Força Aérea Brasileira realiza exercício operacional em cenário de guerra irregular

A segunda edição do Exercício Operacional Tápio reuniu 600 militares e teve como destaque missões no período noturno.
Taciana Moury/Diálogo | 5 agosto 2019

Capacitação e Desenvolvimento

A segunda edição do Exercício Operacional Tápio mobilizou 50 aeronaves entre aviões e helicópteros. (Foto: Segundo-Sargento da Força Aérea Brasileira Bruno Batista)

A Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizou na cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, 600 militares e 50 aeronaves, entre aviões e helicópteros, de cerca de 30 esquadrões aéreos, na realização da segunda edição do Exercício Operacional Tápio (EXOP Tápio). A atividade, que aconteceu de 23 de abril a 17 de maio de 2019, na Ala 5, teve o objetivo de adestrar a tropa para um cenário de guerra irregular, onde o conflito não acontece entre Estados constituídos e suas forças armadas, mas entre grupos insurgentes, paramilitares e de resistência.

O treinamento noturno foi uma das novidades da edição de 2019. (Foto: Cabo da Força Aérea Brasileira André Feitosa)

A intenção do Comando de Preparo (COMPREP), idealizador do exercício, foi adestrar os meios aéreos e terrestres subordinados em diversas ações de força aérea, dentro de um cenário próximo ao real. O EXOP Tápio tem características semelhantes às encontradas pela Organização das Nações Unidas nas missões de paz.

Aproximadamente 700 missões foram realizadas em 25 dias de operação, incluindo Apoio Aéreo Aproximado; Controle Aéreo Avançado; Guiamento Aéreo Avançado; Escolta, Infiltração e Exfiltração Aérea; Busca e Salvamento em Combate; e Defesa Antiaérea. Além das aeronaves da FAB, foi empregada no exercício uma aeronave da Marinha do Brasil.

Também foram utilizados os meios operacionais do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, da Brigada de Defesa Antiaérea e dos Grupos de Defesa Antiaérea, todos da FAB. O Exército Brasileiro esteve presente com militares da Brigada de Infantaria de Paraquedistas e do Comando Militar do Oeste. “Oficiais da Força Aérea dos Estados Unidos acompanharam o exercício, principalmente as atividades de Apoio Aéreo Aproximado”, disse o Coronel Aviador da FAB André Luiz Alves Ferreira, codiretor do exercício e chefe da Divisão de Controle do Preparo Operacional do COMPREP.

Treinamento noturno

O grande diferencial da edição de 2019 foi o emprego da Operação Aérea Composta (COMAO, em inglês) no período noturno. Também conhecida como pacote, a COMAO envolve várias aeronaves e esquadrões numa única missão com ações simultâneas. “As ações envolveram dezenas de aeronaves, a maior parte utilizando os óculos de visão noturna – NVG [do inglês, Night Vision Goggles]. Os resultados foram excelentes, demonstrando uma sólida evolução operacional e doutrinária de nossas unidades”, ressaltou o Cel André Luiz.

As equipes de busca e salvamento em combate aprimoraram as técnicas de Atendimento Pré-Hospitalar Tático durante o exercício. (Foto: Cabo da Força Aérea Brasileira André Feitosa)

De acordo com a Agência Força Aérea, durante o EXOP Tápio, cada pacote realizado teve a participação de pelo menos 100 militares e até 30 aeronaves de desempenhos diferentes. O objetivo do exercício combinado é a integração das aeronaves de forma sinérgica, segura e complementar, considerando as doutrinas e as peculiaridades de cada aviação.

O Tenente Coronel da FAB Luciano Antonio Marchiorato Dobignies, comandante do 2º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação - Esquadrão Pelicano, destacou a importância das missões compostas no período noturno. “[Isso] possibilitou o aprimoramento do treinamento de Atendimento Pré-Hospitalar Tático (APHT) para os militares das equipes de resgate, fruto dos aprendizados da edição anterior do exercício”, disse.

O Esquadrão Pelicano participou com a aeronave SC-105 (C-295 SAR), cumprindo o papel de Comandante da Missão Aerotransportada. “O objetivo era auxiliar a Força-Tarefa de Busca e Salvamento em Combate na comunicação e coordenação entre seus meios, com o evasor e com os comandos superiores, a partir de uma melhor consciência situacional, propiciada pelos sistemas embarcados”, explicou o Ten Cel Marchiorato.

“Esta última edição do Exercício Tápio, em comparação à edição anterior, se destacou pelo aprimoramento das técnicas de APHT”, contou o Ten Cel  Marchiorato.  “Cada militar precisou passar por aulas de atualização e uma sequência de avaliações, partindo de um teste teórico de APHT. [Isto foi] seguido por uma oficina prática, para depois serem testados em campo com simulação de resistência inimiga, além de uma verificação completa, inclusive em voo.” 

Para o Ten Cel Marchiorato, o EXOP Tápio é o exercício mais completo no preparo do efetivo para as missões de guerra irregular e tem sido essencial para o entrosamento das diferentes aviações participantes, bem como para a padronização das equipes de resgate. Já o Cel André Luíz reforçou que no EXOP Tápio 2019 foram cumpridos todos os treinamentos das táticas, técnicas e procedimentos planejados.

O Cel André Luíz destacou ainda que a edição de 2019 realizou um quantitativo maior de lançamentos de carga e de pessoal e teve a parte doutrinária incrementada, com a execução de aulas de elevação de nível, de workshops e de uma reunião intermediária de análise de resultados. “O EXOP Tápio possibilita mantermos adestradas nossas equipagens em um cenário tático próximo ao real”, concluiu o oficial.

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