Marinha do Brasil instala sistema de monitoramento para combater crime organizado

A baía de Guanabara, na costa do Rio de Janeiro, é o foco do projeto-piloto de proteção das águas do litoral brasileiro.
Andréa Barretto/Diálogo | 14 setembro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Estas são as telas que fazem parte do sistema de informação instalado no Centro de Comando do Teatro de Operações Marítimo, unidade do Comando de Operações Navais no Rio de Janeiro. (Foto: Marinha do Brasil)

A Marinha do Brasil (MB) está desenvolvendo um projeto que acompanha em tempo real o tráfego de embarcações na baía de Guanabara, que alcança a zona leste da cidade do Rio de Janeiro, além de 14 municípios do estado. Rio de Janeiro se tornou um dos maiores centros do crime organizado brasileiro, sendo ponto de partida e de chegada de armas, drogas, além de ser palco de diversos outros ilícitos. A circulação dessas mercadorias se faz pelos meios terrestre, aéreo e marítimo.

“Até o final de 2018, a Marinha pretende concluir a instalação dos sensores fixos e das câmeras que compõem o sistema de monitoramento e controle”, declarou o Capitão-de-Fragata Rodrigo Pinheiro Padilha, da Divisão de Sistemas do Comando de Operações Navais da MB. Cerca de 70 por cento dessa estrutura, que também inclui radares, já está pronta. Os equipamentos estão sendo posicionados em pontos estratégicos da entrada e dos arredores da baía.

A operação dos aparelhos é remota, feita a partir de quatro centros de comando sediados em diferentes organizações militares da MB no Rio de Janeiro. Com isso, de acordo com o CF Padilha, é possível controlar e identificar atividades suspeitas em embarcações de grande e pequeno porte, as quais vêm sendo usadas principalmente à noite para fazer o transporte das mercadorias ilícitas, além de servir como meio de fuga de bandidos.

O projeto de monitoramento da baía de Guanabara foi iniciado em 2015 e empregado na segurança dos Jogos Olímpicos, em 2016. A experiência no Rio de Janeiro é o piloto de um programa muito mais abrangente, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), cujo objetivo é proteger os recursos minerais e áreas de pesca localizados em território marítimo de exploração exclusiva do Brasil. Estima-se que a região, chamada de Amazônia Azul, tenha cerca de 4,5 milhões de quilômetros quadrados.

Recursos materiais e humanos

A etapa inicial do SisGAAz inclui não só a conclusão da estrutura tecnológica de operação na baía de Guanabara, como também o estabelecimento de acordos para troca de informações com órgãos da segurança pública. A intenção é prover com dados concretos tanto os comandos militares quanto as instituições civis, a fim de aperfeiçoar as estratégias contra ações criminosas que usam a via marítima.

No final de julho de 2018, em uma operação apoiada pela MB, policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal localizaram e apreenderam 336 quilos de cocaína dentro de um barco pesqueiro. Três pessoas que se passavam por pescadores foram presas. “O material ilícito tem entrado pelas fronteiras por vias terrestres. A quadrilha, normalmente, recebe a mercadoria em São Paulo, de onde é transferida para o Rio através de embarcações pesqueiras”, contou Carlos Eduardo Thomé, o delegado que esteve à frente das investigações que levaram à apreensão da droga.

A lancha, modelo DGS 888 Raptor, foi entregue ao 1º Distrito Naval e está sendo empregada nas operações de combate ao crime na baía de Guanabara. (Foto: DGS Defense)

“A interoperabilidade é a palavra-chave do projeto-piloto”, afirmou o CF Padilha. O oficial explicou que o sistema desenvolvido pelas equipes de pesquisa e tecnologia da MB permite integrar e operar equipamentos de monitoramento não só da Marinha, mas também outras ferramentas de informação usadas pelas agências de inteligência e segurança, como a Polícia Federal e a Receita Federal.

“A ideia do projeto é otimizar o emprego das forças de segurança, por isso o desenvolvimento do suporte computacional”, disse o CF Padilha. Atualmente, a MB utiliza o contingente do Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, do Comando do 1º Distrito Naval e da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, dentre outras organizações militares, no monitoramento da baía de Guanabara.

Dentre esse pessoal estão integrantes do Grupamento de Mergulhadores de Combate, os chamados combatentes anfíbios. Esses militares são especializados em abordagem de embarcações e entram em ação principalmente em situações em que há resistência por parte da tripulação que está sendo investigada.

Agilidade

O conjunto de recursos disponíveis para os militares mobilizados no combate ao crime na baía de Guanabara foi incrementado também com o recebimento de uma nova lancha em julho de 2018. Essa embarcação, modelo DGS 888 Raptor, é blindada, veloz e dotada de grande capacidade de fazer manobras.

A DGS 888 Raptor foi adaptada às necessidades da MB pela empresa fabricante, como explicou o Capitão-de-Fragata da MB Fernando Ataíde de Melo, da Seção de Meios Distritais do Comando de Operações Navais. “A empresa adaptou o modelo da DGS 888 Raptor já existente, criando uma cabine estendida e blindada, para uma pequena tripulação de até seis pessoas, o que garante maior segurança da tropa durante as operações.”

A lancha está sendo usada pelo 1º Distrito Naval. Mais duas embarcações deste modelo já foram adquiridas e devem ser entregues ainda em 2018 à MB.

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