Fuzileiros Navais do Brasil atuam na segurança do Rio de Janeiro

Os militares da Força de Fuzileiros da Esquadra realizam o patrulhamento em regiões do Rio de Janeiro e participam de operações terrestres e marítimas nas áreas mais inseguras.
Taciana Moury/Diálogo | 28 setembro 2018

Resposta Rápida

Os fuzileiros navais realizam o patrulhamento diário em vários pontos da cidade. (Foto: Marinha do Brasil)

Os Fuzileiros Navais (FN) da Marinha do Brasil (MB) participam das operações pela segurança da cidade do Rio de Janeiro desde 28 de julho de 2017, quando foi estabelecido o emprego das Forças Armadas para operações de garantia da lei e da ordem (GLO). Mas, a atuação dos FN foi intensificada após a instauração da intervenção federal no estado, ocorrida em 16 de fevereiro de 2018, por meio do Decreto nº 9288. 

Grande parte do acervo de equipamentos da Força de Fuzileiros da Esquadra está disponível para emprego nas operações de segurança, como por exemplo, as viaturas blindadas. (Foto: Marinha do Brasil)

Desde a intervenção até 31 de julho de 2018, já foram realizadas mais de 30 ações com a participação dos militares da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). Segundo o Vice-Almirante (FN) Paulo Martino Zuccaro, comandante da FFE, o incremento da participação dos FN foi proporcional à intensificação nas operações de cerco às comunidades do Rio de Janeiro, que passaram a ter também uma duração maior do que as realizadas em 2017.

Na intervenção federal, a gestão da segurança pública passou da esfera estadual para a federal, pois o General-de-Exército do Exército Brasileiro Walter Braga Netto, interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, está subordinado diretamente ao presidente da República. “Nos aspectos técnicos, as operações realizadas são semelhantes às de GLO ocorridas anteriormente nos outros estados”, explicou o V Alte Zuccaro.

Para a execução das operações de segurança realizadas após o início da intervenção, foi constituído um Comando Conjunto no Comando Militar do Leste, composto por oficiais das forças singulares, para a coordenação e o planejamento das ações de apoio ao Plano Nacional de Segurança Pública. Dentro desse contexto, a MB auxilia a Secretaria de Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro, por intermédio de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais (GptOpFuzNav).

“A atuação dos FN faz parte de uma grande engrenagem para o sucesso das operações como um todo. Ademais, podemos oferecer ao Comando Conjunto nossa capacidade anfíbia, uma grande vantagem quando a área de operação está contígua ao mar”, destacou o V Alte Zuccaro.

Atualmente, 300 militares da FFE realizam o patrulhamento diário pela cidade, em comunidades de maior insegurança na zona sul e no Complexo do Lins. Os FN também cuidam da segurança nas principais vias urbanas da Ilha do Fundão, na região da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Inicialmente, um GptOpFuzNav foi constituído para realizar uma variedade de ações em cada operação, tais como cerco, investimento, estabelecimento de posições de bloqueio, desobstrução de vias e patrulhamento. No entanto, em virtude do aumento no ritmo das operações após a intervenção federal, foi criado o Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais ARPOADOR-2018, específico para atender às necessidades das ações de GLO.

O Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN) Reinaldo Reis de Medeiros, comandante do Grupamento ARPOADOR-2018, explicou que a quantidade de militares pode variar de acordo com o tipo de operação. “Algumas mais complexas chegam a ter em média de 850 a 1.000 militares da Marinha”, exemplificou.

Operações terrestres e marítimas 

O cerco naval na Baía de Guanabara, realizado pelos fuzileiros navais no dia 29 de agosto de 2018, é uma das operações marítimas de segurança do Rio de Janeiro. (Foto: Marinha do Brasil)

Uma dessas operações foi realizada no dia 29 de agosto de 2018, no Complexo de Favelas do Salgueiro, no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, e reuniu mais de 2.500 militares das Forças Armadas e das polícias Federal, Militar e Civil. De acordo com informações do Comando Conjunto da Intervenção, além da operação terrestre, militares da MB, do 1º Distrito Naval e da Polícia Federal realizaram o bloqueio e o cerco naval na Baía de Guanabara, área marítima vizinha àquela onde ocorrem as ações terrestres.

“Estima-se que as ações beneficiem cerca de um milhão de pessoas, direta e indiretamente, abrangendo uma área terrestre de 32 quilômetros quadrados e uma superfície marítima de 61 quilômetros quadrados. Foram empregados dois navios, 10 embarcações, sendo uma lancha blindada”, disse a nota do Comando Conjunto.

O CMG Medeiros explicou que as capacidades e equipamentos da MB favorecem ações no ambiente marítimo. “Mas as operações realizadas até o momento foram em sua maioria terrestres”, revelou. Operações de demonstração de força, de cerco e ações dinâmicas de estabilização, de desobstrução de vias e de investimento e de isolamento e ações dinâmicas de estabilização são algumas das realizadas pelas Forças Armadas no Rio de Janeiro.

Praticamente todo o acervo de equipamentos da FFE está disponível para emprego nas operações de segurança. Participam também das operações no Rio os motociclistas militares, conhecidos como batedores, da Companhia de Polícia do Batalhão Naval. Os navios patrulha e as aeronaves de asas rotativas do Comando-em-Chefe da Esquadra e de outros setores do Comando de Operações Navais são utilizados quando necessários. 

Segurança da população 

Para o CMG Medeiros, um dos grandes desafios da operação no Rio de Janeiro é operar no ambiente urbano, junto à população civil. “A preocupação com danos colaterais à população impõe diversas preocupações e limitações, principalmente quando enfrentamos forças adversas que atuam de forma irregular, aproveitando-se dessa proximidade da população”, argumentou. “A segurança da população tem sido prioridade e requer adaptações, muitas vezes significativas, no modus operandi de forças militares.”

A segurança dos militares em operação é garantida por meio de uma cuidadosa preparação prevista no eixo de adestramento dos FN. São treinadas ações referentes às operações anfíbias, às operações ribeirinhas e ainda para emprego limitado da força, que engloba operações de paz, de GLO, de evacuação de não-combatentes e humanitárias. 

O V Alte Zuccaro disse que a atuação no Rio de Janeiro é uma excelente oportunidade para colocar em prática os conhecimentos e as técnicas desenvolvidas nos diversos adestramentos e exercícios e, ao mesmo tempo, adaptá-los à realidade das operações de GLO. “Permite um aperfeiçoamento no desempenho dos FN neste tipo de operação”, disse.

A expectativa para o segundo semestre de 2018 é manter o ritmo atual das operações, de acordo com o planejamento do Comando Conjunto. “Os fuzileiros navais são, por excelência, uma tropa expedicionária em permanente prontidão. Isso permite nosso imediato emprego, em diversos tipos de ambientes e missões, em qualquer local e com capacidade de adaptação a variadas condições”, finalizou o V Alte Zuccaro.

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