Paraquedismo da FAB é destaque na América Latina

A equipe Falcões da Força Aérea Brasileira conquistou o Campeonato Latino-Americano de Paraquedismo na Argentina.
Taciana Moury/Diálogo | 23 janeiro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A equipe Falcões, da Força Aérea Brasileira, é o campeão do salto livre da América Latina. (Foto: Segundo-Sargento da FAB Bruno Batista, Agência Força Aérea)

O salto livre da Força Aérea Brasileira (FAB) fechou o ano de 2017 com o melhor desempenho dos últimos anos. A equipe Falcões trouxe para o Brasil o título inédito de campeã latino-americana de paraquedismo, ao vencer a competição realizada em Córdoba, na Argentina. Os militares da FAB, quatro relativistas (os que desafiam a gravidade) e um cameraman foram vencedores na modalidade de Formação em Queda Livre (4-way), onde concorreram com atletas da Argentina, do Chile, da Guatemala e do Equador.

A equipe Falcões foi vencedora na modalidade de Formação em Queda Livre no Campeonato Latino-Americano de Paraquedismo na Argentina. (Foto: 1º Tenente da FAB Enilton Kirchhof, Agência Força Aérea)

Segundo o Major da FAB Diego Gabriel da Silva, chefe da equipe Falcões, o principal diferencial durante a competição foi a paciência. “Chegamos à Argentina com uma alteração recente na equipe de salto 4-way e sabíamos que em vários momentos sofreríamos dificuldades em relação ao entrosamento dos atletas”, revelou. “Então, ter calma neste momento foi fundamental para que esperássemos a hora certa de nos movimentarmos, ampliando sobremaneira nossa comunicação visual durante o voo”.

Os atletas militares da FAB atingiram 146 pontos em 10 rodadas, superando os demais times. O resultado positivo foi conquistado com muito treinamento e dedicação. “Antes de qualquer competição, sempre repassamos os pontos básicos da modalidade, para evitar falhas. Também ficamos atentos às regras de cada prova, seja ela civil ou militar”, disse o Maj Gabriel, e acrescentou que a conquista é um marco para os Falcões e para a história desportiva da FAB.

História

A FAB participa de campeonatos militares de paraquedismo desde 1976, mas a equipe Falcões existe há 10 anos. Atualmente, 30 militares integram a equipe, entre atletas e pessoal de apoio. “Na Força Aérea, os militares não possuem dedicação exclusiva, a exemplo do que acontece nas equipes de salto livre do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil. Eles são convocados pela Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA) e se deslocam das suas unidades para os locais de treinamento”, explicou o Maj Gabriel.

Para fazer parte da equipe de salto livre da FAB, é necessário ao militar declarar o interesse ao seu superior hierárquico e participar do treinamento. “A aprovação para o ingresso é analisada pelo vice-presidente da CDA. Depois disso, o atleta passa por um treinamento e realiza saltos para a observação da sua aptidão e evolução. Quando surge a necessidade de novos integrantes na equipe, a comissão técnica da Falcões formaliza o convite ao militar interessado para que integre o time por um período de um ano. Se autorizado pela chefia, o militar entra para a equipe”, revelou o Maj Gabriel.

Os atletas da FAB alcançaram 146 pontos em 10 rodadas. (Foto: Segundo-Sargento da FAB Bruno Batista, Agência Força Aérea)

O oficial disse que o adestramento dos atletas acontece em dois momentos. Nas unidades militares fazem uma preparação aeróbica e anaeróbica, principalmente no aparelho chamado pela equipe de “geringonça”, que consiste em vestir um equipamento pendurado em um elástico para treinar repetidas pisadas em um prato eletrônico, simulando a chegada com paraquedas na modalidade de Precisão de Aterragem. “Em missão, os atletas realizam saltos nas modalidades de Precisão de Aterragem, Formação em Queda Livre e Estilo do nascer ao pôr do sol. Dia sim, dia não, realizam corridas em torno de 25 minutos em ritmos medianos, após o término dos saltos”, contou o Maj Gabriel.

Na equipe, cada integrante é preparado para atuar em uma função específica. “O Front (ou Point) [Dianteiro] é o que voa ligeiramente mais alto que os demais do time, se encaixa nas formações, na maioria das vezes outfacing [de costas], e compõe a peça de cima dos giros de blocos verticais juntamente com o Outside Center [Central Externo]. Esse realiza os movimentos mais complexos e define o centro de grande parte das figuras, com movimentos infacing [de frente] e outfacing. O Inside Center [Central Interno] é o responsável pelo ritmo do time e realiza grips [aproximação] geralmente infacing, além de administrar os sinais da maioria das figuras. O infacing forma a peça de baixo dos giros de blocos verticais juntamente com o Back [Posterior], que voa ligeiramente mais baixo do que os demais do time e se encaixa nas formações”, revelou o Maj Gabriel.

Os Falcões participam de demonstrações em eventos militares e civis no Brasil, além de representar o país nos principais campeonatos nacionais e internacionais do setor. A equipe esteve presente nos campeonatos mundiais militares desde 2013 e faz parte do Programa de Alto Rendimento (PAAR) do Ministério da Defesa.

Programa de Alto Rendimento

Segundo informações do Ministério da Defesa, atualmente 652 atletas, sendo 552 do quadro de militares temporários e 75 de carreira, compõem o PAAR, uma parceria dos ministérios da Defesa e do Esporte. O paraquedismo é uma das sete modalidades que são especificamente militares, como cross country, lifesaving, orientação, pentatlo aeronáutico, pentatlo militar e pentatlo naval. Mas, o PAAR inclui um total de 41 modalidades; dessas, 34 são olímpicas, como atletismo, badminton, futebol, ginástica artística, nado sincronizado e natação.

Os atletas militares brasileiros já estão treinando com foco nos VII Jogos Mundiais Militares, em 2019, e rumo à Olimpíada de Tóquio, em 2020. Para isso, o Departamento de Desporto Militar (DDM) do Ministério da Defesa tem promovido a participação militar brasileira em eventos esportivos de alto nível. “Desde 2008, temos conduzido um trabalho mais sistemático de apoio ao esporte nacional e muito disso se viu nas Olimpíadas Rio 2016, mediante a conquista de 13 das 19 medalhas que o Brasil obteve”, disse o Vice-Almirante do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil Paulo Martino Zuccaro, diretor do DDM, em matéria publicada no site do Ministério da Defesa.

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