho, ou de 20 minutos para ir de Honduras a El Salvador. “Assim que o radar emite um alerta, nossos pilotos têm dez minutos para estar no ar, mas se recebemos o alerta quando já estão na metade do território, resta-nos pouco tempo para interceptá-la”, disse à Diálogo o Coronel DEM Manuel Calderón, comandante em chefe do Estado-Maior Geral da FAS.

A interdição aérea é realizada do início ao fim com os protocolos de procedimentos combinados. “Aeronaves salvadorenhas já cruzaram a fronteira com a Guatemala para entregar um pequeno avião que levava mercadorias ilícitas”, disse o Maj Botto. “Realizamos as escoltas de acordo com o Convênio sobre Aviação Civil Internacional, também conhecido como Convênio de Chicago.

Atualização das normativas

As autoridades de aviação civil dos países centro-americanos e do Caribe replanejam os espaços aéreos e atualizam as normas, regulamentos e leis que regulam os voos e as aproximações dos aeroportos. As mudanças são necessárias face à troca dos sistemas de navegação convencional pelo sistema de satélite. Isso requer um processo de capacitação dos pilotos e controladores de tráfego aéreo sobre as novas infraestruturas e tecnologias.

Membros da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas realizam um exercício de interdição para deter a passagem de ilícitos na região. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

Durante o seminário foi feito um resumo dos avanços nos novos projetos e da implementação de sistemas de área de navegação (RNAV, em inglês) e navegação baseada no rendimento (PBN, em inglês). Os sistemas RNAV permitem que os aviões possam voar mais próximos uns dos outros, com melhor utilização do espaço; os PBN especificam os requisitos dos sistemas de navegação e a funcionalidade necessária para as operações propostas em um determinado espaço aéreo.

“Devemos reconhecer que os espaços aéreos mudam e é importante atualizar e identificar as rotas que as aeronaves utilizam para praticar crimes”, disse à Diálogo o Major da Força Aérea da República Dominicana Carlos Encarnación. “Por isso devemos nos unir como uma mesma força aérea na luta contra o narcotráfico; isso aumenta nossos conhecimentos e faz com que aprendamos com as experiências bem-sucedidas das nações parceiras.”

“Os países da CFAC buscam melhorar o nível de coordenação entre os centros de controle dos espaços aéreos”, enfatizou o Maj Botto. “A Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF Sul) é um importante parceiro estratégico que em tempo real observa, dá seguimento pontual a todo tipo de embarcação suspeita, alerta oportunamente e nos facilita uma reação imediata e de trabalho efetivo.”

Na jornada de encerramento do seminário, os oficiais propuseram criar uma rede de alerta regional que envolva a cidadania, para coordenar e informar sobre as rotas ilícitas. A luta contra o narcotráfico e as demais ameaças demanda conexões em tempo real entre os operadores e que sejam incorporadas todas as fontes possíveis de informação.

“No seminário, habilitamos canais de comunicação rápida com operadores de controle aéreo, para compartilhar informação em tempo real”, disse o 2º Tenente Jaime Argueta, membro da Primeira Brigada Aérea da FAS. “Essa capacitação é muito importante porque me permitiu conhecer as novas tecnologias, por exemplo, no campo dos radares que outros países fora da região utilizam na luta contra o narcotráfico.”

Para o Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller, comandante do Comando Sul dos EUA, os países devem manter relações sólidas para lutar juntos pela segurança. “Sabemos que as colaborações funcionam e sabemos que as colaborações entre amigos que confiam uns nos outros funcionam melhor; eles se respeitam e se apoiam”, disse o Alte Esq Faller durante sua turnê pela América Central no final de janeiro de 2019. “É por isso que estou aqui, para continuar nossa promessa duradoura, como parceiros e amigos, prontos para prosseguir com nosso trabalho colaborativo em apoio à paz, à segurança e à estabilidade que todos nós valorizamos.”

O desafio para as forças aéreas centro-americanas é criar um grupo multidisciplinar para realizar operações aeromarítimas e integrar os controladores de tráfego aéreo civis. Essa é a melhor maneira de unir todos os vigilantes e protetores do espaço aéreo da América Central.

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