Academia da Força Aérea Brasileira recebe instrutor americano

O Capitão da Força Aérea dos EUA Daniel Patrick Spencer será responsável pelas disciplinas de Inglês e Relações Internacionais da academia brasileira.
Taciana Moury/Diálogo | 24 abril 2019

Relações Internacionais

Os cadetes da Academia da Força Aérea Brasileira vão receber instrução de um oficial da Força Aérea dos EUA por um período de três anos. (Foto: Terceiro-Sargento Leonardo Garcia Gaedke, AFA)

A Academia da Força Aérea Brasileira (AFA) iniciou o ano letivo de 2019 com uma novidade no seu quadro de instrutores: o Capitão da Força Aérea dos EUA Daniel Patrick Spencer. Durante os próximos três anos, o oficial vai ministrar na AFA as disciplinas de Inglês e Relações Internacionais, inseridas em 2019 no currículo dos cadetes.

O Capitão da Força Aérea dos EUA Daniel Patrick Spencer ministra cursos de Inglês e Relações Internacionais aos cadetes do quarto ano da AFA. (Foto: Soldado de Segunda Classe da FAB Antônio Messias Santos Conceição)

O intercâmbio entre os países é recíproco. Um oficial brasileiro está na Academia da Força Aérea dos Estados Unidos (USAFA, em inglês) em uma função correlata à do instrutor americano, também por três anos.

O Cap Spencer chegou ao Brasil em dezembro de 2018. Além de instrutor, trabalha na seção de programas internacionais, para dar apoio e orientações aos cadetes da AFA selecionados para realizar o intercâmbio na USAFA e na Colômbia. “São reuniões semanais onde tiro dúvidas sobre a língua inglesa, sobre a rotina acadêmica ou até mesmo sobre os costumes destes países”, explicou à Diálogo.

O oficial cumpriu diversas missões operacionais em sua carreira e atuou no setor de Relações Internacionais em países como a Colômbia e o Reino Unido, como também no oeste do continente africano. “Sempre foram missões curtas. Tinha o sonho de participar de uma missão de intercâmbio de longo prazo”, revelou o Cap Spencer.

“A oportunidade do intercâmbio no Brasil surgiu pelo domínio da língua portuguesa, atestado em uma prova de proficiência em português”, disse. “A orientação que recebi da Força Aérea dos EUA para os próximos anos foi a de tentar construir relações entre Brasil e Estados Unidos, baseado nas minhas experiências e personalidade.”

O Cap Spencer avaliou a missão até o momento como muito positiva. “Gosto da comida, das pessoas, da cultura, das cidades, da natureza. Tem coisas diferentes, mas estou aprendendo a lidar e apreciar também.”

É a primeira experiência do Cap Spencer como professor, que utiliza a cultura acadêmica americana para ministrar as aulas, com uma participação mais ampla dos alunos. “Tenho me surpreendido com o nível de conhecimento dos cadetes brasileiros sobre os assuntos atuais”, ressaltou. 

Os cadetes brasileiros avaliaram positivamente as disciplinas do Cap Spencer. “O instrutor nos dá uma visão de mundo muito diferente daquela com que estamos acostumados. Histórias e experiências compartilhadas tornam a aula mais interativa e interessante, na medida em que conhecemos pontos de vista de um estrangeiro”, disse o Cadete Vinícius Jacobi Quatrin, aluno do quarto ano de Relações Internacionais. O aluno também destacou os conhecimentos em ciências políticas do instrutor, além da bagagem profissional em conflitos e viagens ao redor do mundo.

As classes do Cap Spencer possibilitam aos cadetes um maior contato com outra cultura. (Foto: Terceiro-Sargento Leonardo Garcia Gaedke, AFA)

“Temos a possibilidade de ter um maior contato com outra cultura e aprender mais sobre ela. Além disso, o contato com um oficial dos EUA também traz benefícios para a aprendizagem do idioma inglês”, complementou a Cadete Pamella Silva de Oliveira, também do quarto ano. A aluna comentou que é possível aprender mais sobre a cultura organizacional da USAF e entender como funciona o ambiente de trabalho em uma das forças armadas mais importantes do mundo.

“Os cadetes têm agora acesso direto a informações sobre os costumes, as normas, e sobre as diferenças na formação e na cultura militar dos nossos países”, disse o Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira (FAB) Saint-Clair Lima da Silva, adjunto para Assuntos Acadêmicos da Divisão de Ensino da AFA. “Essa proximidade estimula ainda mais o interesse de nossos cadetes em participarem dos programas de intercâmbio.”

Benefícios acadêmicos

Para o Cel Saint-Clair, a disciplina que é ministrada por um oficial estrangeiro se beneficia de um maior interesse dos cadetes, para explorar os tópicos das aulas sob o ponto de vista daquele oficial que a representa. “O interesse é também aumentado pela diversidade de abordagens e exemplos que um oficial estrangeiro agrega e que normalmente não fariam parte da disciplina. Isso estimula a autorreflexão e uma análise de como os seus próprios valores influenciam suas convicções”, destacou.

O Cel Saint-Clair, que foi oficial de ligação da FAB e instrutor acadêmico na USAFA, salientou a importância da troca de experiências e perspectivas entre as duas instituições. “O maior ganho acontece com o entendimento das diferenças culturais e a formação dos laços profissionais e de amizade entre nossos países.”

O oficial também destacou os benefícios do programa de intercâmbio para os cadetes, mas principalmente para as duas forças aéreas. “Os cadetes são expostos a uma formação militar, ética e de liderança diversa da exercida em suas respectivas academias, fator que vai subsidiar futuras análises para o aperfeiçoamento de nossos programas de formação”, disse. “Acelera ainda o desenvolvimento nos cadetes de atributos necessários para exercerem funções de liderança em ambientes interculturais, cenário que já é uma realidade para a FAB.”

Intercâmbio iniciado em 2017

É a segunda vez que a AFA recebe um instrutor dos EUA. Em 2017, o Tenente-Coronel da Força Aérea dos EUA Eric Richard Dittman foi instrutor no Brasil pelo período de dois anos. “Durante o primeiro ano, o Ten Cel Dittman atuou junto à Seção de Doutrina do Corpo de Cadetes, onde criou, planejou e implementou o programa de mentoria aos cadetes do quarto ano”, disse o Brigadeiro da FAB David Almeida Alcoforado, comandante da AFA. “No segundo ano, o militar atuou na Divisão de Ensino responsável pelas disciplinas Língua Inglesa, Mecânica e Aerodinâmica.”

Além do instrutor norte-americano, a AFA conta ainda com dois outros instrutores estrangeiros: oficiais aviadores de Chile e da Argentina. Ambos desempenham a função de instrutor de voo para os cadetes.  

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