Exército Brasileiro treina Polícia Militar do Rio de Janeiro

O treinamento do Exército Brasileiro à Polícia Militar tem como objetivo reduzir a letalidade durante situações de enfrentamento em zonas de conflito, garantindo maior segurança à população e aos próprios agentes.
Nelza Oliveira/Diálogo | 4 junho 2018

Capacitação e Desenvolvimento

O curso inclui proteção diante de ameaças de armas de fogo, progressão em grupo de maneira coordenada e segura e identificação das reais ameaças. (Foto: Divulgação da Assessoria de Comunicação Social do Gabinete de Intervenção Federal do Brasil)

O Exército Brasileiro (EB) iniciou em 12 de abril de 2018 um curso de reciclagem de 130 policiais do 14º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Bangu, no Centro de Adestramento Leste, na Vila Militar do bairro de Deodoro, zona norte do Rio de Janeiro. A expectativa é a de que todos os homens do 14º BPM participem da reciclagem, batizada de Estágio de Aplicações Táticas, mas o treinamento será levado a todos os policiais do estado do Rio de Janeiro. O Coronel do EB Roberto Itamar, porta-voz do Gabinete de Intervenção Federal, informou que os treinamentos ocorrem também no Depósito Central de Munição do Exército, no município de Paracambi, a cerca de uma hora do Rio de Janeiro.

“A cada semana, 130 policiais passam pelo treinamento, que tem 40 horas”, explicou o Cel Itamar. “A atividade foi iniciada pelo Batalhão de Bangu porque a unidade tem na sua área de atuação a Vila Kennedy, projeto-piloto da intervenção federal”, acrescentou.

A Vila Kennedy é o bairro onde ocorreu as primeiras ações do Gabinete de Intervenção Federal no Rio, iniciadas em julho de 2017, a partir do decreto de Garantia de Lei e da Ordem assinado pelo presidente Michel Temer, que autoriza os militares a atuar por um tempo limitado com poder de polícia, nos casos em que há o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública e em graves situações de perturbação da ordem. O prazo para a intervenção militar na segurança do Rio é até dezembro.

O objetivo do curso é o de preparar a Polícia Militar (PM) para garantir maior segurança à população e aos próprios policiais durante situações de enfrentamento em zonas de conflito no Rio de Janeiro. A prioridade é a de escolher policiais que são de áreas em que o EB está atuando no momento, para que a PM tenha possibilidade de dar continuidade à segurança após a saída das tropas ao fim da intervenção.

“Os policiais militares recebem de instrutores do Exército Brasileiro e do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar treinamento sobre manutenção, montagem e desmontagem de armamento, prática de tiro (pistola e fuzil) e atuação em ambiente hostil”, afirmou o Cel Itamar. “O treinamento inclui proteção diante de ameaças de armas de fogo, progressão em grupo de maneira coordenada e segura e identificação das reais ameaças.”

O treinamento oferecido pelo EB se aproxima da realidade pela utilização dos equipamentos mais sofisticados, por meio de dispositivos de simulação de engajamento tático. Equipamentos e armamentos utilizados nos exercícios têm um conjunto de receptores e emissores laser acoplados que sinalizam quando o agente foi atingido por um disparo e qual a gravidade do ferimento.

O treinamento abrange manutenção, montagem e desmontagem de armamento e prática de tiro com pistola e fuzil. (Foto: Divulgação da Assessoria de Comunicação Social do Gabinete de Intervenção Federal do Brasil)

Fortalecimento das PMs em todo Brasil

Em 2 de maio, após o lançamento do Estágio de Aplicações Táticas, o Governo Federal anunciou, o acordo Plano Nacional de Apoio e Fortalecimento das Polícias Militares entre os ministérios da Defesa e da Segurança Pública. A parceria prevê que o EB coloque à disposição das PMs do Brasil auxílios variados, como pessoal, capacitação, equipamentos e instrumentos de planejamento e inteligência.

Segundo a Assessoria de Comunicação do Ministério da Defesa, o treinamento será realizado com policiais de diversos estados da federação, onde, a critério de cada estado, policiais militares passarão por um processo de capacitação, considerado fundamental para assegurar a qualidade nos serviços de profissionais da área de defesa e segurança. “Com o conhecimento que o Exército vem adquirindo ao longo dos últimos anos, reforçado ainda mais com a participação do Brasil nas mais diversas missões de paz das Nações Unidas, poderemos contribuir de forma importante com a capacitação e com uma maior valorização desses profissionais, que colocam em risco suas vidas todos os dias, ao desempenhar a árdua missão de cuidar da segurança pública de nossas cidades”, explicou o General-de-Exército Joaquim Silva e Luna, ministro da Defesa do Brasil.

A gestão das parcerias será feita pela Inspetoria Geral das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares (IGPM), um órgão do EB que realiza há mais de 50 anos um trabalho voltado a ações de coordenação e controle das PMs e dos corpos de bombeiros militares. O plano tem o objetivo de incrementar a atuação da IGPM na capacitação e no aprimoramento das ações policiais, compartilhando recurso pessoal e material, em caráter emergencial e provisório. O primeiro passo da IGPM é fazer um levantamento para identificar as carências de cada PM do país.

Durante a cerimônia de lançamento, o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann alertou, no entanto, que cada instituição de segurança continuará com suas obrigações de manutenção e investimento, mas poderá contar com o apoio do EB, principalmente para ações de inteligência e planejamento. “Esse convênio coloca em linha o Exército Brasileiro, seus recursos, seu pessoal, sua expertise, suas instalações em linha com os policiais militares do Brasil. Isso representa um reforço extraordinário não só para o aperfeiçoamento das nossas polícias militares, mas representa a elevação do patamar de combate ao crime organizado e o fortalecimento da segurança pública”, afirmou Jungmann.

O investimento inicial é de R$ 5 milhões (aproximadamente US$ 1,4 milhão). A recomendação é de que o recurso seja utilizado prioritariamente para a capacitação. Haverá ainda uma linha de crédito de R$ 42 bilhões (aproximadamente US$ 11,5 bilhões) no Banco Nacional de Desenvolvimento, para ser usado ao longo de cinco anos na reestruturação das PMs.

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