Escola Naval da Marinha do Brasil faz intercâmbio nos Estados Unidos

Os aspirantes brasileiros conheceram instituições ligadas ao Corpo de Fuzileiros Navais norte-americano nas cidades de Washington, D.C.; Annapolis e Quantico.
Andréa Barretto/Diálogo | 27 novembro 2018

Relações Internacionais

A Academia Naval dos EUA foi uma das instituições visitadas pelos jovens aspirantes Yuri Henriques Silva (à esq.) e Gabriel Torres da Silva (à dir.), premiados com o intercâmbio pela Escola Naval da Marinha do Brasil. (Foto: Marinha do Brasil).

Motivação. Essa é a palavra que resume o resultado da experiência de intercâmbio dos dois alunos da Escola Naval da Marinha do Brasil (MB) junto a unidades do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

Os aspirantes Gabriel Torres da Silva e Yuri Henriques Silva conquistaram a viagem graças às suas colocações no ranking de desempenho entre os alunos do último ano de ensino da Escola Naval. Os jovens, que optaram por seguir carreira dentro do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) do Brasil, passaram cinco dias entre fuzileiros navais norte-americanos, de 27 a 31 de agosto. A Academia Naval dos EUA, a Escola Básica e o Museu Nacional do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA foram alguns dos pontos de parada dos aspirantes.

A iniciativa do intercâmbio com o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA é inédita na Escola Naval brasileira, instituição de ensino superior responsável pela formação de oficiais para os postos iniciais da MB. A parceria começou a ser construída em 2017, tendo como objetivo proporcionar uma nova oportunidade extracurricular aos alunos, com a intenção de que a experiência se repita nos próximos anos para estimular os futuros oficiais.

“Buscamos sempre premiar os primeiros colocados, uma vez que o Corpo de Fuzileiros Navais valoriza o desenvolvimento da liderança dos seus oficiais desde o início da carreira. Assim, são privilegiados os critérios baseados na meritocracia”, afirmou o Capitão de Mar e Guerra do CFN Luiggi Campany de Oliveira, chefe do departamento de doutrina da Escola Naval brasileira. 

Enriquecimento cultural

O roteiro de viagem teve como primeiro destino Washington, D.C., onde os aspirantes Torres e Henriques conheceram as instalações da Comissão Naval Brasileira e participaram de uma reunião sobre a organização, as atividades desempenhadas e a missão da comissão. Na capital norte-americana, os jovens também estiveram na Junta Interamericana de Defesa (JID), organização militar internacional voltada a países do continente americano, aos quais presta assessoria sobre temas militares e de defesa. O Brasil é uma das nações-membro da JID desde sua fundação, em 1942.

Em Washington, D.C., os aspirantes brasileiros assistiram a uma apresentação na Junta Interamericana de Defesa e conheceram ainda a Comissão Naval Brasileira. (Foto: Marinha do Brasil).

A segunda cidade visitada foi Annapolis, onde está localizada a Academia Naval dos EUA. Ali, os aspirantes brasileiros foram acompanhados por dois segundos-tenentes do Corpo de Fuzileiros Navais, que lhes apresentaram um informe sobre a organização, a missão, as atividades e a seleção dos fuzileiros navais dos EUA. “A troca de conhecimentos com esses oficiais nos auxiliou a montar um quadro comparativo dos oficiais recém-formados de ambas as escolas [a brasileira e a norte-americana]”, contou o Aspirante Torres.

Nessa mesma oportunidade, eles ainda assistiram a uma aula de navegação ministrada pelo Capitão de Corveta da MB Gustavo Cabral Thomé, que está servindo como instrutor de navegação na Academia Naval dos EUA. A programação em Quantico, última parada antes do retorno ao Brasil, foi a mais intensa, com visita a duas instituições americanas de ensino dos fuzileiros navais – A Escola Básica e a Universidade do Corpo de Fuzileiros Navais – e ao Museu Nacional do Corpo de Fuzileiros Navais.

“A Escola Básica é uma base que, dentre outras tarefas, conduz instruções aos novos oficiais visando à transmissão de todos os conhecimentos necessários ao desempenho da função de comandante de pelotão”, explicou o Aspirante Henriques. Já a Universidade do Corpo de Fuzileiros Navais tem cursos voltados para oficiais superiores, de forma semelhante ao Curso de Estado-Maior para Oficiais Superiores da MB. Conduzidos por fuzileiros navais norte-americanos, os aspirantes brasileiros conheceram as instalações dos dois locais e foram apresentados a conceitos, metodologia e conteúdos trabalhados entre os alunos dessas instituições.

Dentre todas as novidades da viagem, a mais marcante, segundo os aspirantes Torres e Henriques, foi o Museu Nacional do Corpo de Fuzileiros Navais. “Esse museu retrata de forma única o desenvolvimento da doutrina do Corpo de Fuzileiros Navais. De forma honrosa, são relembrados aqueles que sacrificaram suas vidas em prol dos ideais norte-americanos”, contou o Aspirante Torres.

Os aspirantes avaliaram a experiência com relação ao ganho de informações, ao desenvolvimento do idioma, à ampliação de conhecimentos e ao estímulo na carreira. “Além disso, foi uma grande oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a forma de emprego de uma das forças mais respeitadas de todo o mundo, que também é uma das fontes doutrinárias do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil”, disse o Aspirante Henriques.

Em dezembro, o Aspirante Torres e o Aspirante Henriques vão receber a patente de guarda-marinha, concluindo o ciclo escolar da formação na Escola Naval. No início de 2019, eles darão início ao ciclo pós-escolar, com duração de um ano. Nesse período, os jovens militares vão passar por estágios de qualificação na área profissional até chegar à viagem de instrução de guarda-marinha. Ao término dessa viagem serão finalmente nomeados segundos-tenentes fuzileiros navais, dando início à carreira em uma unidade operativa do CFN da MB.

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