Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil realizam Adestramento Básico de Equipe

A ADEST-EQ 2018, que aconteceu no Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia, no Rio de Janeiro, mobilizou 2.400 militares e deu início ao ciclo de adestramento dos fuzileiros navais.
Taciana Moury/Diálogo | 31 maio 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A qualidade do tiro foi um dos fundamentos adestrados durante a operação. No detalhe, os fuzileiros navais posicionam uma metralhadora calibre .50 na área do terreno. (Foto: Força de Fuzileiros da Esquadra, Marinha do Brasil)

A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil (MB) realizou no período de 21 de março a 23 de abril, no Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM), a edição de 2018 da operação Adestramento Básico de Equipe (ADEST-EQ 2018), o primeiro do ciclo de treinamentos da FFE. A operação tem o objetivo de capacitar os militares nos procedimentos básicos e individuais de combate e prepará-los para as demais operações ao longo do ano.

Na atividade fogo e movimento os grupos de combate se dividem por frações, para avançar ao terreno inimigo. (Foto: Força de Fuzileiros da Esquadra, Marinha do Brasil)

Quatro turmas de fuzileiros navais (FN), com aproximadamente 600 militares cada uma, participaram do treinamento em períodos separados. Segundo o Capitão-de-Fragata do CFN Dirlei Donizette Côdo, coordenador da ADEST-EQ 2018, a operação é a base da preparação dos FN; por isso o cuidado com a eficácia dos resultados durante as atividades. “São formadas e adestradas as pequenas frações que comporão os exercícios de maior complexidade. Caso a qualidade do exercício seja comprometida, fatalmente haverá reflexos para os demais adestramentos ao longo do ano”, explicou o CF Dirlei.

O Capitão-Tenente do CFN Gabriel Ferreira Mattos, comandante da 1ª Companhia do 1º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais – Batalhão Riachuelo –, integrou a terceira turma do exercício, que esteve no CADIM durante o período de 7 a 15 de abril. Para o oficial, a operação ajuda a nivelar o conhecimento básico dos FN. “Dentre os participantes estavam militares pertencentes à Divisão Anfíbia e ao Comando da Tropa de Reforço”, disse o CT Ferreira Mattos. “Foram realizadas, entre outras atividades, instruções de conduta de patrulha, orientação, primeiros socorros, operações militares em áreas urbanas, sobrevivência na selva, minas e armadilhas, natação utilitária, escola de embarcação e fogo e movimento”, revelou.

Importância do tiro individual

Segundo o CF Dirlei, cada atividade tem um objetivo específico. “A qualidade do tiro, da preparação físico-militar, da navegação terrestre, da natação e do emprego de viaturas blindadas são fundamentos essenciais aos FN”, destacou e acrescentou que o tiro real é um dos requisitos mais importantes. “Durante a ADEST-EQ 2018 foram realizados inúmeros exercícios com armamentos individuais e coletivos, com emprego de munição real, para que o combatente anfíbio esteja sempre pronto para usar com competência e eficiência seu armamento”, enfatizou.

Instruções com embarcação também foram ministradas aos fuzileiros navais que participaram da ADEST-EQ 2018. (Foto: Força de Fuzileiros da Esquadra, Marinha do Brasil)

Na área de treinamento, pistas simulam cenários reais de emprego da FFE em diversos tipos de operação. Alvos apropriados são posicionados em situações diversas, com o objetivo de testar e capacitar o FN a responder prontamente ao cumprimento das tarefas a ele impostas.

Um dos exercícios aconteceu na pista de aplicação de Grupo de Combate (GC). Segundo o CT Ferreira Matos, durante a atividade, cada grupo foi direcionado para a patrulha e a equipe de instrução criou situações similares às encontradas em um cenário de combate real, como emboscadas, ataques e feridos. “O objetivo foi o de avaliar a liderança do comandante do GC e o correto emprego da tática de ação imediata e das formações de esquadra de tiro para as variadas situações”, explicou.

Para o CF Dirlei, o grande diferencial da edição de 2018 foi a autonomia e a oportunidade que os líderes de pequenas frações tiveram para exercitar suas competências. “Utilizamos no treinamento uma embarcação de desembarque de carga geral, um helicóptero da Força Aérea Naval em prontidão, viaturas leves e pesadas, além de blindados M-113”, contou.

A ADEST-EQ 2018 envolveu militares de 17 organizações da FFE. De acordo com o CF Dirlei, foi necessário estabelecer uma estrutura logística para viabilizar o exercício. “Deslocar 2.400 pessoas para a Restinga da Marambaia implica um esforço de transporte terrestre e marítimo considerável, bem como o da montagem propriamente dita, com os requisitos inerentes a um exercício desta magnitude”, destacou.

O treinamento contribui tanto individualmente quanto por equipe na preparação dos FN para desempenharem adestramentos nos níveis de subunidade (SU), ou seja, uma companhia, e de unidade (U), ou seja, um batalhão. Um batalhão ou unidade pode ter mais de uma companhia ou subunidade. “O emprego eficaz das SU e U, em primeira instância, está diretamente ligado ao grau de preparo das pequenas frações”, enfatizou o CF Dirlei. “Além disso, contribui para a atuação dos fuzileiros navais durante a execução da missão, tanto para a proteção de nossas fronteiras, quanto para o sucesso de todos os tipos de operação de que a FFE for determinada a participar”.

Segundo informações da FFE, o ciclo de adestramento dos FN, que inicia com a ADEST-EQ, continua ao longo de 2018 com várias operações. Entre elas está o SUBEX-INF, Exercício Básico de Subunidade de Infantaria, com foco nas operações terrestres e a ADEST-FER, preparação da Força de Emprego Rápido, que tem o objetivo de manter a prontidão operativa dos seus participantes. Também temos a Operação Formosa, considerada um dos maiores exercícios da FFE no Planalto Central, e a Operação Dragão, o mais completo treinamento dos FN e que envolve todas as fases de uma operação anfíbia.

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