Exército Brasileiro leva água a regiões atingidas pela seca

Batalhões logísticos do Exército Brasileiro no Rio Grande do Sul percorrem localidades para abastecer a população vítima da estiagem no extremo sul do Brasil.
Patrícia Comunello/Diálogo | 17 abril 2018

Resposta Rápida

Militares do 4º Batalhão Logístico de Santa Maria enchem um poço em uma comunidade no interior de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, Brasil. (Foto: Exército Brasileiro)

A atuação do Exército Brasileiro (EB) está sendo vital para aplacar a sede de milhares de habitantes de cidades que sofrem os efeitos da maior seca dos últimos seis anos no Rio Grande do Sul, o estado mais ao sul do Brasil. “Uma pessoa pode ficar 10 dias sem alimento, mas ficar mais de três dias sem água compromete a vida dela. Por isso, somos recebidos com alegria nas comunidades quando chegamos com água”, descreveu o Tenente-Coronel do EB Jetson Turquiello Machado da Silva, comandante do 4º Batalhão Logístico (BLog) da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, situada em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul.

O batalhão é um dos braços que está sendo estendido desde fevereiro de 2018 pelo EB para ajudar a Defesa Civil estadual na mitigação dos problemas gerados pela estiagem. A escassez de chuvas começou em dezembro de 2017 e se intensificou nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2018, e ainda mantém efeitos em parte dos municípios na porção sul, em uma faixa que compreende cidades que fazem fronteira com o Uruguai e a Argentina.

“Recebemos em uma quinta-feira o pedido da prefeitura de uma das maiores cidades atingidas, que era Caçapava do Sul, distante 260 quilômetros de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Na sexta-feira, buscamos mais detalhes com as autoridades; fizemos reconhecimento do terreno na segunda-feira e, na terça-feira, já tinha gente nossa indo para lá com o caminhão carregado de água para atender as famílias”, exemplificou o Ten Cel Jetson.

O 4º BLog atuou de fevereiro até 27 de março de 2018 no transporte de água para moradores de quase 20 localidades no meio rural de Caçapava do Sul. “Muitos dos locais são de difícil acesso, onde até as pontes são precárias. Levamos água para famílias pobres e até de classe média alta”, relatou o Ten Cel Jetson.

O trabalho dos militares envolvia duas rotinas ao longo da semana. Os dois caminhões do batalhão – um com capacidade de 18.000 litros e outro de 15.000 litros de água – eram abastecidos em reservatórios da Companhia Riograndense de Saneamento e depois se deslocavam para as comunidades. O combustível para os veículos foi fornecido pela prefeitura.

“Onde tinha caixa d’água, nós enchemos. Nossos homens combatem com muita alegria esta missão, que não é a nossa prioridade, mas é o apoio que sempre damos à Defesa Civil”, reforçou o Ten Cel Jetson. “Este tipo de iniciativa ilustra bem dois valores do EB: o braço forte e a mão amiga. No nordeste do país, por exemplo, temos a Operação Pipa, e aqui ajudamos quando somos chamados e dentro das nossas possibilidades”, completou.

Segundo a Defesa Civil, o fenômeno climático levou 24 cidades gaúchas, que somam mais de 541.000 habitantes, a decretar emergência. O órgão informou que os prejuízos na economia são estimados em R$ 1 bilhão (aproximadamente US$ 294 milhões), segundo cálculos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural. As maiores perdas financeiras ocorrem nas lavouras de grãos, como soja, o principal produto primário da economia gaúcha.

Caminhões-cisterna do Exército Brasileiro atendem bairros e comunidades no meio rural de Bagé, no Rio Grande do Sul. (Foto: Exército Brasileiro)

Bagé, que está mais perto da fronteira com o Uruguai, é a cidade que mais sofre com a seca em 2018. Para seus 122.000 habitantes, o racionamento de água ainda não tem prazo para encerrar. A população de bairros da cidade e localidades no meio rural se reveza em períodos com e sem água. O racionamento é de 12 horas por dia, mas a “mão amiga” do EB está presente na região.

“Vamos apoiar enquanto se mantiver a estiagem”, disse o General-de-Brigada do EB José Ricardo Vendramin Nunes, comandante da Brigada de Cavalaria Mecanizada (Bda C Mec), com sede em Bagé. “Em todo momento em que tem uma crise, como a escassez de água, estamos previamente autorizados a agir”, explicou o Gen Brig Vendramin, lembrando que a força também opera em situações de enchentes e cheias. “São os recursos do Exército colocados a serviço da população.”

O território onde a água virou item escasso é marcado por grandes extensões de terras, exploradas pela pecuária e agricultura. O Gen Brig Vendramin citou que os caminhões-cisterna do EB chegam a percorrer 60 km em um dia. “A falta de água impede que muitas crianças tenham aulas nas escolas rurais.”

O 3º BLog de Bagé, vinculado à 3ª Bda C Mec, também socorre moradores de municípios vizinhos, como Hulha Negra, Candiota e Pedras Altas. A água é captada de reservatórios do Departamento Municipal de Água, Arroios e Esgoto de Bagé. “Somente em cinco bairros de Bagé, 30.000 pessoas são beneficiadas diariamente por um dos nossos caminhões-cisterna, que tem capacidade para levar 24.000 litros”, apontou o Gen Brig Vendramin.

“Esta é a região mais afetada por desastres naturais no Rio Grande do Sul”, alertou o Major do EB Rinaldo da Silva Castro, do Estado-Maior da Brigada Militar do estado, que comanda a 6ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil. O Maj Castro se refere à área de 70 km², equivalente a 25 por cento do território do Rio Grande do Sul, onde estão os municípios que enfrentaram a estiagem até março ou ainda a registram.

O Maj Castro destacou que o principal apoio do EB é com o carro-pipa, pois “os municípios não têm os veículos e nem a experiência de enfrentar terrenos adversos no interior. Hoje o Exército é o ente federal mais preparado para ajudar em casos de desastre; por isso a corporação é imprescindível”, reconheceu. “Se não houvesse este apoio seria difícil que a água, item principal para a sobrevivência, chegasse às comunidades”, reforçou o Maj Castro.

O EB já tinha se engajado em outro socorro recente. Foi em julho de 2017, na maior cheia dos últimos 20 anos do rio Uruguai e efluentes, na fronteira com a Argentina. “A Força Armada nos auxiliou retirando moradores das casas inundadas, montando abrigos humanitários e ainda colocando em campo patrulhas móveis com médicos para atender doentes em diversos locais”, relatou o Maj Castro. “O apoio do Exército é formidável. Espero que a força esteja sempre de prontidão.”

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 9
Carregando conversa