Brigada Andes do Exército do Equador combate o crime organizado

Unidade reforça ações militares para combater o crime organizado na região de fronteira, como também melhora a cooperação com as Forças Armadas da Colômbia.
Julieta Pelcastre | 18 dezembro 2013

Soldados do Exército equatoriano da nova Brigada Andes estão fortalecendo a segurança ao longo da fronteira norte do país, ao realizarem frequentes patrulhas e confrontando-se com membros do crime organizado.

Uma tropa formada por 1.500 homens da 31ª Brigada de Infantaria Andes, com sede em Tulcán, capital da província de Carchi, está reforçando a segurança das operações do Exército para apreender drogas, armas, combustível e explosivos das organizações criminosas que operam ao longo da fronteira norte do Equador.

Novas ameaças do crime organizado transnacional

As patrulhas do Exército estão concentradas nas províncias de Carchi, Esmeraldas, Imbabura e Sucumbíos.

Segundo Carlos Larrea Dávila, vice-ministro da Defesa Nacional, essas províncias “são localidades altamente sensíveis que estão enfrentando novas ameaças do crime organizado transnacional.”

A Brigada Andes é composta por soldados que foram destacados para o 13º Batalhão de Infantaria de Esmeraldas, o 39º Batalhão de Infantaria de Tulcán e o 36º Grupo de Cavalaria Motorizada de Ibarra. A Brigada Andes está sob o comando da Força-Tarefa Nº 4 Amazonas. A reorganização foi detalhada na Resolução 376 de 4 de outubro de 2013.

A Brigada Andes, comandada pelo coronel Mauricio Silva, reúne milhares de outros soldados do Exército para garantir a segurança na região de fronteira. Ao todo, mais de 8.000 tropas do Exército fornecem segurança à zona de fronteira, de acordo com o Ministério da Defesa Nacional.

Combatendo o o crime organizado e melhorando a cooperação militar

A Brigada Andes está reforçando as ações militares de combate ao crime organizado na região de fronteira e melhorando a cooperação com as Forças Armadas da Colômbia, disse o general Jorge Peña Cobeña, comandante do Exército do Equador.

“Essa brigada permitirá uma maior concordância entre as operações militares na luta contra o tráfico de drogas e grupos ilegais, assim como a coordenação de ações militares entre o Equador e a Colômbia”, disse o general.

Soldados da Brigada Andes planejam e executam patrulhas de curto e longo alcance. As tropas também têm colhido dados de inteligência e realizado operações contra grupos do crime organizado.

Segundo autoridades, espera-se que todos os soldados destacados para a região cumpram suas tarefas de acordo com os mais altos níveis de profissionalismo. Os soldados do Exército na região e por todo o país têm recebido um treinamento extensivo de proteção aos direitos humanos, ao mesmo tempo em que realizam suas missões.

Reorganização do exército

A criação da Brigada Andes é parte de uma reorganização mais ampla do Exército do Equador que se iniciou em agosto de 2013. A reestruturação está prevista para ser concluída em janeiro de 2014.

Autoridades estão treinando unidades militares completas, flexíveis e totalmente equipadas para realizar uma ampla gama de missões de defesa, desde combate ao crime organizado até o fornecimento de segurança ao longo da região de fronteira em resposta a desastres naturais, segundo autoridades.

Mais de um milhão de habitantes ao longo da fronteira norte – conhecida como Zona 1 – serão beneficiados com a presença das Forças Armadas.

A Brigada Andes e outras tropas estão combatendo o narcotráfico e outras atividades do crime organizado.

Os traficantes de drogas transportam cerca de 120.000 kg de cocaína da Colômbia e do Peru através do Equador todos os anos, de acordo com o relatório da Comunidade de Polícias da América (AMERIPOL): “Tráfico de drogas – Uma perspectiva de Polícia”. Os membros do crime organizado transportam drogas por terra, ar e mar através do Equador para México, Estados Unidos e Europa.

De acordo com Bertha García Gallegos, analista de segurança da Universidade Católica do Equador, a reorganização das unidades do Exército permitirá que as Forças Armadas operem de modo mais estratégico e melhorem a qualidade da segurança na região da fronteira norte.

Para lutar contra o crime organizado, o governo equatoriano está “fortalecendo as operações conjuntas entre as três Forças Armadas e a Polícia Nacional; claramente identificando possíveis ameaças e aumentando a vigilância na fronteira norte”, disse Bertha.

Autoridades do Equador "estão pensando sobre novas maneiras de patrulhar e treinar as unidades de vigilância na região de fronteira com equipamentos especializados para prevenir um aumento da falta de segurança ao longo da fronteira”, disse a analista de segurança.

