Nações caribenhas sincronizam suas capacidades de Operações de Informação

Parceiros caribenhos utilizam Operações de Informação para combater as redes de ameaças transnacionais.
Geraldine Cook/Diálogo | 20 março 2019

Relações Internacionais

Representantes militares e de segurança se reuniram no VII Conselho Anual de Operações de Informação da Região do Caribe, em Nassau, Bahamas, para fortalecer os relacionamentos e compartilhar estratégias de Operações de Informação. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

As forçar armadas e as nações parceiras em segurança se reuniram no VII Conselho Anual de Operações de Informação da Região do Caribe (CRIOC, em inglês), em Nassau, Bahamas, de 18 a 21 de fevereiro de 2019. O objetivo do encontro foi desenvolver as estratégias de Operações de Informação (OI) para combater as ameaças transnacionais no Caribe. A Real Força de Defesa das Bahamas (RBDF, em inglês) sediou o evento com o patrocínio do Comando Norte dos EUA (NORTHCOM) e do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).

“O CRIOC reforça as OI, as Operações de Apoio à Informação Militar e as Comunicações Estratégicas (STRATCOM, em inglês) através de planejamento, coordenação e sincronização das capacidades referentes à informação das nações parceiras caribenhas para combater as redes de ameaças transnacionais e os competidores estratégicos que atuam na região do Caribe”, disse o Dr. Benjamin P. Gochman, chefe de Engajamentos da divisão de OI do NORTHCOM. “Os membros do CRIOC enfrentam muitas ameaças comuns, como o narcotráfico, as armas ilegais, a violência das gangues, o tráfico de pessoas e a caça ilegal. Se juntarmos nossos recursos e fizermos uma segurança coletiva, poderemos combater melhor essas ameaças e responder para salvar vidas.”

Membros do CRIOC das Bahamas, de Bermudas, Canadá, França, Grã-Bretanha, Jamaica, Países Baixos, Trinidad e Tobago e Ilhas Turcas e Caicos participaram do encontro anual para discutir sobre as operações em curso. A Colômbia e o México participaram do evento pela primeira vez como observadores.

“O CRIOC nos dá a oportunidade de mostrar nosso interesse em trabalhar e colaborar com a região caribenha e com o hemisfério. O CRIOC ajuda a construir o tipo de camaradagem e redes necessárias para combater um grande número de atividades ilícitas que nossa região enfrenta”, disse o Comodoro da Real Força de Defesa das Bahamas Tellis Bethell, chefe do Estado-Maior da Defesa. “Nesse processo, podemos compartilhar informações que nos ajudam a melhorar nossas técnicas e capacidades táticas para fazermos um trabalho melhor, não apenas comunicando-nos com o público, mas também recebendo informações do público, para que possamos realizar nossos trabalhos de maneira mais efetiva.”

Desenvolvendo capacidades de OI

Durante a conferência, cada país apresentou suas capacidades de OI e os planos para as STRATCOM. A RBDF falou sobre a Operação Marlin Spike, uma iniciativa de OI/STRATCOM com o apoio do NORTHCOM para criar uma consciência pública dos deveres e das ações da RBDF em prol da segurança dos cidadãos bahamenses. A operação incentiva o apoio da população para ajudar a RBDF a enfrentar as questões criminais e deter ou desencorajar aqueles que tentam violar as leis do país. A campanha ajuda a deter, prevenir e impedir as ações criminosas e conta com um extenso e abrangente programa, incluindo uma linha telefônica especial para denunciar atividades criminosas, entre outros programas.

2. O Capitão de Corveta da Real Força de Defesa das Bahamas Carlon Bethell, diretor do Centro de Comando de Operações da RBDF, fez uma apresentação sobre a Operação Marlin Spike. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

“O objetivo da Marlin Spike é enviar mensagens, influenciar e informar o público. Queremos garantir que a população saiba o que estamos fazendo para mitigar os desafios e as ameaças que nosso país enfrenta”, disse o Capitão de Corveta da RBDF Carlon Bethell, diretor do Centro de Comando de Operações da RBDF. “As OI ajudam a deter os maus elementos, enviando-lhes uma mensagem que os obriga a pensar duas vezes antes de praticar atividades nefastas, como a caça ilegal, o contrabando de migrantes ou o tráfico de pessoas.”

O México falou sobre a importância das redes sociais nas suas campanhas de OI. “Para a Secretaria da Marinha do México [SEMAR], as OI são extremamente importantes. Estamos desenvolvendo operações navais de alto impacto no âmbito da Lei de Segurança Interior do país, para lutar contra as organizações criminais transnacionais, e temos obtido bons resultados”, disse o Capitão de Mar e Guerra da Marinha do México Daniel Álvarez Navarrete, subdiretor da Divisão de Estratégias de Informação e Influência da SEMAR. “É importante conhecer as novas estratégias de informação para fortalecer nossas capacidades e desenvolvê-las em apoio às operações navais, para cumprir a nossa missão e influenciar positivamente a população do México.” 

O futuro das estratégias de OI

A Capitão da Força de Defesa da Jamaica Michelle Brown, oficial de inteligência, disse que a cooperação regional é crucial para o futuro das campanhas de OI na região do Caribe. “Temos um plano de OI, mas estamos aprendendo muito com nossos parceiros caribenhos e internacionais. O CRIOC nos permite destacar nossas forças e fraquezas. Ele também nos dá algumas respostas sobre o que podemos fazer para superar nossas fraquezas”, disse. “A longo prazo, teremos um planejamento de OI mais robusto para todos os países aqui representados. Os países que já atingiram um estágio avançado [de capacitação em OI] progredirão ainda mais e os que estão começando agora receberão orientação dos demais membros.”

Os membros do CRIOC concordaram que há abordagens diferentes no Caribe quanto às ameaças e aos desafios comuns. “Participar do CRIOC nos permite conhecer os meios para solucionar os desafios comuns”, disse a Tenente das Forças Armadas dos Países Baixos Canan Babayigit, relações públicas e porta-voz no Caribe. “É interessante participar aqui e aprender como os demais países executam suas OI. O CRIOC é uma iniciativa muito boa. Não queremos reinventar a roda. Podemos trocar conhecimentos ou experiências para tornarmo-nos melhor e para atuar e reagir em todos os tipos de questões como uma equipe.”

As estratégias de OI ajudam as nações caribenhas a criar relacionamentos e trabalhar para um objetivo comum. “Nessa região, somos todos países pequenos, portanto, se pudermos impulsionar as lições aprendidas e construir relacionamentos, podemos melhorar e adquirir experiência”, disse o Major do Real Regimento das Bermudas (RBR, em inglês) Duncan E.R. Simons, oficial de Relações Públicas do RBR. “Muito daquilo que fazemos não aparece aos olhos do público. Muito do que fazemos tem a ver com a percepção e, enquanto nossa percepção for positiva entre nossas comunidades e públicos-alvo, ela será então um multiplicador de forças.”

Os participantes decidiram trabalhar juntos para desenvolver mensagens estratégicas comuns para combater as atividades ilícitas. O VIII CRIOC Anual será realizado na Jamaica, em março de 2020.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 3
Carregando conversa