Fuzileiros navais do Brasil, dos Estados Unidos e do Paraguai realizam treinamento

A Operação Formosa mobilizou 1.700 militares durante 15 dias de operações.
Taciana Moury/Diálogo | 1 novembro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Mais de 50 viaturas operativas foram utilizadas na Operação Formosa, que é o exercício mais importante do ciclo de adestramento dos fuzileiros navais. (Foto: Taciana Moury, Diálogo)

A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) da Marinha do Brasil (MB) esteve mobilizada no estado de Goiás, região central do Brasil, para a realização da Operação Formosa, a maior do ciclo de adestramento dos fuzileiros navais brasileiros. O exercício reuniu 1.700 militares do Brasil, dos Estados Unidos e do Paraguai no período de 21 de setembro a 3 de outubro de 2018, no Campo de Instrução de Formosa (CIF), pertencente ao Exército Brasileiro.

Os fuzileiros navais treinaram técnicas pré-hospitalares, adaptadas para a situação de combate. (Foto: Taciana Moury, Diálogo)

A Operação Formosa tem o propósito de manter as condições de pronto emprego dos fuzileiros navais. Para isso, é simulada uma operação anfíbia, com o emprego de armas e meios combinados dos fuzileiros navais de nações parceiras.

Embora a região do exercício seja de clima seco e esteja longe do mar, as dimensões do CIF possibilitaram o emprego terrestre e aéreo, além da utilização de armamento real. O lugar é a maior área de instrução do Brasil.

Aproximadamente 5.000 tiros de armamentos variados, inclusive com o lançador múltiplo de foguetes ASTROS foram realizados durante as 40 missões executadas. Duas aeronaves de caça A-4 Skyhawk, dois helicópteros UH-15 Super Cougar, dois helicópteros UH-12 Esquilo, 50 viaturas operativas e aeronaves remotamente pilotadas participaram da atividade.

Segundo o Capitão de Mar e Guerra (FN) da Marinha do Brasil Dirlei Donizete Codo, oficial de operações da FFE, durante o exercício o mar foi simulado numa carta para a orientação dos militares e os procedimentos treinados foram considerados a partir do desembarque. “Todo o poder naval é trazido para a terra”, explicou o CMG Dirlei. “Foi possível aperfeiçoar a coordenação entre as atividades combinadas, fundamental numa operação anfíbia.”

O CMG Dirlei avaliou que a edição de 2018 do exercício atingiu plenamente o objetivo proposto de capacitar os fuzileiros navais da MB para o pronto emprego. “É uma satisfação poder fazer parte de um treinamento tão eficaz com militares extremamente motivados”, revelou.

“A Operação Formosa é fundamental para o ciclo de adestramento dos fuzileiros navais, principalmente em relação à coordenação do apoio de fogo, da proteção e sincronia entre as aeronaves empregadas”, disse o Capitão de Mar e Guerra (FN) Luiggi Campany de Oliveira, chefe do departamento de Doutrina do Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) do Brasil. “Houve uma grande coordenação para que as aeronaves voassem ao mesmo tempo em que outras armas estavam sendo empregadas na mais perfeita segurança.”

Foi muito importante também a participação dos fuzileiros navais do Paraguai e dos Estados Unidos na operação. “Principalmente [a participação] dos norte-americanos, que são uma tropa de elite, desenvolvedores da mais importante doutrina. Todos ganham com essa troca de experiência”, declarou o Almirante de Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, comandante da Marinha do Brasil. 

Fuzileiros navais dos EUA auxiliam no treinamento

O CMG Luiggi destacou que o aprimoramento do emprego de armas combinadas teve grande apoio dos fuzileiros navais dos EUA, com larga experiência nesse tipo de atividade. Durante a operação, 15 militares norte-americanos estiveram presentes, ministrando oficinas de capacitação e participando das missões juntamente com os brasileiros.

