Instrutores da Força Aérea Brasileira são premiados nos Estados Unidos

Uma equipe de instrutores da Força Aérea Brasileira na Academia Interamericana das Forças Aéreas foi premiada no Programa Internacional de Intercâmbio de Instrutores da Força Aérea dos EUA.
Taciana Moury/Diálogo | 14 fevereiro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Instrutores brasileiros da FAB foram destaques no prêmio Melhor Instrutor Estrangeiro do ano de 2017. O Major Aviador da FAB Allan Buch Sampaio (à dir.) foi um dos premiados. (Foto: Força Aérea Brasileira)

Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) foram destaques durante sua missão na Academia Interamericana das Forças Aéreas (IAAFA, em inglês), localizada na Base Conjunta de San Antonio-Lackland, Texas. O Major Aviador da FAB Allan Buch Sampaio, o Suboficial da FAB Adalberto Bruzzio e o Suboficial da FAB Ed Willy S. Oliveira conquistaram o prêmio Melhor Instrutor Estrangeiro 2017, do Programa Internacional de Intercâmbio de Instrutores da Força Aérea dos EUA (USAF, em inglês).

O Suboficial da FAB Ed Willy S. Oliveira (à dir.) conquistou o prêmio Melhor Instrutor Estrangeiro 2017 pelo seu desempenho no curso Gerenciamento de Recursos para Manutenção Aeronáutica, na IAAFA. (Foto: Força Aérea Brasileira)

A premiação, promovida pela IAAFA, ainda teve outro oficial brasileiro premiado, o Tenente-Coronel Aviador da FAB Tony Gleydson. O oficial conquistou o primeiro lugar do curso Instrutor do Comando Aéreo de Educação e Treinamento (AETC, em inglês).

A missão da equipe de instrutores brasileiros na IAAFA é fruto de um convênio bilateral firmado entre a FAB e a USAF. O programa foi iniciado em 2012 e tem validade de 10 anos, com cláusula de renovação. “Teremos instrutores brasileiros até, pelo menos, 2022”, disse o Maj Buch à Diálogo.

Bons resultados de instrutores brasileiros não são novidade. O Coronel Aviador da FAB Pedro Henrique Cavalcanti de Almeida, primeiro oficial brasileiro a participar do intercâmbio, no período de 2012 a 2014, na época como tenente-coronel, também recebeu a premiação de melhor instrutor estrangeiro.

Segundo informações da Agência Força Aérea da FAB, os cursos na IAAFA são realizados três vezes ao ano e, durante cada ciclo, o desempenho técnico dos instrutores é avaliado segundo os critérios do AETC da USAF. E nos meses de maio, setembro e dezembro, dois instrutores, um da USAF e um estrangeiro, são premiados por obter o melhor desempenho na avaliação como instrutor nas categorias USAF e Instrutor Convidado de Nações Parceiras, respectivamente.

Instrução

O Maj Buch ministra o Programa Interamericano de Oficial de Esquadrão (ISOS, em inglês), na IAAFA. É uma versão exata do curso de educação profissional militar para capitães que acontece na Universidade do Ar da USAF, localizada em Montgomery, Alabama. “A única diferença é que o idioma oficial das aulas na academia interamericana é o espanhol, porque o nosso público alvo são líderes de países da América Latina. Mas contamos também com capitães da USAF que são selecionados em um competitivo processo interno para realizar o seu curso de carreira na IAAFA”, explicou o Maj Buch, que fica na missão até julho de 2018.

“Apesar de ser uma academia das forças aéreas, a instituição recebe muitos alunos do exército, da marinha, do corpo de fuzileiros navais, das policias nacionais e de outras agências governamentais de segurança pública. Essa diversidade de países e experiências é o que torna o programa ISOS tão interessante”, revelou o Maj Buch e acrescentou que o programa também tem a presença de alunos de outras nacionalidades, fora da América Latina, como em 2017, que teve um angolano. “Isso mostra que o curso está projetando a sua reputação para outras áreas além da área de operação do Comando Sul”.

