Exército Brasileiro faz operações de fiscalização na fronteira

O Comando Militar do Oeste realiza operações contra o tráfico de drogas e outros crimes em regiões fronteiriças entre Brasil, Paraguai e Bolívia.
Andréa Barretto/Diálogo | 6 agosto 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Veículos com radares móveis pertencentes à frota da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada foram empregados durante a Operação Furacão, que concluiu a etapa técnica de testes do SISFRON no primeiro semestre de 2018. (Foto: Marcello Casal Jr., Agência Brasil)

Cerca de 600 militares do Comando Militar do Oeste (CMO) foram deslocados para áreas estratégicas da fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai durante a Operação Ágata Aço II, entre 18 e 21 de junho. Patrulhas nas estradas e postos de bloqueios de veículos foram executadas durante a operação, a fim de evitar e flagrar crimes transfronteiriços como o tráfico de drogas e armas, comuns nessa região.

 As iniciativas foram realizadas dentro de um modelo interagência, com a participação de agentes da Polícia Federal e de outros organismos dos setores de inteligência e segurança. Em abril de 2018, já havia ocorrido a Ágata Aço I. Operações dessa natureza, deflagradas de surpresa e por um período mais curto, devem ser ainda mais recorrentes no segundo semestre. “Outro ponto a ser destacado é a intensificação das operações de inteligência, aproveitando as potencialidades do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON)”, informou a assessoria de imprensa do CMO.

 A estrutura do SISFRON conta com radares fixos e móveis, equipamentos optrônicos (a exemplo de binóculos que permitem visão noturna), rádios, computadores e outros recursos de comunicação. Esses meios são aplicados ao longo dos 650 quilômetros que separam o estado brasileiro do Mato Grosso do Sul do território paraguaio. Essa faixa corresponde ao projeto-piloto do programa de monitoramento de fronteiras. A região integra a área de responsabilidade da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (4ª Bda C Mec), sediada na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul, e uma das principais organizações militares do CMO.

 Teste e prática

Durante a Operação Ágata Aço II, foram empregados principalmente equipamentos de comunicação que fazem parte do aparato do SISFRON. Os militares contaram com informações coletadas pelos radares fixos e móveis usados para monitoramento permanente de partes da fronteira. A 4ª Bda C Mec considerou os subsídios fornecidos pelos radares para a elaboração das estratégias de atuação.

Um membro do 17º Regimento de Cavalaria Mecanizado testa um blindado Guarani, um dos equipamentos do SISFRON usados em atividades de patrulhamento de fronteira, durante a Operação Ágata Aço II. (Foto: Agência Verde-Oliva, Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro)

 “Os equipamentos do SISFRON são usados intensamente para realizar o sensoriamento da área de responsabilidade, para acompanhar o fluxo de viaturas e de pessoas, para confirmar dados sobre determinadas instalações e sobre o terreno. Ou seja, esses equipamentos servem para aumentar a nossa capacidade de sensoriamento e de processamento das informações no âmbito da brigada”, detalhou o Coronel de Cavalaria do Exército Brasileiro Marcelo Rocha Lima, chefe do Estado-Maior da 4ª Bda C Mec. Com a Ágata Aço II, a organização militar concluiu uma série de testes que vêm sendo feitos nos instrumentos que compõem o SISFRON.

 Entre as atividades de teste desenvolvidas no primeiro semestre de 2018, o oficial destacou a Operação Furacão. Entre os dias 14 e 25 de maio, a ação mobilizou 850 militares da 4ª Bda C Mec e colocou em funcionamento todos os meios de que dispõe o SISFRON. “Foi uma operação inédita, que reuniu a simulação de diferentes situações em que a brigada pode ser empregada, tanto em cenário de guerra quanto de não guerra”, contou o Cel Rocha Lima.

 Na primeira semana da operação, as simulações de combate tiveram o objetivo de cumprir exclusivamente diagnósticos técnicos. Foram realizados testes de carga e testes dos rádios, entre outros, bem como a configuração dos equipamentos. Os dias seguintes foram dedicados às operações, quando os militares foram divididos em grupos, cada um com uma missão diferente. A intenção foi não só validar o emprego dos meios do SISFRON mas também treinar as tropas. “Ou seja, agregamos aos dados técnicos situações de simulação de combate para verificar o emprego operacional dos equipamentos”, explicou o Cel Rocha Lima.

 Um exemplo das missões entregues às tropas é o reconhecimento de zona, missão executada por militares do 10º e do 17º Regimento de Cavalaria Mecanizado, organizações subordinadas à 4ª Bda C Mec. Quinhentos militares percorreram estradas federais e locais até chegar à cidade de Laguna Carapã, Mato Grosso do Sul. A cidade fica a 65 km de Caarapó, onde estava o posto de comando, e localiza-se a aproximadamente 380 km do Paraguai. As tropas deslocaram-se em 148 veículos equipados com sistemas de comunicação como rádios e radares. “O sistema foi validado dentro de suas capacidades agregadas à brigada e essa foi uma ótima oportunidade tanto para o emprego do material quanto para o adestramento da tropa”, afirmou o Cel Rocha Lima.

 Expansão do SISFRON

De acordo com o Cel Rocha Lima, apesar do contingenciamento de recursos repassados às Forças Armadas do Brasil nos últimos anos, todas as ações que estavam programadas para ocorrer em 2018 foram executadas até agora. Em 2018, a 4ª Bda C Mec já recebeu novos equipamentos para o SISFRON e, além de ter realizado as operações, executou correções no projeto-piloto do programa, com base nas avaliações realizadas ao longo de 2017.

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