A coordenação entre operações combinadas, aéreas e terrestres foi um dos destaques da Operação Formosa 2018. (Foto: Taciana Moury, Diálogo)

O Capitão de Corveta do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA James Richard Smith, que está realizando um intercâmbio de dois anos na FFE, participou pela segunda vez da Operação Formosa, mas, para os demais integrantes da comitiva, foi a primeira vez no país. O oficial disse à Diálogo que em 2018 os Estados Unidos ampliaram a participação na operação com um número maior de militares do que na edição de 2017.

Os fuzileiros navais dos EUA ministraram palestras sobre operações mecanizadas e técnicas de infantaria e auxiliaram no planejamento e na execução das atividades aero táticas. “Temos um piloto na nossa equipe, especialista neste tipo de missão, que atuou junto aos militares brasileiros nas operações combinadas com aeronaves”, revelou o CC Smith. “É um tema relevante quando se opera com meios diversos.”

Técnicas de primeiros socorros também foram ensinadas pelos norte-americanos, principalmente a utilização do torniquete, essencial num ambiente de conflito e que pode salvar uma vida. “Nós temos muita experiência em guerras reais, como no Iraque e no Afeganistão, e essa vivência foi compartilhada durante as oficinas”, explicou o oficial.

O CC Smith elogiou o profissionalismo e o adestramento dos seus contrapartes brasileiras. “É muito importante aprender e compartilhar informações com militares tão preparados”, enfatizou. “Temos um bom intercâmbio com o Brasil. O país frequentemente envia militares para os Estados Unidos, para participar de nossas manobras, e nós também sempre estamos presentes. Essa integração é muito positiva, principalmente para quando nós precisarmos trabalhar em conjunto.” 

Demonstração operativa

No último dia de operação, 3 de outubro de 2018, os participantes realizaram uma demonstração operacional de uma operação anfíbia, com uma síntese das principais atividades realizadas durante o período de treinamento. As ações simuladas incluíram: deslocamento em um terreno hostil; atendimento pré-hospitalar tático; procedimentos para descontaminação de agentes nucleares, biológicos, químicos e radiológicos; e verificação e acionamento de objeto suspeito pelo Grupo de Desativação de Artefatos Explosivos. “Todos os armamentos, explosivos e equipamentos utilizados foram reais”, disse o CMG Dirlei.

Também foram demonstradas atividades combinadas comuns em ataque anfíbio, como a infiltração por paraquedas, realizada pela Equipe de Reconhecimento, unidade do Batalhão de Operações Especiais da FFE, seguida de um ataque aéreo por aeronave de asas fixas. O Batalhão de Artilharia empregou uma salva de tiros por meio de suas baterias de obuseiros de 105 mm L118 Light Gun e a Bateria Lançadora Múltipla de Foguetes, composta por 12 viaturas, sendo seis viaturas lançadoras, três viaturas remuniciadoras, uma viatura de comando e controle, uma viatura meteorológica e uma viatura oficina, foi empregada para desarticular as reservas inimigas.

O Alte Esq Leal Ferreira enfatizou a importância do treinamento para os fuzileiros navais. “As operações anfíbias são a razão de ser dos fuzileiros e aqui foram demonstradas todas as etapas importantes de maneira exemplar”, disse à Diálogo. “Os nossos fuzileiros estão no nível dos melhores do mundo; além disso, a motivação e o orgulho de pertencer a um quadro tão seleto faz com que se superem nos exercícios e nas atividades reais.”​​​​​​​ 

O oficial destacou ainda o preparo logístico que uma operação com a complexidade da Formosa propicia. “Transportamos 144 viaturas militares e mais de 40 ônibus. O esforço logístico empregado, considerando que a cidade de Formosa fica há 1.600 quilômetros de distância da sede da FFE no Rio de Janeiro, aperfeiçoa nossa capacidade de mobilização”, destacou. “Além disso, aprimoramos a capacidade de operar longe da nossa base.”

O ciclo de treinamento do CFN finaliza com a Operação Dragão, que acontece em novembro, na praia de Itaoca, litoral do Rio de Janeiro. “É um complemento do que é exercitado na Formosa, só que privilegiando as operações marítimas e sem a utilização do tiro real, por uma questão de segurança para a população”, explicou o CMG Dirlei.

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