Porta-helicópteros HMS Ocean será incorporado à Marinha do Brasil

O porta-helicópteros adquirido da Marinha Real Britânica pode operar até sete aeronaves simultaneamente.
Taciana Moury/Diálogo | 5 julho 2018

Relações Internacionais

O porta-helicópteros HMS Ocean, designado na Marinha do Brasil como PHM Atlântico, pode operar até sete helicópteros simultaneamente. (Foto: Marinha Real Britânica)

Os militares da Marinha do Brasil (MB) foram para a Inglaterra para a incorporação do porta-helicópteros HSM Ocean adquirido da Marinha Real Britânica. O navio, designado na MB como Porta-Helicópteros Multipropósito (PHM) Atlântico, ostentou pela primeira vez o pavilhão nacional brasileiro durante a cerimônia de mostra de armamento, realizada no dia 29 de junho de 2018, no Reino Unido.

Mais de 300 militares da MB participam do processo de transferência e de trânsito do PHM Atlântico para o Brasil. Após a incorporação do navio à MB, o Centro de Treinamento da Marinha do Reino Unido vai ministrar exercícios operativos de preparação da tripulação brasileira para a condução do navio com eficiência. A previsão é a de que o navio chegue à Base Naval de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, no dia 25 de agosto.  

Segundo o Vice-Almirante Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, diretor de Gestão de Programas da MB, o processo de transição teve início no Brasil, com a capacitação dos militares em cursos específicos de preparação para pessoal embarcado e para a condução de operações aéreas. “No Reino Unido eles participaram de adestramentos e cursos oferecidos tanto pela marinha daquele país, quanto por empresas fabricantes dos principais sistemas e equipamentos do navio”, esclareceu o V Alte Petronio.

O porta-helicópteros também passa por uma preparação antes da incorporação à força naval do Brasil. Serviços de manutenção são realizados desde fevereiro, para garantir o recebimento do navio em plenas condições operacionais. “A execução desses serviços, bem como dos adestramentos e cursos, é supervisionada por um grupo multidisciplinar composto por 11 militares oriundos das diretorias técnicas e do centro de treinamento da Marinha do Brasil”, explicou o V Alte Petronio. 

Capacidade operacional da MB

O PHM Atlântico vai potencializar a ação da MB na projeção de poder sobre a terra, pelo mar e pelo ar, bem como no comando e controle de áreas marítimas. O novo navio vai ser o maior da força naval brasileira, com 203 metros de comprimento e capacidade para transportar 632 militares. A embarcação navega a uma velocidade de 15 nós, cerca de 30 quilômetros por hora, e possuiu uma autonomia de 8.000 milhas náuticas, quase 15.000 km.

A embarcação tem disponibilidade de pouso e de colagem na vertical para até 18 helicópteros, com operação simultânea de até sete aeronaves. “Todos os modelos de helicópteros da MB: Seahawk SH-16; Cougar UH-15, UH-15A e AH-15B; Lynx AH-11B; Esquilo UH-12 e UH-13; e Bell Jet Ranger III IH-6B, poderão operar a partir do porta-helicópteros”, esclareceu o V Alte Petronio.

“As características operacionais do navio asseguram um substancial incremento no adestramento e emprego dos militares, principalmente quanto às operações aéreas embarcadas e às operações anfíbias”, destacou o V Alte Petronio. “A Marinha do Brasil irá empregá-lo no contexto da sua missão, no preparo e emprego do poder naval.”

O Contra-Almirante da MB André Novis Montenegro, subchefe da Estratégia do Estado-Maior da Armada, destacou as potencialidades do navio para missões humanitárias. “Pode ser empregado também em missões estratégicas logísticas, transportando militares, munições e equipamentos”, declarou. Dispõe ainda de capacidade de navio hospital, visando apoiar uma força naval em operações de guerra naval, humanitárias ou de evacuação de pessoal.

Diferencial na região

O Brasil vai ser o único país da América Latina a contar com um porta-helicópteros em atividade. “Vamos ser referência em operações internacionais, missões de caráter humanitário, auxílio a desastres naturais e operações de manutenção da paz, pois contará com um navio apropriado especificamente para estas missões”, enfatizou o C Alte Montenegro.

O novo navio vai ser comandado pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra da MB Giovani Corrêa. O C Alte Montenegro explicou que o quantitativo de tripulantes que irá operar na embarcação está sendo definido. “No momento, o navio conta com uma tripulação reduzida denominada grupo de recebimento”, declarou.

Depois de incorporado, o PHM Atlântico vai ser o navio capitânia da MB, isto é, o principal da esquadra, onde estará embarcada a maior autoridade naval e seu Estado-Maior, que conduzirão o comando e controle das operações navais. Antes, ese posto era do porta-aviões São Paulo, desmobilizado em fevereiro de 2017.

De acordo com informações do Contra-Almirante Luiz Roberto Cavalcanti Valicente, diretor do Centro de Comunicação Social da MB, a construção de um novo navio aeródromo está definida como a terceira prioridade de obtenção de meios navais da MB, depois do Programa de Desenvolvimento de Submarinos e do programa de construção das corvetas Classe Tamandaré. O oficial aclarou que as aeronaves de asa fixa continuarão a operar a partir de bases terrestres.

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