Blindados brasileiros 4x4: novas tecnologias para combater o crime

Estes veículos provêm proteção balística, velocidade e poder de choque.
Roberto Caiafa/Diálogo | 27 fevereiro 2017

Capacitação e Desenvolvimento

O LMV, na pista de testes em Sete Lagoas, no estado de Minas gerais, demonstra sua agilidade em subidas íngremes. Entre outras modificações, o carro recebeu um conjunto de lança-granadas fumígenas acima do parabrisa blindado. (Foto: Roberto Caiafa)

A Base Industrial de Defesa brasileira está desenvolvendo pelo menos três veículos blindados modernos, o LMV (Light Multirole Vehicle), o Guará 4WS e o Gladiador II, projetados e fabricados para cumprirem missões em cenários que podem variar do urbano ao sertão, das estradas a trilhas de terra.

O Guará 4WS foi apresentado oficialmente na LAAD 2016 e deverá estar pronto para produção no final do 1º semestre de 2017. (Foto: Roberto Caiafa)

O aumento da violência nas grandes cidades brasileiras tornou esses veículos praticamente indispensáveis em conflitos urbanos como um Equipamento de Proteção Coletivo. Nas fronteiras secas, esses veículos podem atuar como multiplicadores de força em regiões mais vulneráveis. Com o aumento do poder de fogo das quadrilhas e facções, inclusive com o emprego de metralhadoras pesadas montadas em camionetas e veículos do tipo SUV, usados em crimes fronteiriços transnacionais e ataques a bancos, tornou-se indispensável rever o equipamento disponibilizado às forças de segurança.

“Para os membros das Forças Armadas, a aquisição de um moderno blindado com capacidade expedicionária e grande confiabilidade de emprego já era uma demanda antiga e vista como muito necessária, especialmente no caso das tropas profissionais de pronto emprego”, observou o General-de-Brigada Guido Amin Naves, chefe do Escritório de Projetos do Exército.

“A prática anterior entre as forças de segurança, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, consistia na adaptação de veículos de entregas de valores (carros-fortes) para incursões em áreas de conflito dominadas pelas gangues do narcotráfico e milícias”, disse o engenheiro Paulo Roberto Bastos, especialista em veículos blindados. “Esses veículos adaptados carecem de uma boa resistência mecânica e balística e são incapazes de atuar em relevos íngremes das comunidades e favelas cariocas. Claramente, trata-se de um improviso que ainda é utilizado. A falta de um bom produto nacional levou as compras a serem feitas no exterior para atender às demandas dos eventos internacionais como a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016”.

O Iveco LMV, modelo M65E19WM, poderá alcançar a marca de 186 unidades produzidas no país, de um mínimo de 36 encomendadas para o Exército Brasileiro. Trata-se de um 4x4, com peso máximo de oito toneladas, capacidade de carga de uma tonelada e guarnição de cinco homens. O veículo cumpre requisitos de blindagem e especificações bélicas de sobrevivência para os tripulantes, sendo capaz de atuar em distintos terrenos, e pode ser empregado em missões policiais, de forças de paz internacionais ou como veículo militar multifunção leve.

Vistas internas del Gladiador II. El vehículo posee protección Spall-Liner y amplio espacio para cinco tripulantes. Los asientos son de tipo anticolisión, resistentes a las explosiones. (Foto: Roberto Caiafa)

O sistema de proteção dos militares embarcados é baseado em uma célula para a guarnição, com o restante do veículo sendo configurado em torno desta característica central; dessa forma, a energia residual proveniente de explosões se dissipa antes de causar danos críticos à tripulação. O tanque de combustível é preenchido com espuma supressora de explosões e a tampa de completamento do combustível está posicionada o mais longe possível das portas, reduzindo o risco em caso de incêndio.

O veículo usa pacotes de blindagem modular e pode receber um escudo protetor para a proteção contra minas anticarro. Os assentos não estão diretamente ligados ao piso, proporcionando uma capacidade de sobrevivência superior aos veículos utilitários leves convencionais e caminhões. A empresa responsável pela sua produção possui uma grande planta industrial responsável também pela fabricação de caminhões, utilitários leves e máquinas agrícolas. Tal escala de produção garante um alto nível de nacionalização dos componentes, através de uma grande rede de fornecedores nacionais.

O Guará 4WS, destinado ao emprego tático em operações especiais de forças de segurança em área urbana, é empregado no combate ao narcotráfico, contra assalto a bancos e carros fortes, ou quadrilhas que agem em áreas rurais. “o Guará 4WS possui um alto grau de componentes nacionais, o que facilita em muito qualquer desenvolvimento posterior”, disse Marcos Agmar de Lima e Souza, gerente de desenvolvimento de negócios da empresa que fabrica o veículo. “O cálculo estrutural é nosso, eliminando dependências externas, e isso significa menor custo de aquisição e um pós-venda muito eficiente, pois dominamos amplamente qualquer parte, componente ou estrutura do blindado”.

Sobre o conceito de eixo traseiro esterçante, Agmar esclareceu que nessa classe de viatura e para emprego policial, são pioneiros. “Esse tipo de sistema já existe em veículos mais pesados 6×6 de uso militar. Ainda estamos testando o carro, mas já verificamos ser possível ampliar o raio de esterçamento e o raio de giro do equipamento, para mais do que os seis metros atuais. O blindado emprega suspensão independente nas quatro rodas. Buscou-se usar o máximo de componentes comuns aos veículos da família Astros, amplamente testados e certificados. Isso diminui muito os custos e militares familiarizados com esses equipamentos terão enorme facilidade em se adaptar ao novo veículo. A certificação junto ao Exército é esperada para meados de 2017”.

O Gladiador II é o veículo mais recente a ser apresentado. Seu projeto utiliza motor diesel, câmbio automático de seis marchas e alcança velocidade máxima de 100 km/h em estradas pavimentadas, oferecendo proteção balística ampliada e avançados equipamentos. “A fábrica deverá iniciar a produção no segundo semestre de 2017”, disse Jairo Cândido, presidente da empresa que fabrica o veículo. “Destinado inicialmente ao uso militar, o projeto apresenta flexibilidade para reconfiguração do veículo, podendo atender a missões tão díspares como reconhecimento, posto de observação avançado, posto de comando, anticarro, morteiro, radar, oficina, ambulância e guerra eletrônica. O blindado possui nível balístico NATO STANAG 4569 Nível 2 e proteção para o assoalho NATO STANAG 4569 nível 2ª”, ele detalhou.

“O Gladiador II atende aos requisitos do Exército Brasileiro e foi totalmente projetado e construído no Brasil; utiliza blindagem desenvolvida com pesquisas de técnicos e cientistas brasileiros e pode facilmente ser modificado para outras versões destinadas às forças de segurança, à defesa civil ou às agências federais”, concluiu Cândido.

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