Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Programa Atleta de Alto Rendimento das Forças Armadas do Brasil continua a pleno vapor

Nas Olimpíadas Rio 2016, os atletas militares ocuparam lugar de destaque, conquistando 13 das 19 medalhas obtidas pelo Brasil.
Marcos Ommati/Diálogo | 26 outubro 2017

O Major Mauro David Cardoso Martins, comandante da Subunidade de Atletas de Alto Rendimento do Exército Brasileiro, é coordenador do PAAR na Escola de Educação Física do Exército, onde Diálogo o entrevistou. (Foto: Wagner Assis, Estúdio Cria)

O Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) do Ministério da Defesa do Brasil conta com cerca de 700 atletas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Em fevereiro de 2017, o Exército Brasileiro (EB) abriu novas vagas, disponíveis para desportistas que queiram ser incorporados ao programa e passar a integrar os quadros das Forças Armadas brasileiras.

Diálogo conversou com o Major do EB Mauro David Cardoso Martins, comandante da Subunidade de Atletas de Alto Rendimento do EB e coordena o PAAR na Escola de Educação Física do Exército, que faz parte do complexo desportivo militar de excelência de treinamento para atletas no Brasil, o Centro de Capacitação Física do Exército, localizado exatamente onde a cidade do Rio de Janeiro foi fundada, no bairro da Urca.

Diálogo: Quais foram as lições aprendidas sobre o Programa Atletas de Alto Rendimento para o EB após as Olimpíadas de 2016?

Major do Exército Brasileiro Mauro David Cardoso Martins, comandante da Subunidade de Atletas de Alto Rendimento do EB: O Programa Atletas de Alto Rendimento tem como objetivos representar as Forças Armadas e o Brasil em competições nacionais e internacionais, contribuir para o desenvolvimento do esporte nacional e reforçar a imagem da força terrestre no país e no exterior. Dentro deste conceito, acreditamos que todos estes objetivos foram atingidos nas Olimpíadas de 2016, com a participação de 145 militares do EB e a conquista de 13 das 19 medalhas do Brasil nos Jogos do Rio.

Diálogo: Em que ponto está o programa? Houve mudanças em comparação a 2016?

Maj David: Falando especificamente do Exército, o programa conta atualmente com 176 atletas – há vagas para 245 – em 18 modalidades, mesmo efetivo que possuía antes dos Jogos Olímpicos de 2016. Os objetivos continuam os mesmos e estamos visando a participação nos Jogos Mundiais Militares de 2019 e nos Jogos Olímpicos de 2020.

Diálogo: Por que é importante para o EB dar continuidade a este programa? E porque é importante para os atletas?

Maj David: O EB sempre apoiou o desporto nacional. A atividade física está no dia-a-dia do militar, que precisa ter um bom condicionamento físico e mental para estar preparado para o combate. O Programa Atletas de Alto Rendimento do Exército foi criado em 2009, com este novo formato, mas sempre tivemos excelentes atletas, como o Tenente Guilherme Paraense, primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em olimpíadas. Isso foi em 1920, nos Jogos da Antuérpia. Não podemos esquecer que Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, foi soldado do Exército, e João Carlos de Oliveira (João do Pulo), medalhista duas vezes em olimpíadas, foi sargento, entre outros. Por estes motivos acreditamos na importância do programa e na sua continuidade. Para os atletas, o programa é importante por ser mais um suporte para que eles consigam treinar e competir em alto nível. Como atleta militar, eles têm todos os benefícios de qualquer outro militar como: o direito à remuneração; atendimento médico, odontológico e fisioterápico; utilização das instalações desportivas; ter a sua imagem associada a uma instituição com credibilidade e confiança; agregar o tempo que permanecer no Exército para a aposentadoria, e muitos outros benefícios.

Diálogo: Como se dá o contato entre o EB e possíveis atletas para participar do programa?

Maj David: A seleção dos atletas é realizada através de um edital público com quatro etapas: análise do currículo desportivo, entrevista de recursos humanos, inspeção de saúde e exames físicos. A Comissão de Desportos do Exército Brasileiro realiza um trabalho minucioso de análise do panorama esportivo nacional e internacional e está em contato direto com as confederações e federações esportivas e clubes no intuito de selecionar os melhores atletas em atividade em cada modalidade.

Diálogo: O Brasil está enfrentando uma crise financeira que não dá tréguas há alguns anos. Isso afetou o programa? Quem arca com os custos?

Maj David: O PAAR não sofreu cortes de efetivo, mantendo a mesma quantidade de atletas que possuía antes dos Jogos Olímpicos de 2016. As verbas para pagamento dos integrantes do PAAR do EB vêm do Comando do Exército Brasileiro. Há, ainda, uma parceria do Ministério da Defesa com o Ministério do Esporte para a organização e participação em algumas competições internacionais.

Diálogo: O Brasil ficou em primeiro lugar quando sediou os Jogos Mundiais Militares em 2011 e em segundo em 2015, na Coreia do Sul. Qual a previsão para os Jogos de 2019?

Maj David: Temos a previsão de ficar entre os três primeiros em 2019.

Diálogo: Algum outro país já entrou em contato com o EB para receber ajuda e implementar um projeto semelhante?

Maj David: Não recebemos – ainda – pedidos de apoio deste tipo, mas sabemos que muitos países têm projetos parecidos como o nosso, como Itália, Alemanha, França, Hungria, República Tcheca, entre outros.

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