Ameaça do tráfico de drogas

O Cartel de Sinaloa, liderado pelo chefão das drogas foragido Joaquín “El Chapo” Guzmán, trabalha com as gangues equatorianas para transportar drogas pelo país e para a fronteira norte. As atividades do crime organizado ameaçam a segurança pública, afirmou a analista de segurança.

“As atividades do tráfico de drogas apresentam uma ameaça ao Equador. A deterioração da segurança na fronteira norte está ligada ao conflito armado colombiano e às organizações engajadas em atividades ilegais”, disse Bertha. “O maior desafio que o Equador enfrenta em termos de defesa e segurança é o narcotráfico, não apenas na região norte, mas também nas áreas centrais do país. É uma situação complexa, que se transforma de acordo com o comportamento criminoso. As autoridades precisam definir os papéis de cada força de segurança para alcançar maior êxito na luta contra o crime transnacional.”

O Equador não é um produtor de drogas expressivo, mas o país é utilizado como local de armazenamento e rota de transporte do Cartel de Sinaloa, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e grupos do crime organizado da Nigéria, China e Rússia, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O relatório do UNODC informa que o Equador é um dos 10 países do mundo que tem obtido maior sucesso nos últimos anos na luta contra o narcotráfico. O país tem realizado progressos contra o tráfico e operações de processamento de drogas.

Grandes apreensões de drogas

As Forças Armadas e a polícia equatorianas têm realizado várias importantes apreensões nos últimos meses:

• No início de dezembro de 2013, agentes da Polícia Nacional da Direção Antinarcóticos apreenderam mais de meia tonelada de cocaína em duas operações distintas na província de Esmeraldas, na costa norte do Equador. Os policiais prenderam oito suspeitos.

• Em novembro de 2013, as forças de segurança apreenderam mais de 3,5 t de drogas em mais de 100 operações de segurança. As drogas foram confiscadas durante o período de sete dias em meados de novembro. As forças de segurança capturaram 83 suspeitos de tráfico de drogas. Entre eles, havia 75 equatorianos, seis colombianos e dois mexicanos. Foram também apreendidos 14 menores que, supostamente, colaboraram com os suspeitos de narcotráfico.

• Também, em novembro de 2013, as Forças Armadas confiscaram 692 armas de fogo ilegais durante uma operação de segurança em todo o país. Os soldados confiscaram fuzis automáticos, rifles, armas semiautomáticas e revólveres. No início de dezembro de 2013, já tinham sido apreendidos 19.000 cartuchos de armas ilegais. Isso é mais que o dobro dos 8.000 cartuchos de armas ilegais que soldados apreenderam em todo o ano de 2012.

• Em outubro de 2013, agentes antidrogas da Polícia Nacional do Equador apreenderam mais de três toneladas de drogas em operações de segurança nas províncias de La Libertad e Guayaquil, como parte da Operação Caçador. Segundo autoridades, as drogas eram vinculadas aos grupos do crime organizado Los Urabeños e Los Rastrojos. Agentes da Polícia Nacional também capturaram 15 suspeitos.

• Em junho de 2013, agentes antidrogas da Polícia Nacional capturaram sete suspeitos de pertencer ao Cartel de Sinaloa, incluindo Telmo Remigio Castro Donoso, conhecido como “Capi”. Autoridades acreditam que Capi seja um aliado de El Chapo. As prisões ocorreram durante a Operação Galáxia.

Cooperação militar fortalece o combate ao crime transnacional

Nos últimos meses, as forças de segurança equatorianas estreitaram seus laços corporativos com outros países sul-americanos na luta contra o crime transnacional.

Em 25 de novembro de 2013, o presidente equatoriano, Rafael Correa, e o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, realizaram um encontro binacional na cidade colombiana de Ipiales.

Correa, Santos, os ministros das Relações Exteriores de ambos os países e diversos ministros do Gabinete Ministerial equatoriano e colombiano encontraram-se por quatro horas para discutir o progresso dos acordos de segurança conjunta, entre outros. Após o encontro, os dois presidentes assinaram oito acordos sobre questões como segurança, transporte, educação, turismo e indústria petrolífera.

Ambos os presidentes também conversaram sobre os diálogos de paz entre a Colômbia e as FARC em andamento em Havana.

Autoridades do Equador “estão pensando sobre novas maneiras de patrulhar e treinar unidades de vigilância na área de fronteira com equipamentos especializados, para prevenir o aumento da insegurança na região.”

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