Interoperabilidade Brasil-EUA constrói confiança

Pela primeira vez, Brasil e Estados Unidos se encontram para promover a interoperabilidade entre os dois países.
Geraldine Cook/Diálogo | 8 maio 2018

Relações Internacionais

Representantes do Brasil e dos Estados Unidos foram liderados pelo Comando Sul dos EUA no primeiro Conselho de Comando, Controle e Interoperabilidade, em Salvador, Brasil. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

A complexidade das ameaças de segurança exige uma colaboração mais profunda entre as nações parceiras do hemisfério ocidental. À medida em que a cooperação em segurança se torna cada vez mais importante, o Brasil e os Estados Unidos integram suas capacidades em estruturas mais seguras para proteger a comunicação.

Pela primeira vez, o Brasil e os Estados Unidos realizaram o Conselho de Comando, Controle e Interoperabilidade (CCIB, em inglês) em Salvador, Brasil, de 9 a 12 de abril de 2018. Mais de 40 membros das Forças Armadas do Brasil e representantes do governo dos EUA, liderados pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), reuniram-se para discutir a respeito de iniciativas conjuntas para validar os requisitos de comando, controle, comunicações, computadores, inteligência e operações, para atender às metas e estratégias de cooperação.

“Este fórum é o primeiro passo para aumentar a interoperabilidade entre os dois países. Tenho a certeza de que continuaremos a fortalecer as iniciativas de interoperabilidade entre as nossas forças armadas”, afirmou o General-de-Brigada do Exército Brasileiro Jayme Octávio de Alexandre Queiroz, subchefe de Comando e Controle do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. “Temos uma relação de longa data com os Estados Unidos, principalmente agora, ao participar de diferentes atividades, operações e eventos de treinamentos. O aumento da tecnologia e dos equipamentos torna essa interoperabilidade necessária.”

O CCIB é um fórum bilateral, multidisciplinar, envolvendo múltiplas agências, cujo objetivo é o de abordar iniciativas combinadas de interoperabilidade em uma base mutuamente aceitável. O CCIB Brasil-EUA permite que importantes líderes militares e civis de organizações como o SOUTHCOM, o Programa de Interoperabilidade de Comando e Controle dos EUA (C2IP, em inglês), a Agência de Sistemas de Informação de Defesa e suas homólogas brasileiras conversem, entre outros assuntos, sobre a implementação de padrões fundamentais de informação para apoiar a interoperabilidade da coalizão. O primeiro CCIB realizado no Brasil permitiu que o país faça parte de 56 nações do mundo que participam do C2IP.

“O fórum estabelece as bases para o nosso futuro relacionamento com o Brasil, em termos de comando, controle e interoperabilidade”, afirmou Michael Droz, vice-diretor de Operações do SOUTHCOM. “Isso é muito importante, pois podemos aprender a nos comunicar e colaborar mutuamente e ser interoperáveis.”

O primeiro CCIB Brasil-EUA fortaleceu as relações entre as forças armadas de ambas as nações e permitiu que os participantes discutissem a respeito de formas diferentes de serem interoperáveis para enfrentar desafios comuns. “Enfrentamos muitas ameaças nesta região. Se pudermos nos comunicar e ser interoperáveis com nossos parceiros, estaremos melhor preparados para combater essas ameaças”, disse Droz. “Não importa qual é a missão; pode ser uma missão de combate com a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] ou uma missão de ajuda humanitária em caso de desastre. Se pudermos ser interoperáveis, falando uns com os outros e compartilhando informações em tempo real, a missão será mais bem-sucedida.”

Essa ideia é compartilhada pelas Forças Armadas do Brasil. “A interoperabilidade ajuda a combater as ameaças de segurança”, disse o Gen Bda Jayme. “Em situações onde o uso de forças multinacionais é necessário [para apoiar] nações parceiras, a interoperabilidade é estritamente necessária; sem ela, é impossível conduzir operações conjuntas e combinadas.”

Participantes do primeiro Conselho de Comando, Controle e Interoperabilidade Brasil-EUA destacaram a importância de empreender iniciativas combinadas. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

Nova frente de comunicações

“O CCIB traz a oportunidade de fortalecer a relação com os Estados Unidos para construir a interoperabilidade entre nossos sistemas e culturas. As pessoas se preocupam com a segurança entre as duas nações e suas populações”, disse o Coronel da Força Aérea Brasileira André Luís Maia Baruffaldi, assessor de Comando e Controle do Ministério da Defesa. “O futuro da interoperabilidade é promissor, na medida em que buscamos maneiras de continuar melhorando nossas capacidades.”

“O objetivo do encontro foi o de discutir sobre os requisitos operacionais para plataformas de armamentos e sistemas de conexão de dados nas operações conjuntas e combinadas dos EUA e do Brasil”, afirmou Marlon Atherton, planejador do C2IP e de Exercícios de Operações Cibernéticas do SOUTHCOM. “O CCIB nos permite agir em conjunto, de forma coerente, eficaz e eficiente para alcançar os objetivos táticos, operacionais e estratégicos da missão.”

História

Os governos dos EUA e do Brasil assinaram o Memorando de Acordo de Segurança de Informação e Comunicações (CISMOA, em inglês) em 2014 para promover seus interesses mútuos de segurança. O CISMOA inclui o arcabouço legal e mecanismos para promover a interoperabilidade entre sistemas de comunicações, comandos e controle tático das forças armadas de ambas as nações.

O CCIB Brasil-EUA tornou-se uma realidade após três anos de conversas bilaterais e esforços conjuntos entre a diretoria de planejamento conjunto das Forças Armadas do Brasil e o SOUTHCOM. O primeiro encontro pré-CCIB foi realizado em Brasília, Brasil, em julho de 2017. O SOUTHCOM sediará o segundo CCIB em 2019.

“A interoperabilidade com nações parceiras é muito importante para a Marinha”, afirmou o Capitão-de-Fragata Felippe José Macieira Ramos, assessor de Comando e Controle da Marinha do Brasil. “O CCIB nos permite conhecer melhor os sistemas de comando e controle naval dos EUA e da OTAN e nos ajuda a encontrar soluções para a interoperabilidade com as nações parceiras.”

Para o Gen Bda Jayme, o futuro da interoperabilidade EUA-Brasil é encorajador. “Este é o nosso primeiro passo para [obter] uma integração perfeita entre as forças armadas do Brasil e dos Estados Unidos”, concluiu.

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