As instruções dos militares da FAB na IAAFA compreendiam atividades teóricas e práticas. (Foto: Força Aérea Brasileira)

Segundo o oficial, o currículo do ISOS está edificado em cinco pilares de estudo: comunicação, liderança, segurança internacional, profissão das armas e o poder aeroespacial, dos quais derivam todas as discussões guiadas e atividades práticas. O Maj Buch destacou que o segredo de uma boa instrução é compreender que cada aluno traz consigo diferentes experiências e conhecimentos. “Entender essa diversidade de comportamentos é fundamental para guiar boas discussões. A empatia e o respeito à pluralidade de ideias são também fundamentais. Além disso, é preciso saber aliar o rigor acadêmico com o ambiente leve das discussões e a formalidade da avaliação com atividades menos formais”, revelou.

Já o SO Willy, especialista em manutenção de aeronaves, tem a missão de ministrar aulas no curso Gerenciamento de Recursos para Manutenção Aeronáutica. As aulas são realizadas nas instalações do 318º Esquadrão de Treinamento, um dos esquadrões da IAAFA, e os estudantes são alunos das diversas forças armadas e órgãos de segurança que utilizem meios aéreos de todos os países da América Latina. “Neste curso, ministro aulas sobre os temas de liderança, doutrina de manutenção, logística e operações na linha de voo”, disse o SO Willy.

O suboficial, que continua no país até março de 2019, disse que o conhecimento do tema e a dedicação nas aulas são ferramentas essenciais para o desenvolvimento de um bom trabalho. “Estive por cinco anos na sessão de instrução do Primeiro Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação no Brasil e participei como instrutor do curso Preparação de Tripulantes Instrutores de Voo, no Grupo de Instrução Tática Especializada. Estas experiências no Brasil formam a base do conhecimento que aplico nas instruções aqui nos Estados Unidos”, revelou.

Reconhecimento            

O SO Willy disse que o prêmio é um reconhecimento internacional, além de ser uma honra poder representar o seu país e a FAB numa instituição como a IAAFA. “É o coroamento do trabalho desenvolvido ao longo dos meus 26 anos de carreira”, concluiu.

“Para nós, representantes da FAB na IAAFA, receber essa honraria nos três ciclos acadêmicos do ano de 2017, competindo com profissionais de alto nível de outros cinco países, reflete o nível de conhecimento profissional dos nossos instrutores e a dedicação ao cumprimento da missão adquiridos ao longo de anos de serviço à Força Aérea Brasileira, baseados nos valores intrínsecos da nossa instituição”, disse o Maj Buch. “Sou muito grato ao conhecimento e treinamento recebido na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica(EAOAR), organização militar da FAB em que eu trabalhava quando fui designado para essa missão. Esse prêmio é em grande parte devido a eles”, revelou.

O Maj Buch explicou que a premiação segue dois critérios. O primeiro é puramente técnico, quando os instrutores participantes são avaliados em uma aula formal; o segundo critério é o trabalho desenvolvido fora da sala de aula. “O rigor e profissionalismo das aulas na EAOAR, onde fui instrutor, me prepararam para a avaliação técnica. Sobre o desempenho profissional, a confiança do meu comandante em permitir que eu assumisse responsabilidades que normalmente são atribuídas somente ao pessoal da USAF, alavancou a minha avaliação de desempenho”, contou o Maj Buch.

A IAAFA foi inaugurada no ano de 1943. A organização, com 75 anos de história, tem por missão incrementar o intercâmbio entre 22 países da América Latina, por meio da disseminação do conhecimento técnico e militar em 32 cursos de formação. Além dos instrutores da USAF, a instituição conta com 11 instrutores convidados de seis países da América Latina: Brasil, Argentina, Colômbia, El Salvador, Paraguai e República Dominicana, incluindo a primeira mulher piloto de combate da República Dominicana.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 11
Carregando conversa