Cartel de Sinaloa atua na República Dominicana

Dez supostos membros da organização foram detidos em pouco mais de um ano.
Ezra_Karl_Fieser | 17 abril 2012

A Direção Nacional de Controle de Drogas (DNCD) alerta que o cartel de Sinaloa está expandindo sua influência no norte da República Dominicana em busca de rotas de narcotráfico para a Europa. A agência prendeu 10 supostos integrantes do cartel, incluindo um homem que, segundo as autoridades, seria o piloto do chefão Joaquín Guzmán. (Cortesia da DNCD)

SANTO DOMINGO, República Dominicana – Uma autoridade de alto escalão do país disse que unidades antidrogas prenderam recentemente um mexicano que teria trabalhado como piloto para o chefão do cartel de Sinaloa, Joaquín “El Chapo” Guzmán.

O czar dominicano do combate às drogas Marino Vinicio Castillo, conselheiro do presidente em questões de narcotráfico, confirmou que dois mexicanos foram presos em 8 de abril.

Os homens foram identificados como Víctor Manuel Alvarado Torres e Héctor Andrés Chávez Ramírez, mas as autoridades não informaram qual dos dois seria o suposto piloto porque a investigação ainda está em andamento.

Os homens foram imediatamente entregues às autoridades americanas para cumprir um pedido de extradição. Os suspeitos eram procurados pelos Estados Unidos, sob acusação de conspiração para contrabandear cocaína sul-americana no país.

Investigadores da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) auxiliaram os policiais dominicanos em uma operação secreta em que dois homens foram detidos em um hotel na capital da República Dominicana, Santo Domingo.

A operação revelou novas evidências da existência de uma expansão do cartel de Sinaloa na República Dominicana, um ponto-chave de baldeação do narcotráfico. Com as prisões de Alvarado Torres e Chávez Ramírez, são 10 os narcotraficantes mexicanos suspeitos de ligações com o cartel de Sinaloa capturados na República Dominicana em pouco mais de um ano, segundo a Direção Nacional de Controle de Drogas (DNCD).

“Não é uma situação nova no país”, disse o presidente do órgão, general Rolando Rosado Mateo, à mídia dominicana.

Autoridades afirmam que as gangues de drogas mexicanas estão usando cada vez mais o país caribenho para estabelecer rotas de tráfico, principalmente as áreas próximas à costa do Atlântico.

Embora há muito tempo suspeitassem da presença mexicana, só conseguiram confirmar os detalhes com a captura de Luis Fernando Bertolucci Castillo, o “Capitão Rey”, em meados de 2011.

Informações obtidas com o interrogatório de Bertolucci sugeriram que o cartel estava atuando em parceria com grupos criminosos dominicanos para estabelecer rotas de tráfico, especialmente para a Europa.

As autoridades atribuíram a presença cada vez maior do cartel de Sinaloa no Caribe à crescente atividade de narcóticos na Colômbia, na América Central e no México.

Embora um dos homens detidos em 8 de abril fosse supostamente o piloto de Guzmán, os agentes não revelaram o quão próximo chegaram de capturar o líder do cartel.

Guzmán, também chamado de “Baixinho” em referência à sua altura de 1,68 metro, é considerado o narcotraficante mais poderoso do mundo.

O traficante foi detido em 1993 e condenado a 20 anos e nove meses de prisão por tráfico de drogas, mas escapou de uma penitenciária mexicana em 2001.

Sob sua liderança, o cartel de Sinaloa se tornou a organização de narcotráfico mais poderosa do México.

A expansão das operações do cartel na República Dominicana ocorre no momento em que agentes do país redobram esforços para controlar o fluxo de narcóticos na ilha.

Uma quantidade calculada em 70 toneladas métricas de drogas costumava passar pelo país. Rosado diz que esse número foi reduzido para cerca de 13 toneladas métricas, das quais 7,6 foram apreendidas pelos agentes antidrogas no ano passado, pouco mais da metade do total.

Nos primeiros três meses deste ano, o departamento confiscou cerca de quatro toneladas métricas de cocaína.

Na “Operação Terremoto”, em 25 de março, as autoridades apreenderam 1,5 tonelada métrica de cocaína de uma lancha que estava a caminho do país, vinda da América do Sul. Três venezuelanos foram presos.

No início do mesmo mês, os agentes confiscaram 807,4 kg de cocaína de um contêiner a bordo de um transatlântico atracado no Porto de Caucedo, nos arredores da capital. As drogas tinham como destino a Espanha. Oito suspeitos foram presos.

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