Militares brasileiros treinam para participar de exercício inédito nos Estados Unidos

O Exercício Culminating está planejado para ocorrer em 2020, no Centro de Treinamento de Prontidão Conjunta, um dos três centros de treinamento de combate do Exército dos Estados Unidos.
Andréa Barretto/Diálogo | 12 agosto 2019

Capacitação e Desenvolvimento

Militares do 25º Batalhão de Infantaria Paraquedista do Exército Brasileiro treinam para participar do Exercício combinado Culminating, nos Estados Unidos, em 2020. (Foto: Exército Brasileiro)

O segundo semestre de 2019 vai ser intenso para alguns militares das Forças Armadas do Brasil. É que se encontra em preparação o Exercício Culminating. Com o objetivo de treinar uma companhia de fuzileiros paraquedistas do Exército Brasileiro (EB), a atividade está marcada para acontecer em 2020 e representa o ápice de uma série de outras ações desenvolvidas pelo EB e pelo Exército Sul dos Estados Unidos (ARSOUTH, em inglês). Esse conjunto de ações faz parte de um plano quinquenal que visa estreitar as relações entre as forças armadas dos dois países e aumentar a capacidade de operarem juntas. O plano começou a ser elaborado em 2016 e vai se concluir em 2021, com a análise dos resultados do Exercício Culminating. 

Delegações dos Estados Unidos e do Brasil encontram-se em Brasília, em maio de 2019, durante a 6ª reunião de planejamento do treinamento para o Exercício Culminating. (Foto: Exército Brasileiro)

A fase prática de preparação dos militares que vão participar do Culminating teve início no primeiro semestre de 2019 com a Operação Arroio I, entre os dias 6 e 15 de maio. A Operação Arroio II foi executada entre os dias 3 e 14 de junho e até o final deste ano ainda estão previstos mais dois adestramentos desse tipo, além de dois em 2020, antes do exercício. 

Em maio ocorreu também a 6ª reunião de planejamento do treinamento para o Exercício Culminating, que trouxe a Brasília uma delegação norte-americana de cinco militares. A equipe se encontrou com a delegação do EB para acertar detalhes sobre as variadas demandas necessárias à realização da operação, além de definir requisitos operacionais, objetivos e prazos a serem alcançados durante o ciclo de preparação.

A tropa brasileira que será enviada aos Estados Unidos terá cerca de 200 militares do 25º Batalhão de Infantaria Paraquedista do EB, além de 16 militares de outras unidades do EB que vão atuar como observadores e controladores de adestramento, os chamados OCA. 

No Exercício Culminating, toda essa equipe vai estar junta e treinando ao lado de militares da 82ª Divisão Paraquedista do Exército dos EUAno Centro de Treinamento de Prontidão Conjunta (JRTC, em inglês). Esse é um dos três centros de treinamento de combate do Exército dos EUA, inserido em suas instalações de Fort Polk, Louisiana. Por lá passam anualmente milhares de militares de brigadas de combate dos EUA e unidades da Guarda Nacional. O local é conhecido pelo rigor de suas atividades, que tentam aproximar ao máximo o treinamento dos militares às complexidades reais de um conflito.

A Operação Arroio II colocou os militares em treinamento em duas fases, sendo a primeira uma simulação virtual e a segunda uma simulação em terreno. (Foto: Exército Brasileiro)

 Primeiro semestre

A Operação Arroio I contou com as orientações de quatro instrutores do JRTC, além de um representante do ARSOUTH. “A equipe norte-americana apresentou a metodologia utilizada pelo JRTC nesse tipo de exercício [de simulação e adestramento de tropa] e transmitiu experiências e práticas realizadas atualmente nesse centro”, informou o Centro de Comunicação Social do Exército [Brasileiro] (CCOMSEx). 

Esse primeiro treinamento teve a participação de 70 integrantes do25º Batalhão de Infantaria Paraquedista e 27 militares OCA. “Os OCA acompanham todas as atividades e registram as ocorrências para apontar, ao final, as melhores práticas e as oportunidades de melhoria”, explicou o EB.

O pelotão de paraquedistas e os OCA tiveram treinamentos em separado para, em seguida, participarem juntos do exercício simulado no terreno. Este incluiu o lançamento de paraquedistas e um assalto em terra, uma marcha para ocombate, um encontro com outra tropa que se deslocava em viaturas blindadas e um ataque a forças que faziam o papel de um inimigo, dentro de um ambiente simulado urbano. 

A Operação Arroio II reforçou essas mesmas atividades, apresentando novamente esses desafios aos militares em treinamento. Mas, antes da simulação no terreno, os militares participaram de uma simulação virtual, baseada em um cenário criado pelo software Virtual Battlespace 3. Essa ferramenta, que também é usada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, permite a criação de diferentes ambientes, levando os usuários a exercitar o planejamento, a comunicação e o processo decisório em um leque diversificado de cenários.

“Espera-se como produto dessas atividades a aquisição de conhecimentos para a tropa do EB que participará do Exercício combinado Culminating 2020, os quais proporcionarão subsídios que possam contribuir para a evolução do preparo da força terrestre brasileira em operações multinacionais”, concluiu o CCOMSEx.

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