Escola Superior de Guerra do Brasil promove viagem acadêmica aos EUA

Integrantes da Escola Superior de Guerra vão conhecer importantes centros de defesa dos Estados Unidos.
Taciana Moury/Diálogo | 15 agosto 2018

Relações Internacionais

Cerca de 700 oficiais das Forças Armadas do Brasil e de nações parceiras são diplomados anualmente pela Escola Superior de Guerra. (Foto: Assessoria de Comunicação da Escola Superior de Guerra do Brasil)

A Escola Superior de Guerra (ESG) do Ministério da Defesa do Brasil, instituto que prepara líderes e assessores de alto nível nos campos político e estratégico para os assuntos ligados à defesa nacional, vai levar os alunos dos cursos de altos estudos militares aos Estados Unidos. O objetivo da viagem, que vai acontecer de 15 a 22 de setembro de 2018 para a cidade de Washington D.C., é que os alunos conheçam importantes centros de defesa norte-americanos.

A ESG prepara líderes e assessores de alto nível nos campos político e estratégico. Na imagem, o campus do Rio de Janeiro. (Foto: Assessoria de Comunicação da Escola Superior de Guerra do Brasil)

A comitiva de aproximadamente 150 pessoas vai incluir os professores e os alunos dos principais cursos da ESG: o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), realizado no campus do Rio de Janeiro, e o Curso de Altos Estudos em Defesa (CAED), no campus de Brasília. Os estagiários, assim chamados os alunos dos cursos, são oficiais superiores das Forças Armadas Brasileiras e de nações parceiras, bem como das forças auxiliares e civis da alta administração, oriundas de organizações governamentais e privadas. 

Dentre os principais pontos a serem visitados estão o Colégio Interamericano de Defesa (CID), a Universidade de Defesa Nacional (NDU, em inglês), o Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa, o Pentágono e o Comando Sul dos EUA. A escolha de Washington foi motivada pela cooperação já existente entre a ESG e os estabelecimentos de ensino congêneres localizados nos Estados Unidos, tais como o CID e a NDU. As atividades desenvolvidas terão como foco os temas relativos às expressões do poder nacional, em especial às dos campos político e militar.

Segundo o General-de-Exército do Exército Brasileiro (EB) Décio Luís Schons, comandante da ESG, as viagens possibilitam o contato com instituições nacionais e internacionais de cunho estratégico e têm o objetivo de ampliar o conhecimento e a formação de recursos humanos no campo da defesa. No mês de junho de 2018 a comitiva percorreu unidades da Marinha do Brasil (MB), do EB e da Força Aérea Brasileira para conhecer os projetos estratégicos na área de defesa que estão sendo desenvolvidos na região sudeste do Brasil.

O Gen Ex Schons destacou que a viagem vai trazer benefícios tanto institucionais quanto acadêmicos. “Vamos visitar as estruturas das instituições de ensino que podem contribuir para a atualização das atividades acadêmicas da ESG”, disse. “Além disso, é uma oportunidade de aumentar a compreensão da missão dos diferentes órgãos e de obter conhecimentos úteis para os trabalhos realizados na escola, sem esquecer a oportunidade de estreitamento de laços nos campos bilateral e multilateral.”

As visitas irão fornecer subsídios para os discentes nos exercícios de aplicação do método de planejamento estratégico da ESG, mais especificamente, na redação dos panoramas globais e nas demais disciplinas ministradas durante os cursos. Para o Capitão-de-Mar-e-Guerra da MB Gustavo Calero Garriga Pires, estagiário do CAEPE, a viagem a Washington vai agregar conhecimentos importantes à sua carreira. "O conhecimento adquirido nas visitas práticas combinados a toda a gama de informações e dados repassados aos estagiários até o presente momento vai ser muito proveitoso."

Relações internacionais

A cooperação internacional sempre foi estimulada pela ESG ao longo dos seus 65 anos de atividade. A escola participa da Associação dos Diretores de Colégios de Defesa Ibero-Americanos, que tem como objetivo a promoção de intercâmbio permanente de experiências e debates sobre os pensamentos dos estudos voltados para a paz, defesa e segurança. Além disso, a associação propicia o estreitamento dos laços entre as nações participantes e o desenvolvimento de uma cultura específica de segurança e defesa na comunidade ibero-americana.

