Exército Brasileiro recebe helicópteros modernizados para missões de reconhecimento e ataque

As aeronaves Esquilo são empregadas em três organizações militares do Exército Brasileiro para treinamento de militares e operações em todo o Brasil.
Andréa Barretto/Diálogo | 13 novembro 2017

Entre as mudanças realizadas nos novos modelos de helicóptero Esquilo está a conversão do painel analógico para o digital. (Foto: Capitão do EB Franco Ferreira, 1º BAvEx)

Em novembro, o Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx) e o 1º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx), vão receber, cada um, uma aeronave Esquilo modernizada. Esses helicópteros versáteis são demandados em diferentes tipos de missão em todo o país. “O [helicóptero] Esquilo é uma aeronave de pequeno porte, bastante flexível. A gente pode pousar até no quintal de uma casa, como ocorreu em uma operação de ajuda humanitária da qual eu participei”, contou o Capitão do Exército Brasileiro Leonardo Costa Castiglioni, piloto do 1º BAvEx.

O Exército Brasileiro iniciou a modernização das aeronaves em 2011. Até agora, foram entregues 16 helicópteros Esquilo atualizados. (Foto: 1º BAvEx)

O EB possui 36 aeronaves Esquilo, empregadas também pelo 3º Batalhão de Aviação do Exército. Esses equipamentos estão sendo modernizados um a um, desde 2011, por meio de um contrato firmado entre o EB e a empresa nacional Helibras. O objetivo do projeto de modernização dos helicópteros Esquilo é manter esses meios atualizados em relação aos avanços tecnológicos no campo aeronáutico. As mudanças nas aeronaves incluem a instalação de tecnologias de piloto automático, equipamentos de navegação digital, novo braço de armamento e novo sistema de comunicação. Desde 2011, 16 aeronaves foram entregues pela Helibras ao EB com essas novas capacidades, que conferem aos helicópteros uma vida útil suplementar de mais 20 anos.

Os Esquilo modernizados vêm sendo solicitados para a maioria das grandes operações ocorridas em 2017, além das efetuadas durante os Jogos Olímpicos de 2016. “Nas Olimpíadas, os Esquilos serviram como ferramentas de comando e controle, para fazer o monitoramento de determinadas regiões do Rio”, lembrou o Cap Castiglioni. “O comandante de operações ia a bordo para verificar do alto a situação do trânsito, por exemplo, de modo a passar as informações, por rádio, para as equipes que estavam embaixo conduzindo o deslocamento dos atletas”.

Nas Olimpíadas, em algumas ocasiões, os helicópteros foram usados também para o transporte de membros de delegações. As novas aeronaves Esquilo têm capacidade para três pessoas mais a tripulação, que em sua configuração básica é composta por um comandante de bordo, um copiloto e um mecânico de voo.

Acompanhamento da evolução tecnológica

De acordo com a sua visão de piloto, o Cap Castiglioni afirma que a maior vantagem da modernização dos helicópteros Esquilo foi a instalação do piloto automático. Essa novidade possibilita a programação prévia de uma sequência de ações, liberando o comandante e o copiloto para a execução de outras tarefas durante o voo.

“Dentro disso, outra mudança importante foi a aquisição de um GPS embarcado. Esse aparelho é integrado ao sistema de piloto automático e permite a gente navegar e operar de uma melhor forma”, declarou o Cap Castiglioni. “Por exemplo, agora eu posso fazer com que a aeronave seja conduzida pelo piloto automático para o local que eu quero, dentro de uma determinada altitude pré-estabelecida, sem que seja necessário ficar o tempo inteiro controlando isso.”

A tecnologia do piloto automático não existe nos modelos antigos do Esquilo, assim como os painéis digitais que caracterizam o novo sistema glass cockpit (cabine de vidro). “Nos helicópteros antigos, que ainda estão em operação no 1º BAvEx, as informações do painel de voo são analógicas. Agora, passam a ser digitais, apresentadas em telas LCD”, explicou o Terceiro-Sargento do EB Willian Jonathan de Oliveira Cruz, mecânico de voo da Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque do 1º BAvEx.

A modernização permitiu o aumento da tripulação do Esquilo, que agora integra um mecânico de voo, além do comandante de bordo e do copiloto. (Foto: 1º BavEx)atualizados. (Foto: 1º BAvEx)

Essas informações dizem respeito tanto ao posicionamento como à inclinação da aeronave, passando pelos dados referentes à navegação e à orientação espacial até às informações concernentes a panes nos sistemas de armamentos e de iluminação, entre outros. “O avanço com o painel eletrônico permite que a tripulação possa tomar decisões mais rapidamente e ser mais ágil em suas ações de voo, justamente porque as informações estão mais facilmente disponíveis e são mais precisas”, ressaltou o 3º Sgt Willian.

Mais um

Os mecânicos de voo fazem parte da tripulação dos novos helicópteros Esquilo, que antes não tinham capacidade para integrar esse profissional por conta do local onde estava instalado o braço de armamento dessas aeronaves. Com a modernização, mexeu-se na estrutura do helicóptero, deslocando o braço de armamento da parte dianteira, junto da cabine, para uma parte mais traseira da aeronave.

A mudança abriu espaço para o mecânico de voo, que acumula funções ligadas à manutenção básica – a exemplo de revisão geral da situação do helicóptero e abastecimento – e responsabilidades sobre a operação de câmeras de filmagem e de armamentos durante o voo, assim como ações de rapel e lançamento a partir da aeronave. O braço é o suporte que sustenta o armamento da aeronave. Esse acessório é operado pelo piloto. Os helicópteros Esquilo são equipados com metralhadoras .50 automáticas e lançadores de foguetes 70 mm. Já o mecânico de voo faz uso de metralhadoras laterais, que são acopladas à aeronave a depender da necessidade da missão.

Outros avanços

O Cap Castiglioni disse a Diálogo que o EB está realizando uma licitação para aquisição de um novo sistema de armamento para as aeronaves Esquilo, o qual deve se adaptar ao braço de armamento das aeronaves modernizadas. Com a novidade extra, será possível empregar uma maior gama de tipos de armas, como foguetes de outros calibres, mísseis e outros modelos de metralhadoras.

Dando continuidade à atualização dos helicópteros Esquilo, também é prevista a troca do chamado sistema olho da águia, o qual corresponde ao conjunto de ferramentas de captura e transmissão de imagens a partir da aeronave. “O sistema usado hoje é antigo, não contempla câmera de HD, e também é muito pesado. Nossa câmera atual pesa em torno de 70 quilos. Precisamos nos modernizar também nesse sentido”, concluiu o Cap Castiglioni.

 

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