Marinha do Brasil comanda força-tarefa multinacional no PANAMAX 2018

A operação reúne em 2018 representantes das forças armadas de 23 países, com o objetivo de treinar ações conjuntas de combate a ameaças fictícias.
Andréa Barretto/Diálogo | 8 agosto 2018

Relações Internacionais

Representantes do Estado-Maior multinacional se reuniram em uma atividade de planejamento do PANAMAX 2018, realizada na Cidade do Panamá, entre 24 e 29 de junho. (Foto: PANAMAX)

Nas proximidades do Canal do Panamá, na América Central, atos terroristas, pirataria e outras ações violentas praticadas por um grupo extremista afetam o trânsito de navios e impactam o comércio mundial. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas promulgou uma resolução estabelecendo uma força multinacional para restabelecer a segurança da navegação na região.

 Esse é o cenário simulado diante do qual se encontram os cerca de 300 militares que participam da edição 2018 do PANAMAX. Criada em 2003 pelos Estados Unidos, pelo Panamá e pelo Chile, a operação multinacional começou em 30 de julho e se estende até o dia 10 de agosto, com a presença de representantes de 23 países, incluindo três observadores.

 Entre eles está o Contra-Almirante Fernando Ranauro Cozzolino, comandante da 2ª Divisão da Esquadra da Marinha do Brasil (MB), que foi escolhido para chefiar o Comando da Força Marítima Componente Combinada (CFMCC) do PANAMAX 2018. Nesse cargo, o oficial tem a responsabilidade de chefiar o Estado-Maior composto pelos 300 participantes, “efetuando o planejamento realizado e tomando as decisões necessárias para o cumprimento da missão estabelecida, de acordo com os problemas militares simulados propostos pelo coordenador do exercício”, explicou o C Alte Cozzolino. A delegação brasileira no PANAMAX conta ainda com aproximadamente 20 militares das três forças armadas, que assumem diferentes funções no exercício.

 Em ação

 Os participantes da operação PANAMAX estão reunidos na Base Naval de Mayport, localizada na cidade de Jacksonville, Flórida. Ali, os integrantes do Estado-Maior do CFMCC têm em mãos 53 navios de diversas classes, como navios anfíbios, escoltas e lanchas de patrulha costeira. A maioria desse aparato existe unicamente de forma simulada, mas, em 2018, há também o emprego de equipamentos militares reais. “Alguns desses navios citados têm aeronaves e equipes de abordagem embarcadas”, afirmou o C Alte Cozzolino. Os militares, navios e aeronaves estão distribuídos em forças-tarefas, às quais são atribuídas missões específicas, de acordo com a área de operação em que são alocadas: Oceano Pacífico, mar do Caribe e interior do mar territorial do Panamá.

 Um dos objetivos gerais das equipes é retomar e manter a superioridade marítima, ameaçada pela fictícia Brigada dos Mártires da Libertação, como é chamada a organização extremista criada para representar a força inimiga no exercício PANAMAX. Além disso, os participantes devem buscar construir as condições necessárias para a atuação permanente de autoproteção por parte das forças de segurança do Panamá e do país fictício denominado Nova Centrália.

 A coalisão multinacional é formada por três outros comandos, além do CFMCC, para cumprir os objetivos da operação. O Comando da Força Aérea Componente Combinada é comandado por um oficial general da Força Aérea Brasileira; o Comando da Força Terrestre Componente Combinada é comandado por um oficial general do Exército Nacional da Colômbia; e o Comando da Força de Operações Especiais Componente Combinada é comandado por um oficial general da Marinha Argentina.

 Preparação

A preparação da delegação brasileira destacada para ir ao PANAMAX teve início em março de 2018. Para isso, a Escola de Guerra Naval (EGN) desenvolveu um programa especial de qualificação, voltado tanto para o C Alte Cozzolino, que assumiria o CFMCC, como para os demais integrantes da equipe.

 “Em um primeiro momento, foi utilizado um sistema de ensino à distância e, posteriormente, instrutores da EGN ministraram aulas presenciais sobre os principais tópicos do Processo de Planejamento da Marinha dos EUA”, contou o Capitão-de-Fragata da MB Bruno Pereira da Cunha, instrutor da EGN. O processo é uma das doutrinas aplicadas nos níveis operacional e tático para conduzir as operações militares no exercício PANAMAX.

 A qualificação foi encerrada em junho, com um encontro conduzido por instrutores da Escola de Guerra Naval dos EUA na sede da EGN, no Rio de Janeiro. Durante o evento, a intenção foi aprofundar o aprendizado sobre as doutrinas militares aplicadas no PANAMAX sobre os conceitos e teorias relacionados à guerra naval e sobre a estrutura militar naval estadunidense, entre outros temas.

 “Além do PANAMAX, a MB participa anualmente de diferentes operações e treinamentos multinacionais, e a soma das experiências conta em proveito não só dos militares participantes. Toda a expertise obtida nesses intercâmbios é utilizada no aprimoramento/atualização de nossa metodologia para ser repassado ao corpo discente”, afirmou o Capitão-de-Mar-e-Guerra da MB Rodrigo Metropolo Pace, instrutor da EGN. “No caso da operação PANAMAX, cujo foco encontra-se no Canal do Panamá, o estabelecimento de uma coalisão regional fortalece a capacidade da formação de soluções militares conjuntas, o que, indiretamente, contribui para a paz e estabilidade regional, principalmente nos assuntos referentes às ameaças assimétricas, desastres naturais e ajuda humanitária”, completou o C Alte Cozzolino.

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