Dentre os 90 estagiários da turma do CAEPE, quatro são oficiais estrangeiros, oriundos dos EUA, do México, do Paquistão e do Peru. Já a turma do CAED tem 65 estagiários, todos brasileiros. 

O General-de-Exército Décio Luís Schons, comandante da ESG, destacou a importância da viagem de estudo para o aprendizado. (Foto: Assessoria de Comunicação da Escola Superior de Guerra do Brasil)

O Coronel do Exército dos EUA Hector Ivan Martinez Piñeiro é um dos estagiários do CAEPE e reforçou à Diálogo a importância do intercâmbio para os dois países. “Conhecer os futuros líderes das forças armadas e do governo brasileiro, além do quadro de uma instituição tão respeitada, permitirá definitivamente que os nossos países trabalhem mais harmoniosamente com confiança mútua, camaradagem e respeito”, disse.

O Cel Martinez explicou que o curso é uma ótima oportunidade para entender as complexidades sócio-políticas do governo brasileiro e as políticas internas brasileiras. “Ele abriu meus olhos para uma série de conceitos e pontos de vista por meio dos melhores especialistas no campo da ciência política, sociologia, direito e doutrina militar”, enfatizou. “Eu também conheci um grupo fantástico de futuros líderes militares e civis posicionados para fazer a diferença para a melhoria do Brasil.”

Para o CMG Calero, a experiência adquirida dos contatos com representantes de nações parceiras é inestimável. “Por meio do convívio com representantes de países amigos, abrimos um novo leque de possibilidades, não apenas de simples replicação de soluções, mas de busca de novos caminhos que sejam adequados à realidade nacional”, declarou.

O Cel Martinez comentou ainda que a viagem de estudos à Washington possibilitará à comitiva da ESG testemunhar, em primeira mão, a abordagem interagência do governo dos EUA para a cooperação e a resolução de problemas. “Eles vão poder entender a lógica estratégica de algumas de nossas políticas e ações. Isso pode dar aos futuros líderes brasileiros uma ideia do caminho a ser seguido”, destacou. “Além disso, Washington D.C. é uma cidade majestosa, repleta de cultura e monumentos históricos.”

A ESG atua em sinergia também com o Ministério das Relações Exteriores e realiza trabalhos e fóruns multilaterais. “Essas atividades permitem aos estagiários avaliar as ações da diplomacia militar, além de ensejar a análise política e estratégica da segurança internacional e da defesa nacional”, ressaltou o Gen Ex Schons. “Também são realizadas atividades em conjunto com outras instituições congêneres, como o CID e a NDU.”

Tradição na formação de líderes

Segundo informações da Assessoria de Comunicação da ESG, desde sua criação, em 1949, a instituição já formou mais de 8.000 esguianos, entre oficiais das forças armadas, presidentes da república, ministros de Estado e outras personalidades. Além do CAEPE e do CAED, que são cursos anuais, a escola possui outros 11 cursos regulares de menor duração, todos na área de defesa, ministrados nos dois campuses da instituição, diplomando anualmente mais de 700 estagiários.

“A ESG tem cumprido seu papel de servir como palco de debates, estudos e seminários, envolvendo não apenas o corpo permanente, mas também autoridades governamentais e estagiários, profissionais detentores de excelentes currículos e experiências que podem agregar valor aos estudos na área de defesa nacional”, enfatizou o Gen Ex Schons. “A escola contribui na formação dos líderes que terão papel marcante na definição do conjunto de medidas e ações do Estado, com ênfase na expressão militar, visando à defesa do território, da soberania e dos interesses”, finalizou.

O CMG Calero exaltou ainda o caráter multidisciplinar dos estagiários que compõem a turma. “Está sendo possível criar uma rede de contatos que, seguramente, será de enorme valia para o futuro”, destacou. “Espero capacitar-me para não só prestar assessoramento de alto nível, mas também, quem sabe, assumir papéis de nível decisório na Marinha do Brasil.”

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